Busca Home Bazaar Brasil

Rachel Maia revela a trajetória inspiradora da infância pobre a executiva de sucesso

Ex-CEO da grife de joias Pandora, ela tira sabático para escrever um livro e tem planos de adotar uma criança

by Luciana Franca
Rachel Maia com a filha, Sarah Maria - Foto: André Giorgi

Rachel Maia com a filha, Sarah Maria – Foto: André Giorgi

Em sua prateleira imaginária de ídolos estão Nelson Mandela (“um degrau acima”), Barack Obama e Oprah Winfrey. No aparador real de sua sala de estar, a executiva Rachel Maia ostenta uma bonita foto ao lado do ex-presidente americano, tirada no ano passado, quando ele esteve no Brasil para palestrar a convite de um banco.

“Obama posou com poucas pessoas, umas 12. Ele entendeu que existia a necessidade de estar na foto com alguém que representasse a diversidade e a inclusão. E me escolheu. Foi uma coisa louca, meu nome indo e voltando no FBI, foi profundo. Meu nome está nos records do FBI”, diverte-se. “É um líder, um estadista que admiro imensamente. Assim como eu, ele tem essa pegada de olhar pessoas.”

É com os olhos nos olhos e fala mansa, pontuada com algumas expressões em inglês, porque estava habituada a travar um diálogo diário com a Dinamarca e os Estados Unidos nos últimos oitos anos em que ficou à frente da Pandora, que Rachel – com a pronúncia do nome em inglês, como passou a adotar para a vida – fala sobre seus planos futuros uma semana após deixar o cargo de CEO da joalheria no Brasil.

O primeiro deles é o tempo sabático de dois meses que vai tirar para escrever sua biografia. A trajetória da infância pobre na periferia de São Paulo, quando ajudava a mãe a fazer faxina, até a bem-sucedida carreira de CEO de uma multinacional promete ser mais do que uma inspiração.

“Preciso compartilhar tudo o que aconteceu na minha vida, em especial com mulheres que gostariam de entender diversidade e inclusão de forma prática. E com muitos homens que querem aprender a como ser inclusivos com as mulheres, porque isso é uma questão cultural. E como fazer essa transformação? Não é tão simples, não é do dia para a noite. Temos de exercitar.”

Além do livro, mais um filho. Com o tempo um pouco mais livre, a executiva também vai se dedicar, de forma mais ativa, à adoção. Ela já foi aprovada pelo Cadastro Nacional de Adoção e está esperando o telefone tocar. Mas, com a orientação de amigos, entre eles a atriz e apresentadora Regina Casé, pretende buscar os Estados que podem oferecer maior agilidade para a realização do sonho.

A casa vai ficar animada. Rachel já é mãe de Sarah Maria, de 6 anos. A menina esperta, que se divertiu naquela tarde de entrevista em sua sala bancando a assistente do fotógrafo com o rebatedor de luz, tem na mãe um grande exemplo. É nela que se inspira na hora de comer de forma mais saudável e até de se posicionar no mundo.

Leia também:
15 joias para presentear no Dia das Mães
Sheron Menezzes fala sobre ser mãe de primeira viagem

“Deixo claro que ela é uma minirrepresentante da diversidade dentro de uma sala de aula em que é a única parda, a única de cabelo crespo. É muito importante dar essa autoconfiança. ‘Você é única, isso é lindo, mas é maravilhoso para seus amigos terem essa representatividade dentro da classe. Você não pode ficar com vergonha quando apontarem para você e disserem que é diferente. Isso não deve te trazer vergonha, pelo contrário, isso deve te enaltecer.’ São falas diárias”, conta.

Da mesma maneira, ela não esconde e nem tenta disfarçar da filha algumas cenas de preconceito, como a vez em que estavam saindo de carro juntas do condomínio onde moram, em São Paulo, e Rachel foi interpelada por alguém questionando o que fazia num carrão. “Tem de ser escancarado para ela. Aconteceu, é verdade, e vai acontecer outras vezes. Só que você tem de se fortalecer. Não é você que está errada, é ele que está errado, que tem dificuldade de entender a diversidade.”

Aos 47 anos, a executiva tem energia de sobra para cuidar sozinha de mais uma criança – ela é mãe solteira de Sarah, mas tem a ajuda do pai da menina – e quer colocar em prática outras metas pessoais. Entre elas, se exercitar mais e mudar o seu “estado de solteira”. “Aprendi, na maturidade, que preciso compartilhar, e compartilhar com um parceiro é muito bom. Adoro namorar.”

Do alto de seu 1,83m, mais o salto alto de que não abre mão, conta que é vaidosa e gosta de estar sempre bem. Prova disso são suas fiéis escudeiras, a maquiadora Camila White e a visagista Solange Dias, que trabalhou com Naomi Campbell.

Se os alvos na vida pessoal estão definidos, o lado profissional está aberto a novas possibilidades. Enquanto estuda todas elas, Rachel revela que pretende voltar a fazer parte de uma corporação. “Tenho prazer de aprender, de estudar o histórico de uma empresa, quero saber o que posso agregar. Meu toque especial é olhar aquilo que pode ser o mesmo e fazer diferente. Tenho sede de aprimorar sempre.”

E se ocupa com o programa Capacita-me, projeto idealizado por ela com o Senac, que, em abril, formou a primeira turma de 38 alunos carentes para ingressar no mercado varejista; e com palestras, que sempre deu, para até 10 mil pessoas.

Boa comunicadora, toparia ter um programa de TV? “As pessoas estão carentes de heróis. De repente, ser uma representante da diversidade pode me colocar nesse papel. Não estou completamente fechada, mas sei que ainda tenho vida dentro do universo corporativo. Who knows?”, brinca com a possibilidade de ser comparada a Oprah.

E por falar nela, a apresentadora e empresária americana pode fazer parte do aparador real de Rachel em breve. Amigos estão se mobilizando para marcar um encontro entre essas duas grandes mulheres.