
Dois anos após sua partida, o legado de Rita Lee sera homenageado na Marquês de Sapucaí em forma de samba pela Mocidade Independente de Padre Miguel – Foto: Guilherme Samora
A Mocidade Independente de Padre Miguel leva para a avenida o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, celebrando a artista que transformou comportamento em arte e fez da autenticidade sua maior bandeira. Ícone do rock brasileiro, Rita Lee é uma das artistas mais influentes da música brasileira e construiu um legado que atravessa gerações.
Para falar sobre essa homenagem e sobre a dimensão desse legado, conversamos com Guilherme Samora, jornalista e um dos principais guardiões da memória da cantora. Ele trabalhou diretamente com Rita na construção de sua autobiografia e acompanha de perto os desdobramentos de sua obra. Na entrevista, relembra bastidores, comenta o enredo da Mocidade e reflete sobre o que essa celebração revela ao público sobre a artista que se tornou símbolo de liberdade no Brasil.A Mocidade Independente de Padre Miguel leva para a avenida o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, celebrando a artista que transformou comportamento em arte e fez da autenticidade sua maior bandeira. Ícone do rock brasileiro, Rita Lee é uma das artistas mais influentes da música brasileira e construiu um legado que atravessa gerações.
Para falar sobre essa homenagem e sobre a dimensão desse legado, conversamos com Guilherme Samora, jornalista e um dos principais guardiões da memória da cantora. Ele trabalhou diretamente com Rita na construção de sua autobiografia e acompanha de perto os desdobramentos de sua obra. Na entrevista, relembra bastidores, comenta o enredo da Mocidade e reflete sobre o que essa celebração revela ao público sobre a artista que se tornou símbolo de liberdade no Brasil.

A liberdade de Rita Lee vira enredo na Sapucaí – Foto: Reprodução/Instagram @mocidadeoficial
HARPER’S BAZAAR BRASIL – Quando a escola começou a estruturar essa homenagem, qual foi a primeira decisão que você considerou inegociável para que a essência de Rita estivesse realmente representada?
GUILHERME SAMORA – Desde o início, a preocupação era que tudo fosse muito fiel ao que a Rita representa e acredita. Tanto que a primeira condição para a Mocidade foi que não houvesse materiais frutos de maus-tratos contra animais, como penas e plumas naturais. Afinal, a grande causa da Rita sempre foi a causa animal. E eles aceitaram.
HBB – Houve algum detalhe na construção do enredo ou dos figurinos que tenha te emocionado de forma especial?
GS – Eu amo que eles tenham seguido a liberdade como tema condutor do desfile. Rita representa e sempre representará o espírito livre. Inclusive, o tema escolhido pela escola, “Padroeira da Liberdade”, surgiu na última entrevista da Rita, em 2022, que fiz com ela para a capa da revista Rolling Stone.
HBB – Qual era o sentimento da Rita em relação ao Carnaval? Como era a relação dela com essa festa?
GS – Além de ser nossa estrela maior, Rita é tropicalista demais. A mistura de ritmos e influências em seu rock a torna única. Tanto que ela tem um gênero musical só dela: o rockarnaval. Com seu eterno parceiro, Roberto de Carvalho, criou hits misturando rock e marchinhas de Carnaval. “Chega Mais”, “Lança Perfume”, “Banho de Espuma”, “Pega Rapaz”… Todas são rockarnavais. Para você ter uma ideia, há 11 anos o Ritaleena, bloco de Carnaval em São Paulo, arrasta uma multidão tocando apenas músicas dela.

Rita Lee segue sendo uma das artistas mais influentes da música brasileira e construiu um legado que atravessa gerações – Foto: Guilherme Samora
HBB – O que as pessoas ainda não compreenderam sobre Rita Lee e que você acredita que essa homenagem pode finalmente revelar ao grande público?
GS – A Rita tem uma riqueza enorme na maneira de se expressar, nas músicas e nos livros. As canções dela, além de geniais, são tão atuais que parecem ter sido feitas hoje. Eu sempre brincava dizendo que ela passeava em uma máquina do tempo e compunha coisas que a gente só iria entender anos depois. Estamos sempre aprendendo com ela, sempre sendo surpreendidos. Essa renovação constante de público, com cada vez mais jovens descobrindo e se inspirando nela, prova o quanto ela é eterna. Acho isso muito bonito.
HBB – Depois de tudo o que foi vivido desde a partida dela, qual é o maior aprendizado que você guarda hoje e que acredita que ela gostaria que permanecesse vivo por meio dessa celebração?
GS – Uma vez perguntei à Rita o que mais tinha ficado de tudo o que viveu como artista. Ela respondeu que foram as pessoas que diziam que, graças a ela, entenderam que está tudo bem ser diferente, ser “esquisito”, e que o mais importante é ter a liberdade de ser quem você é de verdade. Acho que isso permanece vivo por meio do trabalho dela e do carinho dos fãs. Por isso considero o tema da Mocidade tão acertado para homenageá-la.

