
Foto: Rodolfo Santos
Inspirado nos “anos dourados” brasileiros, o casamento de Gabriele Marinho e Bruno Sindona foi concebido como uma experiência, em que música, arquitetura, gastronomia e ambientação conduziam os convidados por diferentes momentos da celebração. Nesta entrevista, a noiva compartilha a história do casal, o conceito por trás do projeto, a escolha do vestido e os detalhes do grande dia.
Conte sobre a história do casal. Como vocês se conheceram? Como foi o pedido de casamento?
Nossa história começou de uma forma muito diferente do que imaginávamos. Nós nos conhecemos através de um projeto social que eu desenvolvia na época da faculdade de Direito, voltado ao atendimento de famílias em situação de vulnerabilidade. Era um trabalho que alcançava diversas frentes — pessoas com deficiência, população trans, pessoas em situação de rua, proteção animal e comunidades indígenas.
Foi justamente em uma ação realizada em uma aldeia indígena que nossos caminhos se cruzaram. O Bruno, movido pelo interesse genuíno em causas sociais e pelo desejo de contribuir, se voluntariou para participar da iniciativa. Foi ali, trabalhando lado a lado por um propósito muito maior do que nós mesmos, que começamos a construir uma amizade.
Com o passar dos encontros, das conversas e da admiração mútua, essa amizade floresceu naturalmente. Antes mesmo de existir um relacionamento, existia respeito, parceria e uma forma muito parecida de enxergar o mundo. Acho que isso sempre foi a base da nossa história.
Um ano depois, veio um dos momentos mais especiais das nossas vidas. O pedido de casamento aconteceu exatamente no aniversário de namoro, em um lugar que tem um significado muito profundo para mim: as montanhas. Sempre senti que é na natureza que encontro Deus, e o Bruno sabia o quanto aquele cenário representava a minha espiritualidade.
Qual conceito vocês tinham em mente para o casamento?
Queríamos criar uma experiência. Nosso desejo era que o casamento traduzisse quem somos, os valores que compartilhamos e a forma como enxergamos a vida.
O conceito nasceu da ideia de construir uma celebração que unisse elegância, arte, espiritualidade e acolhimento. Nos inspiramos no Brasil das décadas de 1950, 60 e 70 (os nossos “anos dourados”), não como uma reprodução estética, mas como uma referência a uma época marcada pelos encontros, pela boa música, pelas conversas longas e pelo prazer de estar junto.
Também queríamos que cada ambiente tivesse um propósito e despertasse uma sensação diferente. Por isso, dividimos o casamento em atos, conduzidos pela música, que nunca parava. A cerimônia, o lounge, o jantar e a festa eram capítulos de uma mesma história, levando naturalmente os convidados de um momento ao outro.
Fizemos questão de que ninguém se sentisse deslocado e vivendo experiencias diferentes. Queríamos que as pessoas estivessem presentes de verdade, convivendo, conversando, criando novas relações e compartilhando aquele momento conosco. Por isso, pensamos cada detalhe para favorecer a proximidade e o acolhimento.
A espiritualidade também foi um dos pilares do projeto. A cerimônia representava o sacramento do nosso casamento e, por isso, optamos por um altar de grandes tecidos, em vez do tradicional arco de flores. Aquela estrutura dialogava muito mais com a nossa personalidade e remetia aos grandes bailes de antigamente, enquanto a cruz ocupava um lugar central, simbolizando a fé que sustenta a nossa união.
Nosso casamento foi pensado como uma experiência sensorial. A música, a iluminação, a gastronomia e a arquitetura dos ambientes foram planejados para despertar sentimentos. Queríamos que, ao final da noite, as pessoas não se lembrassem apenas da decoração ou da festa, mas da forma como se sentiram vivendo aquele capítulo da nossa história.
Como foi o processo de escolha do vestido?
Eu sempre soube que não queria um vestido que apenas acompanhasse tendências. Queria encontrar uma peça que traduzisse a mulher que eu sou hoje e que estivesse em perfeita sintonia com toda a narrativa que estávamos construindo para aquele dia.
Procurei um vestido que tivesse uma elegância atemporal, presença e delicadeza na mesma medida. Ele precisava contar a nossa história e conversar com a atmosfera da cerimônia, da arquitetura, do espaço e com o conceito do casamento como um todo. Quando eu o encontrei, não tive a sensação de estar escolhendo uma roupa, mas de reconhecer algo que já parecia meu. Foi um daqueles momentos em que simplesmente faz sentido. Eu me senti confortável, confiante e, acima de tudo, muito parecida comigo mesma.
Eu não tentei me transformar em uma personagem para o dia do casamento. Quis apenas viver aquele momento sendo a melhor versão de quem eu já era.
O que você destacaria do grande dia? Qual foi o ponto alto?
Se eu tivesse que destacar o ponto alto do nosso grande dia, diria que foi a atmosfera que conseguimos criar.
O nosso maior sonho era que os convidados não se sentissem apenas assistindo a um casamento, mas vivendo uma experiência. Queríamos que todos estivessem presentes, conectados, conversando, criando memórias e participando daquele capítulo da nossa história.
Ver isso acontecer foi emocionante. A música conduzia naturalmente cada transição da noite, as pessoas caminhavam juntas pelos ambientes, permaneciam reunidas, se conheciam, dançavam, riam e compartilhavam o momento de uma forma muito espontânea. Era exatamente a sensação que imaginávamos quando começamos a planejar tudo.
Outro momento muito marcante foi a cerimônia. Para nós, ela representava muito mais do que o início oficial da festa; era o sacramento do nosso casamento e a expressão da nossa fé. A atmosfera do padre entrando com o incenso, a luz do fim da tarde e os pássaros cantando criou um cenário divino e, ao olhar para o Bruno e perceber todas as pessoas que amamos reunidas para celebrar conosco, foi algo que dificilmente conseguiremos traduzir em palavras.
No fim, o ponto alto não foi um detalhe específico, mas a confirmação de que conseguimos transformar o casamento em algo muito maior do que uma celebração bonita. Ele se tornou uma experiência afetiva, sensorial e profundamente verdadeira.
Ficha Técnica
Local: Ville La Rochelle
Buffet: Casa Fasano
Música: Sucre
Assessoria: Babi Leite
Decoração: Harley Vix
Beleza: Leoni e Lucas Rocha
Bolo: The King Cake
Vídeo: Arj Film
Fotografia: Rodolfo Santos




















