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Exclusivo: Madonna antes de virar pop

Novo livro de fotos de Richard Corman revela toda a originalidade da cantora em 1983, quando ainda não ostentava o título de rainha do pop

by Guilherme Rodrigues
Foto: Richard Corman

Foto: Richard Corman

por Juliana Resende 

MADONNA NÃO ESTÁ EM TURNÊ, não tem disco novo nas paradas e, depois de soltar um sonoro “Fuck you, Donald Trump” na Marcha das Mulheres de Washington, não se envolveu em nenhuma nova polêmica – a não ser desaprovar sua suposta cinebiografia que a Universal Pictures estaria produzindo, com Paris Jackson, filha de Michael Jackson, no papel de miss Ciccone. No entanto, a verdadeira Material Girl não sai da mídia. Claro, aprendemos que Madonna é sempre notícia. Mas nem sempre foi assim. Prova disso está documentada no livro Madonna 66, que revela a fase pré- estrelato da cantora e performer, quando tinha 24 anos.

Foto: Richard Corman

Foto: Richard Corman

São 66 polaroides de Madonna com a data de 1983 clicadas pelo fotógrafo americano Richard Corman, retratista de mão cheia,“dedicado a registrar as mais incríveis aspirações do espírito humano”, como define o documentarista e diretor Ken Burns. O livro luxuoso tem apenas 1.500 cópias – 500 exemplares estritamente limitados, numerados e autografados por Corman e acompanhados de um pôster exclusivíssimo, e outros 1.000 assinados e numerados. O lançamento acontece em junho, no mesmo mês em que as fotos foram registradas, de modo totalmente despretensioso, no apê de Christopher, irmão da cantora, em NovaYork.

Foto: Richard Corman

Foto: Richard Corman

Foi a mãe do fotógrafo, produtora de casting para cinema, que viu na jovem ares de estrela, embora ela ainda não houvesse nem sequer lançado seu álbum de estreia, o que aconteceu no mês seguinte. Cis Corman conheceu aquela garota expressiva, original e com senso fashion apurado numa audição para o papel principal do filme Cinde Rella, uma sátira do mundo do rock que acabou não indo para frente.“Ela não foi escolhida para o papel, mas minha mãe me mandou parar tudo e ir lá fotografá-la”, recorda-se Richard Corman, em entrevista exclusiva à Bazaar. “Mamãe estava absolutamente certa”, diz.“Logo de cara, percebi que estava diante de alguém comum carisma que eu jamais havia visto, nem sentido.”

Foto: Richard Corman

Foto: Richard Corman

Imagens da cantora nessa época já foram compiladas no livro Madonna NYC 83, também assinadas por Corman. A diferença entre os dois projetos, segundo o autor, é que o primeiro reúne uma série de ensaios em locais e ocasiões diferentes durante todo aquele ano, e o segundo é um tesouro realizado no primeiro encontro entre o artista e a musa, que ficou perdido por 30 anos, encontrado apenas em 2016, quando Corman remexeu caixas antigas ao mudar de casa.“Quando vi as imagens, instantaneamente pensei em sua relevância. E em como elas retratam uma mulher à frente de seu tempo.”

Foto: Richard Corman

Foto: Richard Corman

Como Richard Corman poderia esquecer aquele dia de verão nova-iorquino em que capturou não só a beleza física de Madonna, mas sua sexualidade feminina e forte? “Eu nunca poderia imaginar que estivesse em frente a uma popstar, mas algo me disse que se tratava de alguém totalmente determinado e focado em fazer a diferença no mundo”,conta.Apósrelutarporumtempo,foiconvencido a lançar a publicação pelo publisher e diretor criativo londrino Nick Groarke. O resultado é um lindo livro de fotografias embrulhado por uma correia de borracha preta. O material é o mesmo das pulseiras que Madonna usava na ocasião do ensaio.