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A Alemanha tem os melhores mercados natalinos da Europa.

Para quem curte as festas desta época do ano, a dica é arrumar as malas e conhecer de perto as maravilhas que o circuito oferece

by redação bazaar
Foto: Pimpa Brauen

Foto: Pimpa Brauen

Por Patrícia Favalle

Imagine um roteiro todinho dedicado ao Natal. Não estamos no Alasca, onde a cidade de North Pole, morada oficial de Santa Claus, atrai visitantes do mundo todo em busca de celebrações típicas, nem em Rovaniemi, na Finlândia, terra remota onde funciona o bunker do bom velhinho por 365 dias ininterruptos. O destino aqui é a Alemanha, gelada na medida – ainda sem neve – para agradar os pequenos turistas com encantos e outras atrações esperadas durante os festejos. Papai Noel não é o personagem central do evento, na verdade, ele nem dá pinta por lá.

O que rolam nesses mercados é uma espécie de feira gastronômica, com hot dogs generosos (leia-se: linguiça, pão e mostarda), algodões doces vendidos em baldes, pirulitos coloridos e guloseimas com açúcar que fazem as mamães ruborizarem, além de enfeites, casinhas de biscoitos e pinheiros prontos para serem decorados.
O melhor circuito para conhecer os segredos de Noel começa em Bremen, passa por Osnabrück, Münster e termina em Soest.

A maioria das cidades é pequena – a exceção é Münster, um centro universitário badalado, com jovens que adoram pedalar (a estimativa aponta que existem 560 mil bicicletas, 1,6 por habitante!). Em todos os “Christmas Markets” não faltam diversão, passeios alternativos e histórias incríveis.

Bremen
Às margens do Rio Weser, num frio de congelar os ânimos brasucas, está o primeiro destino a se visitar. O lugar tem um quê medieval, cercado por muralhas imensas, detalhe que faz lembrar trechos do seriado Game of Thrones. O menu é simples, mas saboroso, e as bebidas são quentes a fim de esquentar o corpo. A névoa garante um ar romântico, meio misterioso.

Os pequenos zanzam tranquilamente entre a multidão, com pais despreocupados que acompanham os passos à distância. As barracas dispostas em torno da escultura batizada de Os Músicos de Bremen, alusão ao famoso conto dos Irmãos Grimm, estão recheadas de brinquedos educativos, bolas de natal e quitutes, com destaque para a linguiça apimentada coberta com mostarda de mel.

Osnabrück
Cidade fundada há séculos por Carlos Magno – ela data de 780 (quase mil anos antes de o Brasil ser descoberto), que exibe arquitetura com notas emprestadas da genuína escola gótica, sem deixar de fora o estilo da Normandia, tem em sua torre principal, construída em 1512, um significativo impacto na cultura local, já que foi berço do Tratado de Vestfália, assinado em 1648, e que pôs fim à Guerra dos 30 Anos. O destino também está situado entre muralhas, catedrais e castelos, composição que fez a urbe chegar intacta aos dias de hoje.

Mais populosa do que Bremen, e com ruas comerciais superbacanas, tem comércio com muita opção de presente. Entre as caminhadas, vale fazer um pit stop no Barosta, um coffee shop pilotado por baristas, que serve a bebida preferida dos brasileiros em versões originais. No almoço a dica é experimentar a culinária com pitada globalizada – tem pratos suíços, árabes, italianos, e não se espante se der de cara com algo bem tupiniquim. As pessoas são agradáveis, sociáveis e adoram conhecer mais detalhes sobre o nosso dia a dia. Portanto, afie o inglês e espere muita simpatia entre os anfitriões.

Münster
Antenada aos problemas da vida moderna, com menos carros nas avenidas e mais bicicletas nas ciclovias, o roteiro é considerado capital cultural da região da Vestfália, com forte vocação para a responsabilidade social. Fundada a partir de um monastério erguido em 793 – daí o seu nome, que deriva do latim Monasterium –, Münster tem personalidade gravada em cada uma de suas ruelas.

O guia local mais parece um ancestral dos Mennonitas suíços ou dos Amishes holandeses que migraram para os Estados Unidos, com roupas desgastadas, corpo avantajado, voz grave, lamparina e machado medieval que também serve de cajado. É ele quem conta as sagas que aconteceram por aquelas bandas, despertando olhares curiosos dos transeuntes, em especial, das crianças.

Soest
Pequenina de respeito, Soest tem registros que remontam a 4 mil anos de civilização, sendo os picos de evolução entre os séculos 12 e 13. Cercada por igrejas protestantes e católicas, a exemplo da bela St. Patrokli, e protegida por enormes muros de pedra, a cidade foi alvejada por sucessivos bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial, o que deixou cicatrizes por quase toda parte.

A catedral de St. Mary, com seus vitrais magníficos e torres góticas, foi um dos alvos de ataque. Reconstruído, hoje o lugar passa por restauração que deve ganhar rooftoop panorâmico aberto ao público (ou a poucos sortudos). No mercado natalino, saboreie as rosquinhas coloridas (que nós conhecemos por donuts), o sonho de massa bem leve, os biscoitos de marzipã com bordas de chocolate ou as famosas tortas de frutas. A criançada ama o carrossel e a roda-gigante.

 

A jornalista Patrícia Favalle e a fotógrafa Pimpa Brauen viajaram a convite do Germany Travel