
Arquiteta e pesquisadora abriu a programação de talks da Casa Dexco, em São Paulo, com uma discussão sobre autoria, repertório e o uso de ferramentas generativas no processo de projeto. Foto: Divulgação
A inteligência artificial já entrou no vocabulário da arquitetura. A questão agora não é se ela vai participar do processo criativo, mas como. Foi a partir desse ponto que a arquiteta, designer computacional e pesquisadora Marcella Carone abriu a programação de morning talks da ARENA D3, dentro da D3 DEXCO Design Days, na Casa Dexco, em São Paulo.
Convidada pela plataforma Architecture Hunter, Marcella, que é mestre em Emergent Technologies and Design pela Architectural Association, em Londres, conduziu uma apresentação centrada nas mudanças que as tecnologias generativas começam a provocar no desenvolvimento de projetos. Professora convidada de pós-graduação na Universidade Presbiteriana Mackenzie e fundadora da M3C1, estúdio que atua na interseção entre arquitetura, urbanismo, design e tecnologia, ela colocou o foco naquilo que continua sendo decisivo: o repertório de quem projeta. “A inteligência artificial abre um campo enorme de experimentação para a arquitetura, mas o que orienta esse processo continua sendo o repertório do arquiteto”, afirmou.
Ao longo da conversa, Marcella mostrou como essas ferramentas já aparecem em diferentes etapas da prática arquitetônica, da produção de imagens e da experimentação formal até análises de processo e fabricação. O ponto central esteve menos no fascínio pela novidade e mais na necessidade de entender, de forma crítica, como esses sistemas operam e o que de fato entregam.
Entre os temas abordados estavam co-criação entre humano e máquina, autoria, confidencialidade de dados, viés algorítmico, estrutura de prompts e letramento digital. Em um cenário de transformação acelerada, a pesquisadora chamou atenção para a importância de dominar a tecnologia sem terceirizar a inteligência criativa. A máquina pode expandir caminhos, mas não substitui visão, contexto nem decisão.
A palestra também trouxe exemplos da própria trajetória acadêmica e profissional da arquiteta para mostrar como a inteligência artificial pode funcionar como ferramenta de investigação, sobretudo nas etapas iniciais de concepção e construção de linguagem visual. Nesse campo, a IA aparece como apoio para visualizar hipóteses, testar formas e abrir novas possibilidades de processo.

