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#ATWORK: Olhar fresco

Dona da Roman Road, em Londres, Marisa Bellani começou do zero e hoje é uma das expoentes da nova geração de galeristas

by redação bazaar
Marisa veste tricô Talie NK, saia Gucci e brincos Emporio Armani. Foto: Romulo Fialdini

Marisa veste tricô Talie NK, saia Gucci e brincos Emporio Armani. Foto: Romulo Fialdini

por Ana Ribeiro
A arte mostra o mundo para Marisa Bellani. E não de maneira metafísica.A arte é, concretamente, sua passagem para conhecer muitos lugares. Entre março e abril, esteve na China (Hong Kong), no Brasil (São Paulo, Inhotim e Rio), nos Estados Unidos (NovaYork) e na Itália (Veneza).A visita a São Paulo coincidiu com a SP-Arte, que proporcionou o que de melhor ela faz nas feiras. E, de resto, nas viagens todas: aumentar seu repertório, conhecer gente interessante, criar novas conexões.

A grande novidade era mesmo estar no Brasil pela primeira vez. Marisa tem 31 anos, jeito de 23, vive em Londres há nove e desde 2013 é dona da galeria Roman Road. Diferentemente da absoluta maioria dos jovens galeristas, a opção pela arte como negócio surgiu sem antecedentes familiares. Marisa nasceu na Bélgica, onde sua família atua no ramo de restaurantes. Foi estudar Direito, logo ela, cuja referência profissional era a movimentação de um salão cheio de gente. Se afligiu com a ideia de escolher uma profissão que a manteria grande parte do tempo dentro de um escritório.“Eu gostava de arte, mas também queria o barulho, a diversão. Se você misturar negócio e diversão, você tem o mundo das artes.”

Bolsa Tory Burch e sandálias Alexandre Birman. Foto: Romulo Fialdini

Bolsa Tory Burch e sandálias Alexandre Birman. Foto: Romulo Fialdini

Largou o Direito e escolheu um curso de especialização em indústria da arte, dividido em duas etapas: um ano de estudo em Paris, um ano em Londres. Desde o início, estabeleceu que Paris seria uma escala e Londres,o seu destino final.Apareceu a oportunidade de comprar um imóvel interessante no East End londrino, um galpão acoplado a uma loja da época vitoriana. Decidiu ocupar os dois: o galpão virou sua casa; a loja, sua gaeria.“Atravesso um corredor para chegar ao trabalho”, ri ela. “Comecei com o espaço, mas não tinha os artistas e nem os colecionadores. Sempre gostei de arte, comprava alguma coisa para mim mesma, cheguei a compor o comitê de aquisições da Tate Modern.Tinha alguns contatos, mas abri a galeria sem nenhum plano de negócio. O espaço estava lá e eu pensei: ‘Não vou ter de pagar aluguel, o que pode dar errado?’”.

Óculos Jimmy Choo na Safilo e bolsa Emilio Pucci. Foto: Romulo Fialdini

Óculos Jimmy Choo na Safilo e bolsa Emilio Pucci. Foto: Romulo Fialdini

Aos poucos aconteceu a primeira exposição, depois vieram a segunda e a terceira. Foi formando sua carteira de clientes, entre colecionadores estabelecidos e jovens interessados em adquirir as primeiras obras. Os artistas com quem trabalha também são representantes de gerações diversas, como a feminista polonesa Natalia L L, de 80 anos, e a francesa Alix Marie, de 28, recém-saída do Royal College of Art, de Londres. O ano passado, conta ela, foi um desafio.A galeria deu um salto de importância que trouxe custos adicionais.

Mas as vendas aumentaram também.“Acho que tive sucesso em colocar a galeria e alguns dos meus artistas no mapa”, revela.“Estou bem feliz, 2017 será decisivo para a galeria.Quero chegar ao fim do ano e olhar para os resultados obtidos para ver se estava certa.” Enquanto isso, ela quer se divertir e aprender pelo caminho.

Styling: Rafaella Spiniella e Mauricio Olive
Beleza: André Mattos (AMUSE-MENT)