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Cabeça feita

Com chapéus e arranjos criados a quatro mãos com Maria-Grazia Chiuri, Stephen Jones comemora 20 anos de parceria com a Christian Dior

by Guilherme Rodrigues

Por Silvana Holzsmeister

Dior por Maria-Grazia Chiuri. Foto: Divulgação

Dior por Maria-Grazia Chiuri. Foto: Divulgação

SEMPRE QUE o britânico Stephen Jones sobe a escadaria cinza da Dior, no número 30 da Avenida Montaigne, depara com as fotos de Marlene Dietrich e Ava Gardner sentadas nos mesmos de- graus que percorre. “Esse é um momento muito mágico para mim”, conta o milliner que, há 20 anos, assina os chapéus e arranjos de cabeça da maison francesa. E, desde que Maria-Grazia Chiuri assumiu a direção da marca, o chapeleiro tem marcado presença em todas as coleções com modelos que podem ir direto para uma produção descolada de street style.

A parceria de estreia entre os dois rendeu a viseira que arrematou os looks inspirados na esgrima e no movimento feminista. Outras cinco colaborações já circularam pelas passarelas, incluindo a versão do chapéu de feltro masculino – inspirado por exploradoras, como a escritora francesa Freya Stark –, que foi parar na couture recém-desfilada. E é inegável o sucesso das boinas pretas de couro de cordeiro do próximo inverno, que viraram desejo imediato de fashionistas ao redor do mundo – entre as celebridades, a modelo Winnie Harlow e a cantora Rihanna já circularam usando as suas.

“Nós realmente construímos algo juntos, que, individualmente, poderíamos não ter pensado”, diz ele, pontuando a dinâmica de criação a quatro mãos com a diretora criativa.A pegada fácil de usar dos modelos tem contribuído para impulsionar o revival dos chapéus no visual urbano. “Absolutamente creio nisso”, festeja Jones, acrescentando que Maria Grazia acredita que, além de evocar momentos divertidos, o acessório pontua o olhar. O resultado deixa, mesmo, o visual feminino bem interessante.

Contemporânea – sem nenhum traço de naftalina –, a união de talentos rendeu, também, as máscaras e tiaras de flores e plumas da alta-costura verão 2017. Extraordinárias e com charme de conto de fadas, os arranjos de cabeça foram inspirados na paixão de Christian Dior pelo impressionismo de Renoir e Van Gogh. “Na alta-costura, a roupa se opõe ao chapéu, enquanto no prêt-à-porter, a ideia é criar um visual”, explica Jones.

Essa imagem de sonho está bem próxima de outros grandes momentos que marcam sua trajetória no posto de chapeleiro da Dior. Ele conta que o mais impactante foi a coleção de chapéus com animais empalhados do desfile que comemorou os 60 anos da maison, realizado no Palácio deVersalhes. Outra ocasião cheia de significado foi seu primeiro trabalho para a marca.“Não foi coleção. Era novembro de 1996 quando criei os chapéus em comemoração a Santa Catarina, a padroeira dos costureiros e estilistas”, recorda. A data, uma tradição na moda parisiense, é festejada religiosamente pela Dior desde 1947. Não à toa, Jones se emociona, até hoje, com a atmosfera mágica da maison

MESTRE CHAPELEIRO

Stephen Jones comemora a bem-sucedida carreira com biografia. Foto: Divulgação

Stephen Jones comemora a bem-sucedida carreira com biografia. Foto: Divulgação

Stephen Jones não havia sido aceito ainda na sala de millinery na Central Saint Martins quando criou seu primeiro chapéu.“Foi feito com a blusa da minha irmã, um pacote de flocos de milho, cola e alguns cra- vos de plástico”, conta o chapeleiro à Bazaar. Nos anos 80, sua loja em Covent Garden atraía a atenção de Boy George a Diana, princesa de Gales.

O sucesso começou a bater em sua porta em 1984, quando ele criou, para Jean Paul Gaultier, uma máscara chamada Mystère. Estas são algumas das muitas histórias que recheiam a biografia que comemora quatro décadas de profissão e seu aniversário de 60 anos – Stephen Jones: Souvenirs, escrita por Susannah Frankel e lançada no final do ano passado pela Rizzoli (US$ 175). Jones acompanhou tudo de perto, do conceito à seleção das imagens – boa parte delas de seu acervo pessoal – e também escreveu alegendas.“Estou muito orgulhoso do que fiz, mas há muito mais a fazer.”