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Sonhar não custa nada

As fortes emoções do Carnaval foram captadas em um ensaio poético assinado pelo fotógrafo Paulo Fabre

by Guilherme Rodrigues

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Dizem que o Carnaval é o verdadeiro Ano-Novo brasileiro. É na apoteose do samba que o sentimento de alegria pede passagem – e nenhum folião parece se importar com as mazelas cotidianas. Se a dobradinha “panem et circenses” (pão e circo) já era a receita adotada pelos romanos – isso no ano 100 d.C. – para deixar o povo entorpecido e longe da política, em tempos bicudos, as práticas ganharam ainda mais elementos para tirar a moçadinha do ar.

Porém, no circuito oposto ao dos blocos popularescos que invadiram as grandes capitais, existe uma indústria gigantesca no comando da festa. É o que acontece no reino de Momo orquestrado na Marquês de Sapucaí e no Sambódromo paulistano, onde um pequeno deslize do folião pode valer o título.

Embalado por tantas emoções – no Carnaval, a lágrima pode traduzir a felicidade ou a derrota –, o fotógrafo Paulo Fabre mergulhou no enredo de uma badalada agremiação carioca para documentar o êxtase e o estado de transe dos integrantes. “Esse ensaio, ainda inédito, mostra o outro lado da história. As imagens foram feitas na dispersão da Sapucaí, espaço destinado à chegada dos carros alegóricos e dos foliões, exatamente no momento em que a escola termina o desfile em atraso, implicando na perda de pontos e no adeus ao troféu”, diz.