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A saudade, traduzida por Verena Smit, em uma história sem palavras

Fotógrafa lança seu primeiro livro "Lovely" e já planeja o segundo

by elav
Capa do livro "Lovely" de Verena Smit - Foto: Divulgação

Capa do livro “Lovely” de Verena Smit – Foto: Divulgação

Por Paula Jacob

A primeira vez, durante aquelas incríveis tardes sem fazer absolutamente nada, navegando no Instagram, que encontrei o perfil de Verena Smit, me encantei pelo seu trabalho de forma instantânea. Primeiro o mood black & white, que invade a minha vida (e alma) de uma forma inexplicável, salta aos olhos. Depois, analisando foto por foto, a sensibilidade e cuidado com o qual Verena expressa seu olhar é quase bucólica, como a tradução do disco We Slept at Last, de Marika Hackman, em imagens. Uma poesia sem rima.

Quando convidada para o lançamento do seu livro (aqui me desculpo pela ausência), não hesitei em contatar a fotógrafa para saber mais sobre seu incrível universo e desvendar a publicação Lovely. Em entrevista à Bazaar, Verena mostra em detalhes o conjunto de sua(s) obra(s), confira:

Harper’s Bazaar Quando você começou a fotografar?

Verena Smit Comecei a fotografar com 17 anos quando ganhei duas câmeras que eram do meu pai. Mas não tinha nenhuma pretensão de ser fotógrafa.

HB Quais foram suas principais referências?

VS Quando comecei a fotografar não me lembro de ter tido nenhuma referência. Mas um pouco depois, conheci o trabalho de algumas fotógrafas como Francesca Woodman, Sarah Moon e Cindy Sherman. Elas sem dúvida foram grandes refêrencias. Sempre gostei de mulheres artistas.

Imagens do livro - Foto: Verena Smit

Imagens do livro – Foto: Verena Smit

HB Por que o tema despedida para as imagens do livro?

VS Eram meus últimos meses morando em Nova Iorque e senti a necessidade de deixar aquilo mais eternizado. A gente não tira fotos para se lembrar? Então, foi um pouco isso.

Quando estava saindo do Brasil e indo morar lá, também fotografei meus amigos aqui. Mas era diferente, eu sabia que ia vê-los novamente, que voltaria. Em Nova Iorque não. Os amigos estavam indo embora e não sabia quando e se iria revê-los. Foi o fim de um ciclo que tive vontade de transformar em livro.

HB Como a curadoria das imagens foi feita?

VS Em 2012 logo depois de ter fotografado, revelado e escaneado cada filme, eu já fiz uma pré-seleção das imagens que mais me chamavam a atenção, fosse pelo momento, lugar ou pessoa. Nesse meio tempo entraram outras imagens, outras saíram, tudo para poder contar uma história sem palavras da melhor forma possível e essa foi a parte mais difícil.

Imagens do livro - Foto: Verena Smit

Imagens do livro – Foto: Verena Smit

HB Por que o preto e branco?

VS Eu sempre gostei do preto e branco. Sempre gostei de filmes em p&b, fotógrafos com trabalho em p&b, arte… Minha casa é assim, meu guarda-roupa. Meu humor.

HB Acompanho seu trabalho há algum tempo, além da fotografia você brinca com o significado e resignificado de palavras, fazendo um jogo interessante entre o real e o imaginário. Como você faz essa curadoria de palavras? Como essa “brincadeira” surgiu?

VS No dia seguinte do término de um namoro muito doloroso, eu comprei a minha máquina de escrever. Eu estava numa fase voltando a escrever (hábito que deixei de lado por anos) e estava vivendo um pouco essa dualidade do real e imaginário, o que vem da cabeça e do coração, o que a gente lê ou escuta, o que a gente gostaria de falar mas não fala. Tem uma coisa dos clichês também que a gente sempre escuta.

As vezes estou na rua, leio algo, acho interessante e descontruo, ou vejo um filme, ou numa conversa com alguém… mas é algo que acontece, não fico trabalhando nelas. É espontâneo, assim como o risco. É engraçado porque agora, muitos amigos me mandam idéias de frases e palavras para riscar. Estou pensando em levar mais a sério esse negócio do colaborativo.

Imagens do livro - Foto: Verena Smit

Imagens do livro – Foto: Verena Smit

HB Tem planos para lançar outro livro?

VS Claro. Apesar da experiência difícil que é publicar um livro, quero fazer outro sim. É muito rica essa relação que temos com um processo mais lento, de pouco controle. Eu normalmente penso em algo, fotografo e publico no Instagram. E aí pronto, próximo. O livro foi um projeto que surgiu em 2012, ou seja 3 anos se passaram até ser concretizado de fato. Foi o meu projeto mais longo, sem dúvida nenhuma. Mas o próximo livro quero que seja das palavras riscadas. Já tenho até ele na cabeça.