Busca Home Bazaar Brasil

Efeito “vampiro”: injeção com sangue é nova febre para manter-se jovem

No Vale do Silício, paga-se algo em torno de US$ 8 mil por uma transfusão de plasma de pessoas com idades entre 16 e 25 anos

by Anna Paula Buchalla
Pode estar no plasma sanguíneo a chave do envelhecimento e, de olho nesse alvo, os cientistas correm atrás da fórmula da juventude - Foto: Divulgação

Pode estar no plasma sanguíneo a chave do envelhecimento e, de olho nesse alvo, os cientistas correm atrás da fórmula da juventude – Foto: Divulgação

O Vale do Silício, nos Estados Unidos, não é palco apenas de inovações tecnológias. O pedaço da Califórnia também tem pesquisas recentes e promissoras no universo da beleza. Uma delas, em especial, tem atraído milionários do mundo todo: a injeção de sangue jovem em suas veias já não tão jovens assim. Com requintes de experimento de ficção científica, baby boomers (a geração que nasceu entre o final dos anos 1940 e começo dos anos 1960) parecem ter encontrando no sangue dos millennials a fórmula para rejuvenescer corpo e cérebro.

Funciona assim: paga-se algo em torno de US$ 8 mil por uma transfusão de plasma de pessoas com idades entre 16 e 25 anos. O material coletado é separado e um mix de vários doadores é injetado nos participantes, cuja idade média é de 60 anos. Acredita-se que as injeções de 1,5 a 2 litros de sangue são suficientes para trazer benefícios de longevidade.

Na verdade, as centenas de voluntários que se candidataram ao procedimento participaram de um estudo conduzido pela Ambrosia, uma startup com sede em Monterey, na Califórnia, que criou o procedimento. O fundador da Ambrosia, o médico Jesse Karmazin, explica que a ideia é que, com o sangue novo, o organismo passe a produzir fatores essenciais para a saúde das células – e que vão se perdendo com o passar dos anos.

Tudo isso está sendo medido por meio de marcadores no sangue dos receptores, que indicam os níveis de inflamações, suscetibilidade a doenças, como câncer, e até índices de produção de neurônios. É como se o corpo passasse a se autorreparar e regenerar com a injeção de plasma jovem. A ideia de usar sangue e órgãos de pessoas mais novas para reverter o temível envelhecimento ronda a ciência há tempos.

Na década de 1950, em um processo chamado de parabiose, pesquisadores compartilharam o sistema circulatório de ratos jovens no corpo de ratos idosos, e os resultados mostraram que os mais velhos começaram a mostrar sinais de rejuvenescimento: memória aprimorada, mais agilidade e cicatrização de tecidos mais acelerada. Aparentemente, a recíproca é verdadeira. Ratos jovens também passam a envelhecer mais rápido com sangue idoso.

Em 2014, a Universidade de Harvard repetiu o estudo com técnicas mais modernas de parabiose. Essas pesquisas começaram então a revelar como o nosso sangue coordena o envelhecimento do corpo. A partir daí, os experimentos passaram a ser feitos em humanos – mas ainda envoltos em muita polêmica e pouca conclusão.

Acredita-se que as injeções de 1,5 a 2 litros de sangue são suficientes para trazer benefícios de longevidade - Foto: Divulgação

Acredita-se que as injeções de 1,5 a 2 litros de sangue são suficientes para trazer benefícios de longevidade – Foto: Divulgação

No caso da Ambrosia, o estudo clínico é muito pequeno em termos populacionais, não inclui o efeito placebo e não segue as diretrizes básicas dos programas rígidos de laboratórios tradicionais e universidades. Mas o time do doutor Karmazim garante que níveis de proteínas envolvidas em doenças associadas a envelhecimento, como câncer e Alzheimer, foram reduzidos em 20% nos pacientes que receberam sangue novo.

Uma outra companhia do Vale do Silício também já estuda os efeitos do plasma jovem em pessoas com Alzheimer, com resultados aparentemente promissores. Ainda é cedo para saber se o efeito “vampiro” é mesmo viável ou eficaz. “Viver mais e melhor está se tornando uma realidade cada vez mais atual. A transfusão de sangue até pode esconder o segredo da longevidade, mas ainda é cedo para saber”, pondera o médico Theo Webert, especialista em nutrologia, envelhecimento e qualidade de vida.

O fato é que a aposta é grande. Terapias para aumentar a longevidade estão em grande parte dos laboratórios do Vale do Silício. De pílulas e drogas para aprimorar o cérebro e melhorar a capacidade mental às polêmicas transfusões, ninguém quer perder o bonde da vida mais longa.

Já existem até suplementos chamados de nootrópicos, ou “drogas inteligentes”, que prometem melhorar as habilidades mentais. Uma das startups empenhadas em chegar à melhor fórmula possível, a Nootrobox, oferece cápsulas como a “Rise”, para melhorar a memória e a resistência, a “Sprint”, que dá clareza e energia, e outras tantas para promover um boost no cérebro.

Tudo isso custa caro – um combo dessas pílulas não sai por menos de US$ 150 para um mês de uso. Mas o que não falta é gente disposta a pagar o preço de viver mais.

Leia também:
Aprenda a usar o iluminador sem erro
Lábios coloridos por mais tempo: use sombra no lugar do batom
Dermatologista de Angelina Jolie revela a rotina da atriz com a pele