
Foto: Reprodução/Instagram/@maxmara
Diferente de Paris, Nova York, Londres e São Paulo, Milão mantém um olhar apurado para os detalhes e para tendências com maior potencial comercial, mas sempre com sofisticação e precisão nos itens de desejo. A cidade dita movimentos não apenas no vestuário, mas também em acessórios, styling e beleza.
Nesta temporada, alguns códigos surgiram como verdadeiros alertas de tendência. Elementos vistos nas passarelas devem impactar magazines, influenciar o street style e orientar o consumo nos próximos meses.
Modern Tailoring
A alfaiataria ganhou força no período pós-pandemia, quando o cansaço do excesso de informalidade abriu espaço para um retorno ao vestir estruturado. Tornou-se também um investimento seguro em meio às instabilidades econômicas, reforçando a ideia de um guarda-roupa mais atemporal. Após duas temporadas de presença mais tímida, ela retorna com consistência no ready-to-wear de Milão 2026, agora menos clássica e mais experimental. No desfile de Giorgio Armani, a tradição da casa apareceu ao lado de cortes mais secos, assimetrias e novas propostas de modelagem.
Na Bottega Veneta, Louise Trotter partiu da própria cidade como referência. O brutalismo milanês e a sensualidade contida da arquitetura resultaram em uma alfaiataria esculpida, de linhas curvas e construção gradual, equilibrando sobriedade cromática com pontos de cor em vestidos texturizados. A proposta também esteve presente em desfiles como Elisabetta Franchi, Max Mara e na leitura irônica da Moschino.
Cor Merlot
Batizada como Merlot pela Pantone, a tonalidade apareceu com força nas passarelas. Um vinho profundo de fundo amarronzado, entre o bordô fechado e o vermelho queimado, menos vibrante que o vermelho clássico e mais denso que o marsala.
A cor transmite elegância e maturidade, funcionando especialmente bem em veludo, couro e alfaiataria de inverno. Foi vista nas coleções de Giorgio Armani, Prada e Max Mara, reforçando uma paleta mais sóbria para a estação.
Electric Colors
Em contraste com a atmosfera mais contida, surgiram cores elétricas e quase neon. A MSGM apresentou verde ácido, rosa chiclete, vermelho e laranja vibrantes. Na coleção de Giuseppe Di Morabitto, lilás e azul piscina apareceram em versões mais suaves, enquanto a Diesel reforçou o uso de tons intensos como ponto de ruptura dentro de uma temporada predominantemente escura.
Rendas
A sensualidade foi outro eixo forte da edição. Na Dolce & Gabbana, que celebra 40 anos de trajetória de Domenico Dolce e Stefano Gabbana, o preto e as rendas reafirmaram a identidade da marca. A dramaticidade do sul italiano e o jogo entre revelar e esconder continuam como parte central da narrativa.
Na Roberto Cavalli, sob direção de Fausto Puglisi, a renda surgiu de forma menos previsível, combinada a penas e estampas, propondo um diálogo entre hedonismo e pragmatismo.
Sobriedade
Uma atmosfera mais contida atravessou a maior parte da semana. Predominaram cores frias e escuras, casacos longos, golas altas e silhuetas que pouco revelavam o corpo.
Na beleza, maquiagem mais escura e cabelos naturais, levemente desalinhados. Mesmo os looks mais sensuais estavam ancorados no preto, enquanto as cores vibrantes funcionavam como respiro entre cinzas, marrons e tons profundos.
Florais
Os florais também marcaram presença, reforçando que o inverno milanês não se limita apenas à sobriedade. Apareceram em versões densas, muitas vezes sobre fundos escuros, mantendo o equilíbrio entre romantismo e rigor.



















