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A melhor dieta? A do seu DNA

Já existem empresas oferecendo cardápios prontinhos para perda de peso baseados em testes genéticos

by Ariene Oliveira

Por Anna Paula Buchalla 

Parceria mais uma peça de ficção científica: num futuro distante, seria possível determinar geneticamente quais alimentos te fariam engordar ou emagrecer. Um cardápio personalizado, feito sob medida para a quantidade de quilos a ser eliminada, chegaria prontinho ao prato, no que seria a mais eficiente de todas as dietas.

Pois bem, o futuro já chegou, e a dieta baseada no DNA de cada um saiu dos laboratórios. Os cientistas sabem como e com que eficiência o seu organismo metaboliza certos alimentos graças à nutrigenômica, que estuda a interação do genoma humano com os nutrientes. Um exemplo? Pessoas com a variação de um certo gene batizado de CYP1A2 metabolizam a cafeína mais lentamente e estão mais predispostas a hipertensão e distúrbios cardiovasculares se ingerirem mais do que duas xícaras de café por dia.

Como este, existem outros genes ainda mais específicos, que mostram o risco de petiscar ao longo do dia e até a preferência por alimentos gordurosos.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Agora, as empresas de tecnologia estão dando um passo além e passaram a investir no campo da nutrição: elas determinam não apenas o seu perfil metabólico, mas montam o seu cardápio perfeito, que inclui, além do menu propriamente dito, a ingestão ideal de vitaminas e suplementos, como ômega 3, vitaminas C e D (afinal, você pode precisar ou não deles).

Uma delas, a americana Habit, por US$ 299, oferece um kit de testes que inclui um shake hipercalórico (uma bomba nutricional de quase 1000 calorias). Um exame feito antes e depois de tomá-lo mostra como seu corpo metaboliza essa quantidade absurda de carboidratos, gorduras e proteínas. A partir daí, sabe-se as porções ideais de cada um desses grupos alimentares que devem ser consumidas ao longo de um dia para manter ou perder peso.

Pode ser surpreendente descobrir, por exemplo, que seu organismo precisa mais de carboidratos do que de proteínas – e isso acontece, de fato. O passo seguinte oferecido pela Habit é receber em casa alimentos fresquinhos baseados nas suas recomendações, com kits que chegam semanalmente. O serviço já funciona em todos os Estados Unidos ao preço médio de US$ 15 por refeição.

A nutrigenômica está realmente começando a mudar a forma como as pessoas se alimentam no dia a dia (esqueça o manjado prato de franguinho grelhado com salada que vale para toda e qualquer dieta). O mercado de produtos para emagrecer baseados no DNA tende a crescer vertiginosamente nos próximos anos.

A inglesa FitnessGenes não apenas determina o cardápio, baseado em testes de DNA, mas também oferece um plano individual de exercícios físicos que seriam aqueles que funcionariam para o seu perfil genético. Ou seja, quais as séries mais eficientes para aumentar massa muscular, reduzir gordura localizada e melhorar o desempenho aeróbico e cardiovascular.

Os coaching plans variam de US$ 150 a US$ 350. O teste é uma alternativa não só a quem tem resistência à perda de peso, mas também aos que fazem exercícios e não obtêm resultados estéticos satisfatórios. É uma opção perfeita também para pessoas com alterações metabólicas, deficiências nutricionais e obesas. Laboratórios no Brasil já oferecem esses testes, criados por empresas científicas, como a Thermo Fisher Scientific, e a tendência é que eles sejam cada vez mais presentes na vida de médicos e pacientes.

Se, de um lado, os genes pedem cuidados específicos para cada um, de outro, já existe um ramo da ciência que estuda a melhor de forma de darmos “uma mãozinha” para a genética individual: a epigenética. São hábitos de vida que podem ativar ou silenciar genes, para o bem ou para o mal. Um exemplo? No caso da dieta, alguns alimentos, hoje se sabe, são capazes de ativar a sirtuína 1, enzima conhecida como “gene magro” por estimular as moléculas que queimam gordura. Além da perda de peso, ativar a Sirt 1 ajuda também a reduzir os sinais de envelhecimento.

A boa notícia é que já existem no mercado ativos que estimulam a Sirt 1, caso do Resveravine. “Ele favorece ainda o processo de detox do organismo, ao aumentar as enzimas antioxidantes em circulação”, explica Claudia Coral, farmacêutica da Galena.

Além desse, a empresa produz outro composto, o Morosil, que ativa genes que atuam na lipólise, a quebra das células de gordura. Nada disso seria possível sem o mapeamento genético e seus desdobramentos – que caminham para um único destino: tratamentos cada vez mais personalizados. E com resultados surpreendentemente melhores.