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“Os grupos online me ajudaram a deixar a ditadura do alisamento”, revela Alexandra Loras à Bazaar

A consulesa da França falou sobre o processo de transição capilar

by Eduardo Rolo
Foto: reprodução/Instagram

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Um ano após o a primeira marcha do orgulho crespo, que celebrou a diversidade das mulheres com cabelos crespos e cacheados, em São Paulo, o tema continua em voga. Inclusive, há uma popularização de eventos e grupos que reunem pessoas que passaram ou estão passando pelo processo de transição capilar – um dos grupos mais famosos, por exemplo, é o Cacheadas em Transição, que possui cerca de 200 mil membros no Facebook.

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“Os grupos online me ajudaram muito a me fortalecer na escolha de deixar a ditadura do alisamento”, revela a consulesa da França, Alexandra Loras, em entrevista à Bazaar. Recentemente, ela passou pela mudança radical de abandonar as técnicas de alisamento e aderir ao fios naturais. “Assumir meus cachos me aproximou de toda a minha negritude e da minha real identidade”, afirma. ” Foi um ato político. O Brasil me aproximou muito das negras militantes, intelectuais e politizadas, estou aprendendo cada dia mais”, acrescenta.

“Eu não me lembrava mais dos meus cachos, fazia mais de 30 anos que alisava” relata sobre o tempo que viveu sob os efeitos das químicas capilares. “É preciso paciência para esperar o cabelo crescer na textura natural. Procure orientação de um cabeleireiro especializado em cachos para encontrar um corte que te valorize e aprenda a cuidar do novo cabelo”, aconselha sobre o período desafiador da transição. “Busque referências de penteados e dicas, hoje há inúmeros blogs e canais do YouTube dedicados aos cachos. Mas, acima de tudo, aproveite o processo para trabalhar sua auto-estima, reaprender a amar seus cachos e se empoderar”, finaliza.

“Além de não usar produtos químicos, que são caros e podem fazer mal à saúde, passamos a nos aceitar como somos”, conta sobre as vantagens dos fios naturais. Ela ainda conta que atualmente usa somente shampoo e condicionador, próprios para cabelos cacheados, e creme para pentear para finalizar, o que garante uma textura bonita aos fios.

“Recentemente, houve uma queda de 26% no uso de produtos de alisamentos no Brasil e algumas pessoas dizem que é por conta da crise, mas não é”, diz, atribuindo a diminuição do consumo à onda de aceitação e valorização dos cabelos naturais. “Não devemos seguir um único padrão, mas sim entender que somos milhões de mulheres e cada uma tem sua beleza única”, compartilha.”Com certeza sair do padrão de beleza imposto pela sociedade e me aceitar como eu sou me empoderou como mulher”, confessa.

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Vida prática

“O cabelo afro geralmente é oleoso no couro cabeludo e tem menor quantidade de queratina, o que o torna mais quebradiço”, comenta Katleen Conceição, dermatologista da clínica Paula Belotti que cuida de atores como Thais Araújo e Lázaro Ramos.”Durante a transição, o ideal é tratar o fios duas vezes na semana com cremes emolientes, como óleo de argan e macadâmia”, explica ela, que é especialista no assunto. “Recomendo o uso das máscaras capilares ao meus pacientes, ao invés do condicionador, pois elas hidratam mais. Caso ele use muitos cremes no cabelo,  sugiro o uso de shampoo anti-resíduo uma vez na semana”, alerta.

Ela ainda ressalta a importância de  consultar um profissional da área, pois muitas vezes os fios quebradiços são consequência de déficit de vitaminas. Nessas situações, é comum prescrever compostos polivitamínicos que ajudam a evitar a queda e a quebra. “Para quem está em processo de transição é sempre bom procurar um dermatologista para orientar e indicar o melhor tratamento”, ressalta.

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