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O estilo da monegasca que trocou as capitais do mundo por Rio de Janeiro

Lisa Debatty nasceu em Mônacris e escreve sobre mulheres e lugares interessantes do mundo no site Oui Simone

by Guilherme Rodrigues

por Marina Monzillo | foto Vicente de Paulo 

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POSSIVELMENTE A única monegasca a viver no Rio de Janeiro, Lisa Debatty recebeu, durante os Jogos Olímpicos de 2016, a missão, como attaché olympique, de organizar o jantar oficial do príncipe Albert II com a delegação de atletas do Principado de Mônaco. Ela, que vinha de uma experiência profissional de oito anos em uma agência de comunicação e eventos voltada para marcas de luxo em Paris, vibrou com a oportunidade e ainda pôde assistir a várias competições naquele momento em que o Rio cintilava para o mundo.

“No dia seguinte ao encerramento dos Jogos, a cidade era outra. Tudo fechou, muitos amigos estrangeiros começaram a ir embora. Fiquei pensando, será que vou também? Não há muito mercado de luxo no Rio. Foi um período de dúvida”, conta ela, que havia chegado ao Brasil um ano antes, acompanhando o namorado francês, Gaspard Voiseau, que veio abrir o Vya, delivery de comida saudável no eixo Rio–São Paulo.

Mas ela escolheu deixar a negatividade de lado, já que amava a cidade e considera incrível morar em um lugar “mais bonito que Paris”. “Percebi que, durante a Olimpíada, era difícil para os estrangeiros encontrar lugares bons para ir, com serviço de nível. Há muito mais para fazer do que praia e Cristo. E também há pessoas interessantes aqui, criativas, que me inspiram, e talvez inspirassem outros também. Ninguém de fora as conhece.” Surgiu, assim, o Oui Simone, um site de entrevistas com mulheres, cariocas ou não. Elas falam sobre os trabalhos originais que realizam, das relações com os lugares onde moram e de seus rituais de beleza. “Comecei com uma amiga, a estilista Raquel Alvarez, no sofá de casa, tomando vinho. Meu critério é manter sempre esse tom intimista das conversas”, conta ela, que também mergulha na concepção e produção de ensaios fotográficos para ilustrar os perfis.

O nome do projeto vem da palavra mais positiva que encontrou, “sim” em francês, e da escritora Simone de Beauvoir. “Demorei para perceber a sorte que tinha de ter crescido em uma família que trata homens e mulheres da mesma forma. Há machismo tanto aqui quanto na França, mas de formas diferentes”, avalia ela.
E, aos 33 anos, Lisa pode se proclamar uma conhecedora de diferentes culturas. Filha de um monegasco com uma su íça alemã, ela foi criada em Mônaco, onde boa parte da população é forasteira. Quando a escola terminou, meus amigos

italianos, franceses etc., voltaram para seus países, porque não há boa universidade lá. Dessa forma, fiquei com uma rede de amizades internacionais e, aos 18 anos, fui estudar em Londres e Paris.” Veio de um amigo francês o convite para passar férias no Rio. “Seis anos atrás, fiquei sem planos para o verão europeu. Meu amigo disse: ‘Vem, é o momento!’. Fiquei apaixonada, estava acostumada a viajar, mas não sei explicar o que senti pelo Rio.” De quebra, conheceu Gaspard no primeiro dia na cidade.
A chegada para morar no Rio também foi cheia de histórias memoráveis. “Faltava uma semana para o carnaval e meu namorado disse que iríamos ao ensaio da Portela com um amigo italiano e sua nova namorada, brasileira.”

A tal moça atendia pelo nome de Mariana Ximenes. “Eu, recém-chegada, não tinha ideia de quem ela era – inclusive, até hoje não tenho televisão em casa. Entramos na quadra da escola e todo mundo veio atrás da gente, guarda-costas da Portela nos acompanhavam. Pensei: ‘Talvez seja porque somos gringos’”, ri Lisa. Mariana chamou a gringa para subir ao palco e aprender a sambar. Na volta, ainda parou no Baile Charme, em Madureira. “Ela disse que eu iria adorar. Quando entramos, virou a maior bagunça. Foi ali que entendi que ela era famosa.” As duas viraram amigas, e a atriz é a próxima personagem do Oui Simone.

Da fase francesa, Lisa ainda mantém a paixão por cosméticos – máscara de cílios Lancôme, corretivo Glossier, pó Guerlain, batom líquido matte Sephora, hidratante Embryolisse e sérum Glossier com ácido hialurônico, entre outros – e pelas camisas navy da histórica marca bretã Saint James. Nestes anos cariocas, aprendeu a usar mais cores, a comer açaí “até manchar os dentes” e a abrir a janela de manhã e dar de cara com o Jardim Botânico. “Meu dia perfeito é tomar café da manhã com croissant e pain au chocolat no La Bicyclette, nadar na piscina em meio à floresta do Clube dos Macacos e terminar a noite no Jojo Bistrô ou em uma festa no centro, como a Croma, a Selvagem ou a Novo Romance.”