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Do encontro entre dermatologia e wellness, nasce uma nova forma de cuidar da pele: uma abordagem que integra saúde, estilo de vida e estética, defendida pela dermatologista Ingrid Campos, da clínica Núcleo G.A. A médica lembra que, durante anos, o cuidado da pele esteve centrado no tratamento de queixas específicas, como acne, manchas ou rugas. Esse modelo, embora eficaz em muitos casos, nem sempre traz resultados duradouros. Como observa a doutora Ingrid, “tratar apenas a pele, de forma isolada, não resolvia os problemas de forma duradoura”. Segundo ela, muitas condições têm origem em fatores como estresse, sono inadequado, alimentação e alterações hormonais.
É nesse contexto que surge o conceito de DermaWellness®️, que propõe uma visão mais ampla do cuidado dermatológico. “Na prática, DermaWellness®️ é estética, saúde e estilo de vida ao mesmo tempo, mas de forma integrada e indivisível”, afirma. O cuidado inclui não apenas procedimentos em consultório, mas também orientações sobre hábitos diários, como alimentação, atividade física, sono e manejo do estresse.
Um dos pontos centrais dessa visão é a saúde intestinal. No método, ela aparece como um dos pilares porque está diretamente relacionada à inflamação do organismo e, consequentemente, à qualidade da pele. Desequilíbrios intestinais podem interferir na absorção de nutrientes, na resposta imunológica e em processos inflamatórios que se refletem na pele. Por isso, a investigação do intestino integra a avaliação dermatológica.
O método é estruturado em sete pilares que orientam o atendimento e o acompanhamento dos pacientes. Inclui tratamentos realizados em consultório, com foco em tecnologias e medicina regenerativa, uma rotina de cuidados em casa mais simples e personalizada, o incentivo à prática de atividade física, orientação alimentar, atenção à saúde intestinal, investigação da qualidade do sono e manejo do estresse e da saúde emocional. Esses elementos são trabalhados de forma integrada, sem hierarquia entre eles.
Essa mudança também se reflete na forma como a beleza é percebida. Em vez de intervenções mais marcadas, há uma busca por resultados mais naturais. “A beleza hoje é sobre manutenção da saúde, vitalidade e identidade natural”, diz a dermatologista.Segundo ela, cresce o número de pacientes que preferem evitar excessos e priorizar resultados progressivos.
Outro aspecto importante é o papel do paciente. O cuidado deixa de ser restrito ao consultório e passa a depender da participação ativa no dia a dia. “O autocuidado consciente é uma filosofia de vida”, afirma. Isso inclui desde práticas básicas até a construção de uma rotina consistente.
Esse movimento acompanha uma mudança no perfil dos pacientes, que buscam abordagens mais completas. “As pessoas estão cansadas de resultados artificiais ou temporários e buscam uma abordagem que trate o organismo como um todo”.
Na prática, o consultório também se transforma. Além dos procedimentos, passa a incorporar uma visão mais integrada, combinando tratamentos com acompanhamento de outros aspectos da saúde. O objetivo, segundo a médica, é outro: “o foco é estimular a fisiologia da pele e criar hábitos sustentáveis, não ‘corrigir’ tudo de uma vez”.
Para Ingrid Campos, essa mudança deve se consolidar nos próximos anos. “A dermatologia já está evoluindo para uma visão mais integrativa, regenerativa e preventiva”, afirma.

