por Cibele Maciet

Depois de passar por grandes empresas de comunicação, o ilustrador parisiense Cyril Destrade decidiu largar tudo, há seis anos, para se dedicar ao seu amor maior: a aquarela. Dono de um traço impregnado de cores e otimismo, Cyril faz parte do círculo fechado de artistas que trabalham para maisons como Hermès, Miller Harris e a centenária porcelana de Gien, só para citar algumas.

O aquarelista, que estudou Artes Aplicadas na prestigiosa Olivier de Serres, em Paris, teve dificuldades em encarar a vida corporativa das grandes agências. “Eu só tinha 24 anos já trabalhava na Publicis Design com identidades visuais e embalagens, mas percebi muito cedo que minha inspiração maior era a curiosidade e a espontaneidade.

Digo isso porque meu mentor foi um professor da escola, monsieur Simoneau, um ser humano único. Pedagogo, irresistivelmente engraçado, nos ensinava as cores como um homem de teatro declamando tonalidades e descrevendo o prazer da vida, ao mesmo tempo em que subia em cima das mesas de desenho”, diz o artista. “Ele colocava a vida em perspectiva e a tornava fácil e alegre”, emenda.

Ilustração Fusion - Foto: Divulgação
Ilustração Fusion – Foto: Divulgação

Logo após deixar seu primeiro emprego, Cyril aceitou um trabalho em uma editora em Madri. Em seguida, morou em Londres. Até que, em 2011, aos 41 anos, a revelação: “Foi ali que assumi minha paixão, a aquarela, em todas as suas formas”, conta. Suas referências são múltiplas, desde artistas modernos, como Cy Twombly, Joan Mitchell, Raoul Duffy, Soulages, Tapies e Barcello, até Caetano Veloso, Charles Trenet e os jardins ingleses do século 18. Mas, na hora de criar, a rotina não tem nada de diversa.

Porcelana da série LesJardins Extraordinaires e na foto ao lado, o artista Cyril Destrade - Foto: Divulgação
Porcelana da série Les Jardins Extraordinaires e na foto ao lado, o artista Cyril Destrade – Foto: Divulgação

A história, aqui, é organização. “Começo sempre meu dia com questões administrativas e comerciais, além de conversar com outros artistas e estagiários. Assim que termino essa parte mais burocrática, o ato de criar se torna quase imperativo: consigo trabalhar e otimizar meu espírito livre, sem questões mais periféricas”, explica.

Sua técnica é, no mínimo, corajosa. “Trabalho com tintas puras e pincéis diretamente no papel, ou, para um resultado mais preciso, com plumas. O encontro das diferentes tonalidades na folha resulta em formas abstratas, clarificadas pelo toque da pluma. Mas meu segredo é a espontaneidade: quase não faço retoques, dou preferência às emoções da primeira pincelada”, sorri.

Além de desenvolver projetos de decoração de hotéis na capital francesa, em novembro, o artista expõe suas mais recentes obras no salão de arte contemporânea GMAC. O mais interessante, entretanto, ainda está por vir: “Um projeto de performances ‘vivas’ dentro de um parque arts and crafts. Além disso, ilustrações para um guia de receitas da cozinha moderna e um belo livro infantil”, comemora.