
Quem nunca quis ter um closet igual de Cher Horowitz de Clueless? agora, esse sonho se tornou realidade. Foto: Criação via Inteligência Artificial
Quando Cher Horowitz, personagem interpretada por Alicia Silverstone em “As Patricinhas de Beverly Hills”, montou seu icônico look amarelo em um computador, a cabeça da juventude de 1995 explodiu. Seria possível que, em algum momento, uma máquina escolhesse looks bons e com a sua cara, literalmente? Desde então, apenas tentativas falhas do sonho fashionista – quase todas complicadas ou distantes demais da vida real. Só que, com a chegada da inteligência artificial, cedo ou tarde essa realidade mudaria. E, graças ao Doji, mudou.
Aplicativos de provador virtual ou styling digital até tentaram, mas não chegaram lá. Recentemente, uma nova plataforma parece ter dado fim à espera. Pipocou na internet o Doji, aplicativo de uma startup que recebeu investimento da Thrive Capital (também investidora da Skims, marca de loungewear de Kim Kardashian). Basta acessar o TikTok e buscar pelo aplicativo para encontrar diversos vídeos sobre a plataforma, além de comentários nas redes sociais de insiders da moda, como o designer Alexandre Pavão.
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Com um investimento de US$ 14 milhões, o que diferencia o aplicativo das tentativas anteriores é a criação de uma inteligência artificial própria, capaz de gerar uma versão digital do usuário a partir de seis selfies e duas fotos de corpo inteiro, tiradas dentro do próprio app. A promessa é criar avatares realistas para experimentar roupas de marcas de luxo, com uma aparência cada vez mais próxima da pessoa real.
O diferencial do aplicativo também está no fato de ele funcionar quase como uma rede social, onde é possível compartilhar looks e fazer combinações com amigos, além do objetivo principal da plataforma de disponibilizar itens para venda direto no app.
Para Romério Castro, diretor da Cascas Imagery, empresa de formulação de inteligência artificial para moda e publicidade, a novidade não chega a ser tão inédita assim, mas pode facilitar a experiência de compra: “Experimentar uma roupa no seu próprio corpo com IA pode ser um caminho interessante, porque os corpos são diferentes, os modelos são diferentes. Quando você se vê usando aquela peça, isso com certeza pode influenciar o poder e a decisão de compra”. Castro ainda aponta a facilidade de experimentar uma peça sem passar por todo o processo de logística.
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Só que, mesmo quando dá um gostinho de como é construir uma imagem de moda, o Doji para por aí. “Às vezes, a gente compra uma roupa porque quer viver uma situação com ela, tirar uma foto, usar em uma viagem, ocupar uma imagem específica. No Doji, você até se vê naquela roupa, mas não vive aquilo de fato. Você fica com vontade de ter a peça, mas continua sem poder usá-la”, pontua Jeferson Araújo, diretor do estúdio de produção em IA que leva seu nome.
Esse talvez, não seja o único problema. O entusiasta de moda Francisco Valente percebeu que, apesar da facilidade que proporciona, o aplicativo pode mexer diretamente com questões de disforia de imagem. “O app deforma seu corpo e rosto para você virar uma versão mais próxima de si automaticamente. Você não está experimentando a roupa, está experimentando uma versão editada de você mesmo usando a roupa. O sujeito que aparece ali não é você, é uma hipótese de você que o app julgou mais apresentável”, diz.
Com todas essas camadas, a ferramenta funciona também como experiência de diversão, expressão e compra, enquanto aponta para um avanço dentro da tecnologia pensada para moda.
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