Por Otávio Tronco
São Paulo não é uma das cidades mais fiéis. Se por um lado bons lugares fecham em pouco tempo, com a mesma velocidade novas casas tentam fincar raízes nessa cena tão concorrida. Em um cenário tão volátil, com falências e inaugurações constantes de novos bares, alguns bons lugares recém-abertos com mixologistas estrelados merecem destaque na capital paulista.
Dentro dessa nova leva, o chef Oscar Bosch, nome por trás do Nit Bar e do restaurante Cala Del Tanit, abriu o Bodega Pepito, bar de influencias ibéricas em Pinheiros, na zona oeste paulistana. Outra boa estreia, em frente ao restaurante Ping Yang e a poucos passos do Le Jazz, na Rua Doutor Melo Alves, nos Jardins, o P’Lek oferece drinques e gastronomia com inspirações orientais.
Já mirando um bairro up-and-coming, o renomado bartender Alê D’Agostino, abriu na Vila Buarque o Coda, casa que quer atrair os clientes que buscam um coquetel clássico executado com precisão, mas que também oferece algumas novas criações de D’Agostino. Ainda pela região central, o Iccarus ocupa quase um andar inteiro com vista panorâmica da cidade no edifício Mirante do Vale.
Conheça seis novos bares que valem a visita.
Bodega Pepito

Foto: Rodolfo Regini
Não há um dia vazio. Os clientes que querem conhecer a casa vão encontrar o bar cheio de terça a domingo, um sinal de sucesso para Oscar Bosch, que abriu o Bodega Pepito há cerca de um mês. O chef descreve sua cozinha como “inquieta” e há uma nítida referência ibérica nos pratos que serve ali. No cardápio, um destaque é o Pan Tomaca com fatias de wagyu e um espetinho de polvo com panceta, ambos besuntados com gochujang, uma pasta de pimenta asiática, que é o toque do chef. Do bar saem coquetéis clássicos como o boulevardier, a tradicional mistura de bourbon, Campari e vermute tinto.
Rua dos Pinheiros, 320, Pinheiros
P’Lek

Foto: Keiny Andrade
O nome vem de um duplo sentido. Se numa leitura em português “pileque” significa uma bebedeira, para o tailandês é “dona Lek”, segundo um dos donos, uma homenagem à cozinheira Lek, que comandava um bar frequentado por ele em Bancoc, a capital tailandesa. Nomes à parte, parece outro caso de sucesso entre os recém-abertos na cidade. Em qualquer dia da semana o P’Lek está debulhando de clientes. Parte dos louros vem de Maurício Santi, chef de cozinha, e João Piccolo, chef do bar — ambos trouxeram influências asiáticas para a nova casa. Vale pedir o Bambonis, um misto dos clássicos Bamboo com Adonis, que leva jerez fino e oloroso com vermute seco e tinto. Já entre os petiscos, não saia sem experimentar o crudo de frutos do mar da casa, com molho nahm jim taleh, bastante herbal e picante, e os tradicionais torresmos de frango que chegam crocantes à mesa.
Rua Dr. Melo Alves, 762, Jardins
Coda

Foto: Karim Rojas
Alê D’Agostino volta à cena etílica paulistana anos após encerrar o aclamado ApothekCocktails & Co. No Coda, novo bar localizado num casarão na Vila Buarque, D’Agostino retorna ao auge do Apothek. Os drinques são excelentes, tanto os autorais como sua releitura de negroni, o Negroni Floral, que leva tequila, saquê, vermute branco, Cocchi Rosa (um tipo de vinho italiano aromatizado) e licor Luxardo, quanto os clássicos como o Adonis, à base de jereze vermute, e como o dry martini da casa, o mais vendido do bar segundo o mixologista. Dentre os pratos há opções mais tradicionais, como a burrata com molho romesco, à base de pimentões assados e castanhas, até mais autorais como o sanduíche de crudo de atum no pão brioche, os pratos acompanham a excelência das bebidas.
Rua Barão de Tatuí, 223, Vila Buarque
Lita

Foto: Estúdio Mió
Aproveitando o sucesso do Nelita, restaurante que já figurou entre os 50 melhores do 50 Best, o sommelier Danyel Steinle e a chef Tássia Magalhães abriram o Lita, um bar de vinhos em Pinheiros. O bar oferece 20 opções de taça, que mudam quinzenalmente, além de tornar possível o compartilhamento de garrafas entre mesas e ainda vender um vermute que sai direto da torneira para o copo do cliente. No cardápio, o bar serve as massas já famosas do Nelita, mas vale um destaque para as sobremesas, como o bolo de azeite e jabuticaba. O sabor compensa todas as calorias.
Rua Ferreira de Araújo, 333, Pinheiros
Palermo

Foto: Raul da Mota
A nova casa dos donos do Guilhotina, famoso bar de Pinheiros, ganhou o protagonismoenquanto sua alma mater passa por uma reforma pré-reinauguração programada para o primeiro semestre desse ano. Na carta de bebidas, clássicos do Guilhotina como o Jambu Sour, que mescla cachaça branca à de jambu com limão, vermute branco e um toque de Campari, se misturam a novos drinques, como o Palermo Spritz, que mescla tequila com limoncello ao espumante característico desse tipo de drinque. O bar também oferece bons pratos que primam pela qualidade dos ingredientes, o Crudo di Tonno é feito com atum e tomates super frescos, e o Polpo Bollito junta polvo cozido com batatas assadas no azeite, ambas as porções são bastante generosas levando em comparação a concorrência em São Paulo.
Rua Sebastião Gil, 14, Pinheiros
Iccarus

Foto: Marcos Bacon
Um misto de restaurante, bar e boate ocupa um andar inteiro num dos últimos pisos do edifício Mirante do Vale, no centro de São Paulo. Detratores podem argumentar que se trata de mais um bar com vista para uma infinidade de prédios com as montanhas da serra ao fundo, mas é o que é, e não deixa de ter seu charme. A casa oferece pratos, petiscos, drinques e garrafas de vinhos, além de uma pista de dança com DJs que mudam de acordo com o tema da noite. Tudo embalado em muito neon e poltronas de veludo talhados para vídeos em redes sociais.
Praça Pedro Lessa, 110, 43º andar, centro

