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#BazaarKids: Plantão Médico

Nada de férias na saúde dos pequenos. Com o calorão a toda, é importante ficar atento aos sinais de infecções de ouvido e até aos sangramentos nasais

by redação bazaar

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É comum, em pleno verão, a criançada apresentar infecções de ouvido decorrentes dos muitos “tchibuns” na piscina ou nas águas do mar. Outra queixa recorrente dos papais nesta época do ano é sobre aquele estado permanente de gripe, com secreção nasal incessante e dores na garganta. Mas o que é possível fazer para evitar esses contratempos? Convocamos a Doutora em Otorrinolaringologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Francini Padua – grávida do segundo filho, Lucas, e mamãe do Pedro –, para dar dicas e explicar melhor como identificar os sintomas e tratar as causas.

Existe prevenção para as dores de ouvido que acontecem no verão?
As infecções que ocorrem neste período são as da orelha externa (região onde colocamos as “hastes de algodão” para remover a cera). Elas acontecem especialmente porque as crianças ficam com a orelha úmida por causa dos banhos de piscina e de mar. A pele úmida do local favorece a penetração das bactérias responsáveis pelas infecções. A criança pode então evoluir para dor de ouvido com saída de secreção. A prevenção é deixar o ouvidinho sempre seco: ao sair da água, oriente os filhos a virarem a cabeça de lado e a movimentar o dedo no orifício do ouvido de forma a facilitar a saída de gotículas de água. Se a criança for muito pequena, os pais devem realizar o procedimento. Uma medida simples, que pode ter grande impacto na prevenção.

Muitos pais se queixam de que os filhos ficam facilmente “gripadinhos”, com infecções de ouvido, garganta e secreção no nariz. O que pode estar acontecendo?
A imunidade da criança ainda está em formação, e por esse motivo, é mais comum ter infecções respiratórias virais de repetição. Os estudos mostram que uma criança imunocompetente pode ter de seis a dez resfriados por ano – o que é considerado normal. Existem outros fatores que são contribuintes para elevar essa situação e, portanto, devem ser levados em consideração: as crianças levam com frequência objetos à boca e, quase sempre, o mesmo objeto é passado de criança para criança, favorecendo a troca de vírus. Além disso, a proximidade entre a turma kids também é causal. A partir dos dois anos de idade, existe um estímulo para o aumento da adenoide, que é uma estrutura localizada atrás do nariz. Quando o aumento é significativo, pode haver retenção de catarro no nariz, e isso repercuti diretamente no ouvido, nos seios da face, na garganta e nos pulmões. A rinite também pode ser a responsável pela congestão nasal e pela produção excessiva de secreção. Uma avaliação cuidadosa do otorrino deve ser feita para ajudar a criança a respirar melhor pelo nariz nessa fase de vida, evitando as constantes infecções.

Quando há sangramento nasal em criança, qual o procedimento correto no socorro? O que os pais devem fazer se o problema persistir?
Da mesma forma que comprimimos um machucado no braço para estancar o sangue,  no nariz, devemos fazer o mesmo: comprimir um lado e outro da ponta do nariz por dois ou três minutos. Dessa forma, estamos comprimindo exatamente os vasos que sangram em 95% das vezes, e aguardamos o tempo médio para a coagulação. Outra medida que deve ser realizada é o ato de abaixar a cabeça da criança para que a mesma não engula o sangue. Diferentemente do que a maioria das pessoas orienta, quando colocamos a cabeça para cima, o sangue é digerido e pode levar a náuseas e vômitos. Compressas frias na face e bebidas geladas também ajudam a cessar o sangramento. Caso o mesmo persista, é importante levar a criança a um pronto-atendimento para exames clínicos. Nos casos de sangramentos recorrentes, vale a pena uma avaliação do especialista para a busca das prováveis causas e a resolução do problema.

Quando as crianças devem visitar o otorrinolaringologista?
Essa é uma especialidade que trata das doenças do ouvido, nariz e garganta. Quando as crianças apresentam sintomas constantes nessas áreas, vale a pena serem avaliadas por um médico a fim de identificar as causas e iniciar o tratamento adequado. O que mais afeta os pequenos são as otites e as sinusites de repetição, a dificuldade de audição (mesmo com o som alto da tevê, a criança pergunta sempre “o que ele falou?”), nariz congestionado e cheio de catarro, dores de garganta, amigdalites, distúrbios do sono e atraso de comunicação.