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Pelos caminhos da Índia com Luiza Brunet

Luiza Brunet fala da emoção de visitar o país pela primeira vez e de palestrar sobre violência contra a mulher por lá

by Guilherme Rodrigues

Depoimento a Luciana Franca

Luiza Brunet em frente ao Taj Mahal - Foto: Arquivo pessoal

Luiza Brunet em frente ao Taj Mahal – Foto: Arquivo pessoal

SONHAVA EM CONHECER a Índia havia muito tempo, desde 1985. Incrível ter esperado tanto. Porém, nunca é tarde para uma viagem. Em outubro, finalmente embarquei. Cheguei a Nova Délhi e, logo, uma constatação: o trânsito é caótico mesmo, faz parte, a buzina rompe nossos tímpanos e a gente gosta. É tudo assim, ou você gosta e rápido se adapta, ou não vai curtir. Pegamos um excelente guia, que nos levou à cidade velha, e circulei de tuk-tuk pelo meio da multidão, dos carros, de vacas, feira livre, lojas… Conheci mesquitas e pontos turísticos, e encontrei mulheres muito simples, com roupas puídas, mas sempre com sorriso no rosto, cuidando dos jardins. Me tocou muito ver a humildade e, ao mesmo tempo, a grandeza no olhar. Aprendi que é uma escolha ser feliz, não importa em que condições se vive.

Viajei com uma amiga, Tina Kugelmas, e com a senhora Valéria Scarance, promotora de Justiça e atuante no enfrentamento da violência contra a mulher. Após expor meu caso [Luiza tornou públicas as agressões que sofreu do ex-marido], conservei algumas amizades com pessoas que estão envolvidas com a causa, e uma delas é a Valéria, que já fez palestras sobre o assunto em diversos países. Este foi o principal motivo da minha ida à Índia. Por eu ter feito a denúncia dentro da Lei Maria da Penha, recebi um convite formal dos organizadores da 6a Conferência sobre Vitimologia na Jindal University, em Sonipat, próxima de Nova Délhi, para palestrar com a Valéria. Falamos sobre o Brasil ser o quinto país em que as mulheres mais sofrem agressões física, moral, patrimonial, sexual e psicológica. O índice de feminicídio cresceu muito.

Luiz em Jaipur - Foto: Arquivo pessoal

Luiz em Jaipur – Foto: Arquivo pessoal

A nossa Lei Maria da Penha é ótima, mas a Justiça, ao meu ver, precisa apertar mais as punições urgentemente. É inconcebível que esse tipo de crime ainda persista sem punição severa. A oportunidade de estar com outras mulheres expondo os problemas de seus países e suas causas, estatísticas, foi muito enriquecedor. Depois do meu episódio, passei a entender mais o contexto da mulher em situação de risco, a falta de coragem e o medo que fazem parte da decisão de denunciar. Sou embaixadora do Instituto Avon há oito anos, para câncer de mama e violência do- méstica. Passei a fazer parte da estatística, isso me encorajou a abraçar esta causa ainda mais e, por meio de maior entendimento e conscientização, incentivar as vítimas a fazerem a denúncia.

Luiz posa com um sadhu, um homem santo, no Nepal, para onde foi depois da Índia - Foto: Arquivo pessoal

Luiz posa com um sadhu, um homem santo, no Nepal, para onde foi depois da Índia – Foto: Arquivo pessoal

Outro momento muito marcante foi visitar o Taj Mahal. Acordamos às 4h30, para chegar bem cedo e pegar o mausoléu vazio – ou quase, já que outros tiveram a mesma intenção. No entanto, conseguimos ser umas das primeiras e registramos ainda o amanhecer no monumento solitário. Mais um sonho realizado, era tudo aquilo que sempre vi em fotos, grandioso. Nosso guia contou tudo sobre a história que o envolve. Saímos de lá andando em câmera lenta, depois de uma hora, já que era um mar de pessoas do lado de dentro e de fora. Estar no Taj Mahal nos enche de muita esperança e expectativa, instiga o amor.

A viagem foi toda permeada por emoções. Logo na entrada do Forte de Agra, por exemplo, fiquei muito tocada ao ver uma família numerosa, colorida com vestes deslumbrantes, que seguia para a visita. Não me contive. Cumprimentei com um namastê e pedi uma foto. Registrei o momento mágico para mim. O dia em Agra seguiu com um almoço num restaurante típico, muita andança e comprinhas de sari, bijoux e tecidos. Também fomos a Jaipur – onde vi pashminas e joias – e assim completamos o triângulo de ouro, Délhi, Agra e Jaipur, antes de alguns dias de relaxamento e contemplação no país vizinho, o Nepal.

Luiz em Jaipur - Foto: Arquivo pessoal

Luiz em Jaipur – Foto: Arquivo pessoal

Além de lindos adornos, trouxe na bagagem a simplicidade e a religiosidade daquelas pessoas. Entendi, definitivamente,que precisamos ter respeito por todos os seres humanos e animais. Naquele trânsito caótico em Délhi, não vi nenhum acidente e muito menos alguém gritar para o outro palavras grosseiras. É preciso ter tolerância e paciência sempre. Namastê.