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At work: designer destemida

Camila Klein acredita que o sofrimento é transformador e faz de sua flagship uma ode ao universo feminino

by Guilherme Rodrigues
Camila usa blusa, calça e escarpins de seu acervo pessoal, bracelete de metal, madeira e cristal Camila Klein. Foto: Raphael Briest

Camila usa blusa, calça e escarpins de seu acervo pessoal, bracelete de metal, madeira e cristal Camila Klein. Foto: Raphael Briest

por Ana Ribeiro
Camila Klein vive cercada de beleza na Casa da Camila, a flagship de sua marca de bijoux de luxo em São Paulo. Mas o brilho externo não é suficiente para alimentar a alma dessa artista que tem sede de conhecimento.“Quando algum assunto me interessa, vou fundo. As coleções acabam sendo instrumento para eu descobrir novos caminhos.” Por isso tudo, forma e conteúdo convivem lado a lado em sua loja. A designer montou uma biblioteca com livros que abrangem o universo feminino e indicações das clientes de títulos que tivessem sido especialmente transformadores.Tem material de sobra para inspirar as mulheres que frequentam a sua Casa – e a si mesma. Na fase atual, ela tem explorado os reinos da natureza para a criação das peças.

Colar em metal com cristal Camila Klein. Foto: Raphael Briest

Colar em metal com cristal Camila Klein. Foto: Raphael Briest

Camila é o topo de uma pirâmide produtiva que abrange 230 funcionários e se envolve em todas as etapas, e no trabalho encontra força para enfrentar as dificuldades. Pouco menos de dois anos atrás, ela perdeu o marido, seu parceiro na vida e nos negócios, pai de seus dois filhos,Ana Laura, 10 anos, e João, 9.“Eu poderia ter deixado a dor me inundar e sucumbir a ela. Mas preferi usar minha força para não deixar a peteca cair.Três dias depois, eu já estava aqui, assegurando a todos que ‘a vida continua’. Gosto de desafios e as maiores porradas que tomei na vida foram as que me fizeram crescer mais. Por mais doloroso, é muito transformador pensar que o sofrimento te faz uma pessoa melhor.”

Ela tinha 15 anos quando produziu sua primeira “coleção” de bijuterias.“Fiz um brinco azul para combinar com o uniforme do Porto Seguro”, relembra. As amigas do colégio gostaram e quiseram também, e assim começou um negócio. “Eu tinha muita energia, a mente muito ativa, e descobri que, quando pegava as miçangas, conseguia focar. Era como uma meditação.”

Bracelete Camila Klein. Foto: Raphael Briest

Bracelete Camila Klein. Foto: Raphael Briest

Os espelhos da loja projetada por Fabrizio Rollo foram um pedido dela.“A mulher tem de gostar de sua imagem refletida. Se ela não gosta do que vê, alguma coisa tem de mudar.” E não é de perfeição estética que ela está falando: é de poder, de força interior, de capacidade de transformação. Coisas que Camila já provou que tem de sobra.“Eu não tenho medo de nada.”

 Edição de moda Rodrigo Yaegashi  
Produção de moda: Rafaella Spiniella e Mauricio Olive
Tratamento de imagem: Bruno Lenarducci