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24 horas com Dudu Bertholini

O stylist e estilista conta um dia de filmagem do longa Baleia (Verlust), no Uruguai, e faz um paralelo com sua rotina paulistana

by Guilherme Rodrigues
Foto: Divulgação

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Em depoimento a Luciana Franca

11h Acordei em José Ignacio, no Uruguai. É uma praia que bomba na temporada, mas, como agora é inverno, vira uma cidade fantasma. Assino o figurino de um longa-metragem que está sendo rodado aqui, o Baleia (Verlust), do diretor Esmir Filho, que é incrível. Levantei da cama rápido, abri a janela e voltei para a cama. Fiz isso aqui, mas costumo fazer também na minha casa em São Paulo. Adoro ver a luz do dia, ficar embaixo da coberta e observar o dia começar. Não dura muito, mas é um momento maravilhoso, que eu adoro.

11h30 Pedi um café da manhã delicioso no quarto, estou hospedado no hotel La Viuda de José Ignacio, e o Javier, maître daqui, sempre prepara um café superespecial com alguns pecadinhos, como doce de leite. Adoro um docinho de manhã. Fiquei olhando pela janela essa paisagem de inverno, com chuva e vento, que tem algo de melancólico, bucólico, mas muito lindo. Se estou em São Paulo, vou à padaria Aracajú e peço ovos – mexidos, fritos ou omelete – e um suco de tangerina ou de melancia com gengibre. Quando não tenho de acordar muito cedo ou não estou viajando, costumo levantar entre 11h e 11h30. Prefiro dormir até mais tarde porque rendo mais à noite, gosto de ficar acordado até tarde, fico mais desperto, não é à toa que coruja é meu animal preferido. Tenho mais de mil imagens da ave na entrada de casa. De manhã, costumo ficar sozinho, é um período mais contemplativo. Alterno fases em relação a exercícios físicos, tem épocas que vou à academia todos os dias e há outras que não vou nunca. Confesso que agora estou num momento ocioso. Estou começando a praticar mindfulness com meu amigo e mentor Marcelo Maia. Tive as primeiras aulas e confesso que é um pouco difícil ainda porque sou superagitado, por isso preciso muito meditar e tenho praticado de manhã, quando desperto. 11h50 Enquanto tomo café, começo a trabalhar no quarto do hotel as questões no Brasil, despacho várias coisas por telefone e por WhatsApp.

Foto: Divulgação

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14h Almocei no hotel nhoque recheado de espinafre fatto a mano com suco de melancia. Fui até a locação com o motorista da produção. É curioso porque fico muito em trânsito e aprendi a otimizar meu tempo no trajeto. Desenvolvi uma técnica para dormir em banco de carro e de avião. Adoro, obviamente, falar no celular, postar foto e observar a cidade. Amo abaixar o vidro e ficar olhando as pessoas, as ruas, imaginar histórias, de onde as pessoas estão vindo, para onde vão. A gente é monopolizado pela tela do celular, então, é um bom exercício quando começamos a olhar o entorno, a observar, a prestar atenção nos outros.

16h Cheguei na base do figurino para montar e fazer um repasse das roupas que já estavam editadas do dia da filmagem e também antecipei algumas coisas das diárias seguintes. Passei 12 horas numa locação numa noturna, o trabalho é bastante intenso, mas foi um dia lindo de filmagem.

17h Os atores começaram a chegar no set. O filme é estrelado pela Andrea Beltrão e pela Marina Lima, que atua como atriz e assina a trilha. São duas parceiras maravilhosas, estou amando trabalhar com elas e também com o Ismael Caneppele, que escreveu o roteiro com o Esmir. Vestimos as personagens e fomos para a locação, que é uma casa maravilhosa do arquiteto chileno Mathias Klotz, a La Roca, uma locação superinspiradora. Ficamos enfurnados na casa até de madrugada.

22h Andrea Beltrão preparou para a gente no set, com todo amor, sanduíche natural de atum com azeitona. As diárias no set são pesadas, mas a gente aproveitou essa hora do jantar, foi ótimo. Em São Paulo, normalmente, não tenho rotina e nem hora para chegar em casa. Mas o que eu gosto de fazer no começo da noite, quando chego de meus compromissos, é fazer carinho nos meus gatos, o Socky, um vira-lata nova-iorquino encontrado na rua e que já mora no Brasil há mais de 10 anos, e o Tygra, que é um bengal, aquela raça que parece uma oncinha. Eles adoram que eu faça carinho. Tenho também o ritual de acender velas, gosto de luz indireta e de fazer esse ambiente na minha sala vermelha, que me faz sentir super em casa. Eu não cozinho. Moro em frente à praça Vilaboim, em Higienópolis, e costumo pedir comida japonesa de quatro restaurantes por perto. Também adoro receber os amigos em casa, tenho grandes amigos que são vizinhos de quarteirão, a maioria conheci na infância e na faculdade. Quando saio, gosto de dar uma escapada no Jerome, o club do Cacá Ribeiro.

5h Cheguei no hotel em José Ignacio no escuro e tinha um café da manhã me esperando antes de descansar. 5h30 Fui dormir com os raios de sol nascendo, vendo a paisagem de inverno, com os galhos secos, aprendi a ver beleza nisso. A gente tem sempre expectativa de estar num lugar com sol, no verão, e aprendi a apreciar os lugares da forma que são. Penso muito nisso e pensei antes de dormir. Desacelerar é uma questão para mim, é difícil, porque sou muito agitado. Em São Paulo, meu quarto é todo branco, todos os móveis, os lençóis, não tem nenhuma imagem, tudo isso favorece. Ana Bekoach, oração da cabala que pratico sempre, e meu Zohar na frente da minha cama ajudam a desacelerar. Mas, confesso, que é sempre um desafio.