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“Olmo e a Gaivota”, novo longa de Petra Costa

Diretora de "Elena", investiga a gravidez, medos e desejos femininos

by elav
Cena do filme - Foto: Divulgação

Cena do filme – Foto: Divulgação

Por Lígia Nogueira

Olivia é uma atriz na faixa dos 30 anos que se prepara para encenar A Gaivota, de Tchekov. Quando a peça começa a tomar forma, o que parecia ser uma representação se aproxima da realidade: a notícia de uma gestação levanta questões como os medos e desejos de uma grávida e a relação dela com o parceiro de vida e de palco, Serge. Movendo-se no limite entre o real e a ficção, o filme Olmo e a Gaivota, com direção da brasileira Petra Costa e da dinamarquesa Lea Glob, provoca uma reflexão sobre temas urgentes, como os direitos da mulher sobre o próprio corpo e, ainda mais, os direitos que deve ter ao ficar grávida.

O longa venceu o prêmio de Melhor Documentário no Festival do Rio de 2015 e está previsto para entrar em cartaz em 5 de novembro. “A ideia era evitar os clichês, que é o que geralmente acontece quando se fala sobre o assunto em filmes”, diz Petra. A diretora, que também retrata o universo feminino em seu primeiro longa, Elena (2012), em que tenta compreender o suicídio da irmã (laureado em festivais pelo mundo), fez uma pesquisa sobre gravidez no cinema e ficou surpresa ao notar que o terror O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski (1968), era o título mais emblemático. “É uma bela metáfora da maneira como, quando a mulher engravida, o corpo dela passa a pertencer à sociedade”, observa. Para a diretora, a escassez de filmes sobre o tema é um reflexo da falta de mulheres atrás das câmeras. “Hoje, mais mulheres fazem documentários nos EUA, mas apenas uma pequena parcela dos filmes de grande orçamento é feita por mulheres. isso acontece porque quem escolhe as produções geralmente são homens brancos, que elegem pessoas parecidas para retratar as histórias.”

Cena do filme - Foto: Divulgação

Cena do filme – Foto: Divulgação

A diretora vem sentindo o quanto é difícil abordar a questão feminina no Brasil. No discurso de premiação, no Rio, ressaltou a importância da soberania sobre o próprio corpo e do direito, entre outros, de interromper uma gestação. O vídeo, publicado em seu site, recebeu comentários agressivos. “A gravidez é vista de maneira romantizada, é um tabu falar do lado negativo da gravidez.”

Se em Elena Petra mostra a difícil transição da adolescência para a vida adulta, em Olmo e a Gaivota relaciona o nascimento a uma outra transformação. “Uma mulher grávida se submete a um rito de passagem no qual diz adeus à identidade que tinha por uma nova mulher que vai surgir – seja criando raízes, como um olmo, seja nômade, como uma gaivota”, diz. “A vida é isso. A gente nasce para ter de aceitar a morte e nascer de novo.”

Cena do filme - Foto: Divulgação

Cena do filme – Foto: Divulgação