
Fotos: @iuryemnl
A dualidade entre força e suavidade é o que guia a nova coleção de Lilly Sarti, apresentada no São Paulo Fashion Week N61. Partindo de um olhar para o comportamento moderno e para a própria identidade da marca, a estilista explorou o encontro entre romantismo e persistência, traduzindo essas polaridades em silhuetas, texturas e combinações de materiais. A apresentação teve trilha sonora ao vivo, com o pianista Pablo Rossi reforçando a atmosfera de harmonia proposta pela coleção.
O ponto de partida é o Ano da Cabra, referência do calendário chinês de 2027, associado ao yin e a características como sensibilidade, harmonia e suavidade. Na coleção, essa inspiração aparece nos desenhos de jacquard que remetem às ranhuras dos chifres do animal, transformadas em diferentes superfícies e construções têxteis.
A leveza do georgette, do tule e do cetim contrasta com tecidos estruturados, criando um jogo de volumes e texturas. O couro de ovelha também ganha destaque, descrito pela marca como uma extensão da pele feminina, com sua maciez e suas marcas do tempo. Na cartela de referências, listras e xadrez representam o yang, associado ao masculino e à força, em contraponto ao romantismo que atravessa a proposta.
O trabalho artesanal complementa a coleção através de bordados e construções têxteis que exploram diferentes possibilidades do tule, entre versões flexíveis e mais estruturadas. Nos acessórios, aparecem alfinetes com pedras e pérolas, brincos com esmaltação manual, além de lenços de couro de ovelha nos pescoços.
Nos pés, sapatilhas inspiradas no jazz dividem espaço com sandálias rasteiras e modelos de salto fino, todos confeccionados em couro de cabra. As bolsas seguem os mesmos materiais, com versões em couro de ovelha e cetim com franjas bordadas.
Para a temporada, Lilly Sarti parte da relação entre roupa e identidade para refletir sobre a maneira como as mulheres se apresentam ao mundo nos dias atuais. A coleção considera uma rotina cada vez mais dinâmica, na qual a praticidade ganha espaço sem deixar de lado a beleza e a feminilidade.















