Busca Home Bazaar Brasil

Celeiro de novos talentos

Baazar apresenta, com exclusividade, os três artistas selecionados pelo Prêmio FOCO Bradesco ArtRio

by Guilherme Rodrigues

Por Ana Abril

TRADICIONAL BRAÇO da ArtRio e propulsor de jovens artistas, o Prêmio FOCO Bradesco contou com 537 inscritos neste ano. A premiação procura incentivar a pes- quisa e divulgar o trabalho de jovens artistas com até 15 anos de carreira. Ao longo das edições, lançou nomes pro- missores, como Carla Chaim, uma das brasileiras selecio- nadas em 2017 pelo prêmio ucraniano Future Generation. Além de reconhecimento, os três vencedores expõem seus trabalhos em um estande especial na feira e participam, du- rante seis semanas, das residências artísticas Saracura (Rio de Janeiro), Ecovila Terra Una (Minas Gerais) e CAMPO + Fundação Museu do Homem Americano (Piauí).

A seleção dos vencedores foi realizada por um Comitê Curatorial Independente, encabeçado pelo curador Ber- nardo Mosqueira, diretor do projeto, e os representan- tes de cada residência: Paula Borghi (Saracura); Nadam Guerra (Ecovila Terra Una); e Marcelo Evelin e Niéde Guidon (CAMPO). Com pesquisas inéditas, os seleciona- dos de 2017 são desconhecidos da cena artística mainstream do eixo Rio-São Paulo. Além disso, os três compartilham o interesse pela observação do contexto e do ambiente que os rodeia.

IRIS HELENA ARAUJO 

Iris Helena. Foto: Divulgação

Iris Helena. Foto: Divulgação

AS ÚLTIMAS DUAS individuais da paraibana aconteceram em 2016, na Zipper Galeria, em São Paulo, e na Alfinete Galeria, em Brasília, cidade onde mora e integra o grupo de artistas pesquisadores VAGA-MUNDO: poéticas nômades. Nascida em João Pessoa, seu trabalho é baseado pela investigação da paisagem urbana. Para a ArtRio, a obra Imaginário Cartográfico de Uma Cidade Brasileira consiste numa cidadela impressa por jato de tinta em 50 cascas de paredes, recolhidas de casas e ruínas. Desses vestígios, forma-se o mapa de uma cidade-síntese brasileira. “Cada pedaço do trabalho vira índice de um lugar da cidade”, explica Iris Helena.

A artista revela-se receptiva em relação à pesquisa que realizará na Residência Saracura. “Me propus a estudar os largos e praças da cidade como espaços de reunião e compartilhamento. Porém, sempre que chegarmos ao lugar de fato, muitas coisas podem mudar. Vamos ver o que vai acontecer”, conta. Dado o contexto político e econômico que mingua os recursos destinados à Educação, Cultura e Arte, a artista comemora sua premiação como uma oportunidade única para dar continuidade a seu trabalho.

C. L. SALVARO 

Obra de C. L. Salvaro. Foto: Divulgação

Obra de C. L. Salvaro. Foto: Divulgação

COM ESTUDOS RECENTES que exploram o espaço como meio de ação e discutem as noções de território e fronteira, C. L. Salvaro defende que a vivência nas residências artísticas é fundamental na hora de se arriscar em novos materiais. Natural de Curitiba e residente em Belo Horizonte, ele também participa da 2a edição da Frestas – Trienal de Artes de Sorocaba, com uma escultura ex- posta em um terreno que se encontra entre as divisas das cidades de Sorocaba e Votorantim.

Selecionado para a Residência CAMPO + Fundação Museu do Homem Americano, o artista pretende ali “buscar os vestígios da passagem do homem contemporâneo”, explica. Já para sua exposição na ArtRio, apresenta uma obra feita in loco que revela os bastidores de todo o processo de montagem e exposição que ocorre na feira. O trabalho deixa à mostra as estruturas dos painéis e outros materiais usados para construir os estandes das galerias, escancarando, assim, sua ruína inevitável. “Esse desmonte é um reflexo simbólico dos processos extra-arte, que explicitam também a instabilidade do próprio circuito artístico”, diz Sal- varo, que já apresentou individuais no Centro Cultural São Paulo (CCSP) e no Memorial Minas Gerais Vale.

ISMAEL MONTICELLI 

Manual de Como Apanhar e Tomar Conta de Ratos Selvagens, de Ismael Monticelli.  Foto: Divulgação

Manual de Como Apanhar e Tomar Conta de Ratos Selvagens, de Ismael Monticelli. Foto: Divulgação

A CONTEMPLAÇÃO SENSÍVEL do espaço e de seu contexto é fundamental na obra do gaúcho. Para ele, ganhar o prêmio representa a possibilidade de viabilizar um trabalho inédito e pensado inteiramente para o ambiente de uma feira de arte. “É um espaço pouco explorado, mas rico em potencialidades”, conta Monticelli,que já expôs na PortasVilaseca Galeria, no Rio de Janeiro, e Arte Hall, em São Paulo, entre outros espaços. O artista aproveita a divisão espacial entre os estandes da feira para montar a maquete Obsessão Miúda.A obra consiste em um labirinto para roedores, cujos brinquedos e circuitos encontrados no objeto foram criados a partir da apropriação de pinturas abstratas e de proposições do neoconcretismo.

Desenhos completam o projeto, assim como o Manual de instruções de Como Apanhar e Tomar Conta de Ratos Selvagens, que será distribuído entre os visitantes da feira. Destaque na seleção da Bolsa Iberê Camargo 2011, ele desenvolverá sua próxima pesquisa na Residência Ecovila Terra Una, em Minas Gerais, a partir de uma análise arqueológica da cidade em que vai se hospedar.“Meu projeto naTerra Una se inicia com a pesquisa da história do local, seu funcionamento, dinâmica, habitantes e frequentadores, entre outros aspectos.A partir disso, vou pensar nos procedimentos artísticos”, diz.