Busca Home Bazaar Brasil

Pelo amor aos livros!

Com um livro nas mãos, o prazer da leitura se prolonga para além da infância

by redação bazaar
foto: Laura Alzueta

foto: Laura Alzueta

Por Lô Carvalho*

Ninguém duvida da importância de deixar o bebê pegar a comida com as próprias mãos: trata-se de um estímulo para o desenvolvimento da autonomia e também do paladar. O bebê fica com o rosto todo sujo e com as mãos enlambuzadas; suas roupas manchadas; a cadeira, a mesa, o chão… Tudo em volta parece ficar cheio de pedacinhos de comida. E a nossa reação? Pura alegria! Mas quando se trata de deixar uma criança pequena pegar um livro com as próprias mãos, muita gente hesita. E se rasgar uma página? Colocar na boca e babar nele? Cortar a mãozinha? Comer o papel? Pois é, embora os livros sejam o alimento da alma, ainda existem aqueles que acreditam que livros e bebês não combinam. Afinal, eles nem conseguem entender o que está escrito, não é mesmo?! Não, não é. Pesquisas em todas as partes do mundo já confirmaram que o contato da criança com a leitura desde a mais tenra idade proporciona uma infinidade de benefícios: vocabulário amplo, maior habilidade para se expressar oralmente e por escrito, processo de alfabetização facilitado, melhor desempenho escolar… Mais recentemente, alguns pesquisadores destacam que os pais que leem para os filhos estabelecem vínculos afetivos mais fortes e duradouros. Impossível, atualmente, não acreditar que ler para o bebê é importante. Mas, observe com atenção: até agora falamos de leitura, e não de livros. Após anos trabalhando como professora e editora, tenho a firme convicção de que é o amor pelos livros que prolonga o prazer da leitura para além da infância. E quando falo em livro estou falando do objeto em si. Como se fosse um acessório de moda? Sim. Um celular que não queremos largar? Sim! Um carro que desejamos? Sim!

O amor aos livros nasce da percepção que temos da sua materialidade e das sensações que a sua forma, tamanho, cor, textura e cheiro nos provocam. Associada a eles, tem os sentimentos que o seu conteúdo nos desperta, é claro. O livro como objeto de desejo? Isso mesmo. É o amor aos livros que faz com que, nesse exato momento, milhares de crianças e jovens no mundo inteiro aguardem o último livro sobre Harry Potter. O prazer de ter todos eles, de colecioná-los, de possuir mais de uma edição do mesmo título, de vê-los lado a lado na prateleira… Cada vez mais acredito que o desejo de ter um livro e a vontade de lê-lo são como duas faces de uma mesma moeda: indissociáveis por princípio.

Por isso, abrace essa ideia: deixe o seu bebê agarrar um livro com as próprias mãos; estimule a criança a colecionar livros de seus personagens mais queridos, e fique com o seu filho adolescente na imensa fila de autógrafos para que ele possa chegar perto do seu blogueiro-preferido-que-virou-história. Caso contrário, não reclame se após anos e anos lendo para o seu pequeno, ele nunca mais chegar perto de um livro!

*Lô Carvalho é editora e autora de livros infantis. Atualmente, defende a leitura e os livros através do blog Bebê Leitor. Laura Alzueta é publicitária e fotógrafa newborn.