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Dois pulinhos e um latido

O livro O Diário de Bia estreia no universo literário com narrativa divertida, emocionante e muito atual

by redação bazaar
Foto: Divulgação

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Por Adriana Brito

Sempre achei que a Bia daria uma tirinha, daquelas publicadas no jornal, ou uma ótima personagem de história em quadrinhos, como as que lia quando criança (tudo bem, confesso, que acompanho até hoje…). Essas impressões me vinham graças ao carisma que os cachorros geralmente têm e por conta das narrativas que sua “humana” – como muitos tutores se denominam atualmente –, a Patrícia Favalle, foi reunindo com o passar dos anos sobre as travessuras daquela dachshund de pelagem caramelo.

Quando soube que algumas delas seriam reunidas num livro para crianças pensei logo numa série, contando os muitos trechos desse amor que estabelecemos com os nossos amigos de estimação – cães, gatos e outros pets domésticos concentrados numa população de mais de 132 milhões de animais, só no Brasil, de acordo com o estudo de 2013 feito pelo IBGE. Bia, calculei entusiasmada, não demoraria para ganhar outras plataformas como fizeram Snoopy (Peanuts), Astro (The Jetsons), Pluto (Mickey Mouse), Odie (Garfield) e Bidu e Floquinho (Turma da Mônica).

Ao ler um trecho de O Diário de Bia, contudo, entendi que o caminho escolhido pela autora – e seguido com delicadeza pelo ilustrador Felipe Campos – foi íntimo, em primeira pessoa. E, talvez por isso, único. Bia é quem nos convida a conhecer as descobertas do cotidiano, da adoção às peripécias da juventude, e a percepção que teve dos humanos com quem conviveu. É também um manifesto de amizade, um relato sobre o afeto que é construído nessas relações entre as pessoas e suas mascotes. Por fim, como ponderou a própria Patrícia, “é um vínculo que fortalece a responsabilidade de cuidar dos outros”.

Foto: Divulgação

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Conheci Maria Beatriz desde os seus primeiros anos de vida. E ficamos amigas de cara, quando passei a frequentar a casa da sua humana. Comigo não foi diferente, talvez um pouco mais ou pouco menos do que era com quem chegava por lá – parada em frente a porta, ela se movimentava toda, e como fazem os salsichinhas, apoiava-se nas patas traseiras, dava dois pulinhos e um latido. Era o seu “oi, tudo bem?”, e não havia recepção melhor. A Patrícia sempre disse que, na verdade, a Bia os tinha escolhido – “Ela tinha personalidade forte, dava bronca, mas era a melhor companhia do mundo!”.

Muito se argumenta sobre a importância de ler para os filhos, do quanto isso estimula o gosto pela literatura e o uso da criatividade. Fábulas, contos, poemas, romances, cordéis, todos eles prontos para levar ao leitor a fantasia e o fantástico. No meu caso, a estreia foi com Rosinha, Minha Canoa, de José Mauro de Vasconcelos. Nunca esqueci, era um ritual que fazíamos, minha mãe, meu irmão e eu, todas as noites, com ela apresentando página por página os rios e os personagens de um Brasil de alma limpa. Torço para que outras crianças tenham essa oportunidade – e, se for o caso, que seja com bons títulos como esses.

O Diário de Bia, de Patrícia Favalle, ilustrações de Felipe Campos, editora Equador. O lançamento acontece dia 15 de fevereiro, quarta-feira, das 18h30 às 21h30, na Livraria da Vila, Rua Fradique Coutinho, 915, telefone (11) 3814-5811. www.facebook.com/livroodiariodebia