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A rua mais hot dos jardins

Entre nessa festa: não precisa de convite. Em meio a sabores, moda, arte e beleza, vizinhos reencontram na rua da Consolação o sentido do que significa se relacionar com São Paulo

by Guilherme Rodrigues
Eduardo Toldi da Egrey

Eduardo Toldi da Egrey

Por Ana Ribeiro

Uma onda de novidade está provocando um movimento transformador na rua da Consolação, em São Paulo. Junte ao charme de rua arborizada e boa de caminhar uma ebulição silenciosa de modernidade, que quer devolver ao bairro o sentido do que é ter vizinhos, andar a pé, ocupar espaços comunitários. Já tem quem garanta que ela é hoje o endereço mais hot dos Jardins.

A proposta de misturar os assuntos tomou forma concreta com a estreia em janeiro do Epicentro Jardins, de Seba Orth e Pedro Avila. O prédio tem dois andares ocupados em sistema de coworking. No térreo, fica um espaço multidisciplinar, com saída para o estacionamento/pátio, a que também têm acesso a Baró Galeria, que colocou ali um anexo expositivo feito num contêiner, e a grife Egrey, de Eduardo Toldi, que lançou a linha masculina ao mesmo tempo em que mais que dobrou a área da loja da Consolação.

Carla Ribeiro

Carla Ribeiro

“As coisas aqui estão acontecendo mais para fora, abertas para a rua, não precisa de convite para entrar”, diz Seba. “O Epicentro é um protótipo do que a gente imagina que pode ser o futuro do bairro: uma proposta mais cultural, de experiências compartilhadas, de arte contemporânea.” Eduardo Toldi reforça outra característica importante do endereço: “É uma rua que conecta desde a região central de Higienópolis até Jardim Europa, Itaim e Morumbi. Eixo no qual a maioria dos clientes da Egrey e outros potenciais residem.”

Felipe Dmab, da galeria Mendes Wood DM, está na Consolação desde 2010. “Gosto daqui porque é uma rua mixada, tem um tipo de comércio diferente, as pessoas andam a pé. É um pedaço dos Jardins que tem uma vida de calçada muito legal.” Felipe cita coisas antigas do quarteirão – Utilpast, “um super clássico do bairro”, o restaurante japonês Nagayama, o tapeceiro que está lá há um tempão e até o manobrista da galeria, Romildo, que atua por ali há 20 anos – e vê com alegria as novidades que estão chegando. “Essas novas iniciativas estão trazendo uma energia superlegal para a rua.”

Pedro Mendes, Felipe Dmab e Matthew Wood

Pedro Mendes, Felipe Dmab e Matthew Wood

Maria Baró provou, gostou e ficou. Faz dois anos que abriu uma vitrine da Galeria Baró por lá, extensão de seu galpão de 1.500 m2 na Barra Funda. “Estou amando esse pedaço. A energia dos vizinhos é boa, estamos criando uma comunidade de pessoas com afinidade cultural e fazendo uma cidade baseada no convívio humano. Fechei o galpão da Barra Funda e vou concentrar tudo aqui.”

Eugênia Maia

Eugênia Maia

Quem trabalha por ali acaba mesmo centralizando boa parte da vida ao redor. “Faço tudo a pé. Tem altos restaurantes, meu cabeleireiro é aqui, tem academia, é tudo na rua”, diz Claudia Tannous, da Attaché, que está no business de energy maker para empresas. Claudia ocupa o mesmo endereço há quatro anos – antes dividia espaço com o showroom da estilista Vanda Jacintho, agora cada uma ficou com o seu andar: Claudia em cima, Vanda embaixo, em um predinho cool, sem elevador, em cima do restaurante Tappo.

Maria Baró

Maria Baró

Outra que antecipou esse hype foi Eugênia Maia, da Verbo agência de comunicação. Ela se fixou ali sete anos atrás – já mudou três vezes de endereço, nunca de rua. “Essa é uma rua de personagens, a gente vê sempre as mesmas pessoas passando.” Uma cara nova é Carla Ribeiro, da Pair. A mais recente vizinha abriu no “quarteirão dos sonhos” – entre Lorena e Oscar Freire – a multimarcas que oferece peças de várias grifes, exclusivamente nas cores preto e branco. Carla veio participar da festa que está rolando na Consolação. “Quero estar inserida num conceito que não seja só moda.”

Vanda Jacintho

Vanda Jacintho

Quem tem longa história para contar sobre a rua é Ivo Abrahão. Em 2003, inaugurou o japonês Nakasa e, em 2011, abriu o Tavares, construído na casa onde viveu o colunista social Tavares de Miranda. “Esta foi a última casa residencial da rua.” O Tavares, com sua cozinha que não fecha entre almoço e jantar, virou ponto de encontro. Em breve, passa a funcionar também como padaria. Ivo participa com alegria dessa nova movimentação. “É gostosa essa sensação de pertencimento. Mais do que nunca, tenho certeza de que não vou sair daqui.”

Claudia Tannous

Claudia Tannous