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Reino da felicidade

Coach de vida e de carreira, Ana Raia relata sua jornada iluminada e transformadora pelo Butão, pequeno país no sul da Ásia aos pés dos Himalaias

by Guilherme Rodrigues

Edição Antonella Salem

As irmãs Ana e Paula Raia com o guia Tashi em um portão na escola monástica Punakha Dzong em Punahka

As irmãs Ana e Paula Raia com o guia Tashi em um portão na escola monástica Punakha Dzong em Punahka

O avião sobrevoa os Himalaias e fico arrepiada ao descer em Paro, porta de entrada para o Butão, no meio de um vale de altas montanhas. E como magia, entro em um mundo que parece saído de um livro de história antiga,onde se sobressaem as virtudes, o caráter humano e o relacionamento. Sempre tive uma grande curiosidade de conhecer este pequeno reino no sul da Ásia que despertou os olhares do mundo por sua aura de espiritualidade e o conceito de Felicidade Interna Bruta – FIB, criado por seus governantes para medir o grau de satisfação da população com sua vida e promover o equilíbrio entre progresso material e espiritual, sempre com respeito à natureza. Não por acaso, o destino era um sonho nos meus planos de jornadas para o autoconhecimento.

Surgiu a oportunidade e vi que era a hora certa. Uma amiga, Renata Rocha, que, como eu, desenvolve programas para o autoconhecimento e expansão da consciência, formou um grupo para uma learning journey e me chamou para um roteiro de aprendizado sobre dharma e wellness. Ou seja, totalmente desenhado com foco na busca do seu propósito e do seu papel no mundo. No schedule, rodas de conversas, práticas de yoga e meditação e momentos infinitos de reflexão.

Viajei em fevereiro, com a minha irmã, Paula, e a amiga querida Vera Cortez, parte de uma turma de 25 pessoas completamente distintas, mas todas com o mesmo propósito: se aprofundar na jornada interior e evoluir como ser humano. Foram 10 dias intensos, entre Paro, Thimphu e Punakha. O mais incrível: ter como anfitrião o lama Gembo Dorji, um dos mais respeitados do país, que viajou três dias para estar conosco. Sua presença, sua paz interior e seu profundo conhecimento sobre a mente e o ser humano nos inspiraram a cada segundo da viagem.

O dia começava sempre às 7h da manhã, com meditação e ensinamentos do lama sobre o budismo. Em Paro, amei o hotel Zhiwa Ling, de arquitetura butanesa, com sala de yoga e até um templo próprio, no topo. Highlight na cidade foi a caminhada de seis horas até Tiger’s Nest (Taktsang Monastery), o mais famoso no reino, construído nas rochas em 1692 e onde o monge Guru Rinpoche teria chegado às costas de um tigre, meditando. Na contemplação daquele lugar sagrado, o lama nos presenteou com uma meditação em uma caverna sagrada, onde tive um dos momentos mais emocionantes da viagem.

De Paro, fomos de carro a Thimphu, a capital do Butão, e lá uma das experiências privilegiadas foi o workshop com Mr. Karma Ura, presidente do Centro para Estudos do Butão sobre Felicidade Interna Bruta, no qual se falou sobre o conceito do FIB e a importância da preservação tanto da ancestralidade como do meio ambiente.Tivemos a sorte, ainda, de participar da cerimônia de celebração do aniversário do rei, Jigme Khesar Namgyel Wangchuck.

No trajeto para Punakha, nossa última parada, fiquei encantada com Dochula Pass, um templo no alto dos Himalaias onde fizemos um ritual para celebrar as divindades e melhorar a sorte. Já em Punakha, passamos horas envolvidos pelos mantras dos monges em Punakha Dzong, antiga fortaleza e hoje uma escola monástica. Ao partir rumo a Rishikesh, na Índia (segunda etapa da viagem), chorei como se deixasse uma grande família. Senti que ali passei uma grande temporada de ensinamentos de como viver no caminho correto, com compaixão, gratidão, de como acalmar a mente e viver através da sua verdadeira essência, iluminada.