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No Dia da Mulher, Nike inaugura projeto e convida mulheres revolucionárias

A Bazaar entrega também uma entrevista com a Juliana Luna

by Guilherme Rodrigues

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Em março, a Nike comemora o Air Max Day, dedicado a um dos tênis mais icônicos da marca, que completa 30 anos no dia 26/03. Para a ocasião, a label montou em São Paulo a Casa Air Max, que abre as portas com diversas ativações para o público em todos os finais de semana do mês! E especialmente no dia das mulheres, importantes figuras revolucionárias participam da inauguração oficial do projeto. Abaixo, você confere uma entrevista com a brasileira Juliana Luna, uma das convidadas para o evento.

Nascida em Duque de Caxias, Luna possui uma extensa trajetória de luta pelos direitos sociais. Já viveu em países como Chile, Peru, Bolívia, Nova York e Roma. Considerada uma das 10 personalidades mais influentes do Instagram, a brasileira atua mundialmente pelos direitos da mulher e o combate ao racismo. Além disso, utiliza sua experiência para se expressar através da confecção de turbantes.

Como você observa sua atuação atualmente?
Eu sou uma ponte meio que cultural entre Brasil, a Nigéria, também trabalho muito em Nova York, faço muitas coisas relacionadas a identidade nos Estados Unidos. E trabalho como comunicadora. Eu não sou jornalista, porque eu não fui para a faculdade para fazer isso, mas eu mando conteúdo para uma revista feminista chamada AzMina, e é uma das maiores revistas feministas do Brasil hoje em dia.

Se você pudesse traduzir em uma única palavra sua jornada até agora, qual seria?
Surrender. É, me render. É uma expressão, na verdade. Porque realmente eu não tenho palavras para descrever o quão minha experiência é diversa, e não diversa no sentido de pessoas. Cada dia é uma surpresa diferente. Então eu vou me rendendo, eu vou cada vez mais relaxando na jornada, porque eu entendi que não sou eu mais guiando nada, eu só estou ali ‘enjoying the trip’.

Se você fosse dizer que a Luna tem uma missão no mundo, qual seria?

A Luna só quer existir com paz e tranquilidade.  minha missão é que eu consiga existir além das fronteiras culturais, sociais. Esse meu movimento global é uma tentativa minha de me libertar um pouco desses conceitos como o grupo da mulher negra brasileira. Para todas as caixinhas, o heterossexual, bissexual, homossexual, tudo isso acaba deixando a gente em um lugar… Eu quero transcender esses lugares que me limitam, eu quero existir como uma cidadã que exerce a sua civilidade e que entende o seu environment, o que está ao seu redor, que sabe da sua responsabilidade e que usa isso como algo para si, sabe, para se empoderar, e, ao mesmo tempo, isso acaba empoderando o meio, sabe, é uma troca constante.

 

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Na situação das mulheres em geral, no mundo e no Brasil, você acha que melhorou de um tempo para cá?
Melhorou. Eu acho que a luta das feministas ao redor do mundo, a consciência que tem sido desperta ao redor, sabe, não só no Brasil, mas em vários lugares. É uma coisa muito global. Há melhoras, mas é lógico que não para por aí: a gente precisa cada vez mais estar atenta a esse movimento, porque a gente realmente está conseguindo progredir.

Como você enxerga quais seriam as maiores ameaças e os principais aliados da mulher para encontrar esse lugar, esse papel importante na sociedade?
Cara, ameaça, tipo, machismo, intolerância, racismo. E não é uma ameaça, como eu vou dizer, visível. É uma ameaça invisível, que te atinge quando você está sentada com o seu fone de ouvido tomando um café e você toma um soco no estômago porque alguém é racista contigo. Então, assim, para mim, as coisas que atrapalhariam seriam essas assim. E o que leva a gente a ver as coisas por um lado mais positivo é a nossa resposta, como a gente agora tem argumentos para combater esse tipo de situação. Se alguém é racista com você, você vai no banheiro, chama a garçonete e fala: pô, aquele cara ali tentou passar a mão na minha bunda, sabe. E eu acredito que você vai ter algum tipo de suporte na sociedade, pelo menos vai poder se pronunciar sobre certas coisas que você não poderia antes.

Umas das atividades que você realiza é a oficina de confecção de turbantes. Você poderia falar um pouco sobre ela?
Então, o turbante é um símbolo, um elemento que eu uso realmente para comunicar essa questão da identidade, de forma física, porque o meu trabalho é bastante subjetivo. Quando as pessoas me perguntam: “Juliana, o que você faz.” Eu digo: “ai…”. São tantas coisas combinadas. Então o turbante foi uma manifestação de algo. É um processo muito físico e acaba engajando as pessoas na ideia. E para mim, criatividade é libertadora. Então eu uso o turbante, que é um símbolo meu ancestral, de resistência de um povo. É um símbolo que conseguiu atravessar a opressão e sobreviveu num contexto de resistência, e eu uso para dizer para as pessoas: “você pode”.

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