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Vintage mania: nessa estação, o novo tem cara de antigo

Misturar o atual com o que parece vintage é o caminho para fugir da obviedade

by Guilherme Rodrigues
Foto: divulgação

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Por Luigi Torre

Moda é, essencialmente, sobre o novo, nós sabemos. Mas, nesta estação, o novo tem cara de antigo. Na linguagem fashion, o novo é vintage. Ou, pelo menos, com aparência de tal. Estamos falando das várias rendas, bordados, estampas, jacquards, tricôs e mais uma gama de tecidos e acessórios que mais parecem herdados de geração em geração do que criados por algumas das mentes mais brilhantes da indústria.

“É a ilusão do vintage”, disse Alessandro Michele, após seu desfile de verão 2016 para Gucci, em Milão. É ele um dos responsáveis por projetar nossos guarda-roupas numa viagem romântica pelo túnel do tempo. Anos 1970, elementos vitorianos, Renascença, anos 1990 e joias medievais são apenas alguns dos pontos de referência comumente presentes em suas coleções. E, agora, em muitas outras também.

Fotos: divulgação

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Marc Jacobs, por exemplo, misturou o glamour de Hollywood dos anos 1940 com a atitude irreverente do grunge, e ainda encontrou caminho para incorporar elementos do faroeste americano e de uniformes colegiais, popular nos anos 1980. Dries Van Noten, Prada, Miu Miu e Saint Laurent também reinterpretaram alguns hits vintages presentes em nossas listas de desejos: as blusas com laços dos anos 1930, as saias godês dos 1950, o terno 40’s, os brocados 60’s, o vestido boho do 1970 e o veludo e o tule tão marcantes da década de 1980.

Nas coleções nacionais para o inverno 2016, o passado também volta ao presente. Na Iodice, rendas, camisas com babados e vestidos mídi falavam de um romantismo 70’s, enquanto a cintura marcada de Reinaldo Lourenço e sua interpretação sobre os trajes de luto e das domingueiras portuguesas olham para o meio do século 20. Alexandre Herchcovitch, por sua vez, se inspira nas camisolas do século 18 e 19 para criar algumas das peças mais cobiçadas da temporada, e Gloria Coelho também mistura décadas distintas em busca de modernidade – ou ao menos relevância em tempos tão inconstantes. Quando tudo muda em ritmo alucinante, quando nossos mais novos gadgets (e não só eles) se tornam obsoletos em questão de meses ou dias até, começamos a desejar um pouco mais de constância. Ou, ao menos, algo que pareça carregar alguma história, alguma vivência e não se pareça com um produto industrializado e rapidamente descartável. A atual obsessão pelo passado também pede peças mais trabalhadas, tecidos de qualidade e acabamento primoroso – características de difícil reprodução em larga escala e que se alinham aos valores mais conscientes que começam a se popularizar.

Foto: divulgação

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A tendência, contudo, requer alguns cuidados. As roupas de agora são moldadas para o século 21, é verdade, mas em muito se assemelham àquelas de outrora. Daí a necessidade de combinar as peças de ares retrô com algo mais moderno. O vintage dos pés à cabeça vira figurino. O hi-low é muito bem-vindo. Combinações com jeans (os vintages estão super em alta) também dão conta do recado. O importante é a mistura. Afinal, a moda de hoje é mais sobre soma do que subtração, como as passarelas já deixam claro.