Susan Souza em cena do clipe Sol - Foto:divulgação
Susan Souza em cena do clipe Sol – Foto:divulgação

O encontro começou em uma mesa em que cristais diversos sobre um tecido retratam o desenho das 12 fases da lua. Susan Souza, a leitora da rodada de tarô, começa a embaralhar as cartas, separadas em dois montes desiguais. “Gire elas com a intensidade que quiser”, pede. “Agora corta. De novo, com a outra parte do baralho.”

Jogo aberto, momento de colocar o timer no celular, a leitura pode ir longe – 45 minutos a princípio, mas estendidos quando se atravessou a seara do amor. O jogo previa acontecimentos para os próximos oito a doze meses, também baseados no momento atual. A carta que sobressai? A Torre. Quem entende sabe da força.

A cartomante é formada em Jornalismo e estuda a leitura do baralho há pelo menos cinco anos, mas sempre esteve acompanhada dele. Além disso, trabalha com astrologia. Tudo isso enquanto mantém seu alter ego Cinnamon Tapes, projeto musical que começou solo, quando ainda atuava como repórter.

A iniciativa cresceu e ganhou mais parceiros, Susan lançou seu primeiro álbum, Nábia, em 2017, com produção de Steve Shelley, baterista da banda Sonic Youth, que virou amigo. Foram da avó os primeiros incentivos espirituais, assim como o estímulo a tocar instrumentos. Mas a introdução ao tarô veio de uma tia. “Me lembro dela com o baralho e sentindo algo. Mas ainda não entendia aquela configuração toda, aqueles símbolos”, diz Susan. Quando ainda trabalhava como jornalista, comprou seu primeiro baralho em um mercado do Recife.

“Chega uma hora que é inevitável, as cartas te chamam.” Nábia é uma personagem das águas. Nasceu para dar força e voz a Susan dentro da música. E acabou também por ser a ponte que a liga às artes e à espiritualidade. O álbum tem uma pegada forte de indie, dá para sentir um pouco de Cat Power, PJ Harvey, Nina Simone e Nara Leão, por exemplo, importantes referências para a cantora.

A obra é muito íntima, surgiu em momentos de grandes conflitos e depressão. “Foi uma época de chacoalhão na minha vida. E ainda estava em negação da minha parte artística”, conta.

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Foto: Reprodução/Instagram/@susanasouza
Foto: Reprodução/Instagram/@susanasouza

No entanto, garante que foi uma libertação. Conseguiu se firmar e afirmar sua persona, seus desejos e a nova profissão. “Eu me renovo com estratégia, sou aquariana com ascendente em touro. Preciso ter certeza para onde vou. E aí é um problema, preciso lidar com o desconforto da arte, você não sabe de nada, é incerteza o tempo inteiro.”

Susan intercala a leitura do tarô com os compromissos da banda. Tem turnê prevista para setembro. Pode ser que fique menos disponível para as cartas nesse período. Por via das dúvidas, anda sempre com elas na bolsa. “De um ano para cá, vivo a música e o tarô com plena intensidade. Tem dia que tenho leitura e dia que não, tem cliente que marca e desmarca. Preciso seguir o ritmo das pessoas, não mais o meu.”

Foto: Reprodução/Instagram/@susanasouza
Foto: Reprodução/Instagram/@susanasouza

Ela surpreende ao contar que nunca abriu as cartas para as integrantes da banda. “Mas estou para fazer nossa sinastria. Não abri o baralho para ninguém, as coisas têm momento certo para acontecer. Não preciso do mapa para ver que a gente combina.”

As cartas mostram que há sinergia e muito trabalho no futuro próximo. Susan já está com clipe pronto, falta escolher a data do lançamento, e tem single previsto para o final do ano – além de projetos para o segundo álbum, com parcerias e músicas sobre o momento presente.

Mais sinestésico, talvez. “A nova cara exige mais gente trabalhando. Estou experimentando outras coisas, mais Brasil, e vou seguir nisso”, antecipa. “Se eu fosse escolher uma carta do tarô, estou em um mix entre o Mago e a Roda da Fortuna. Sou esses dois arcanos”, afirma. Quem entende sabe da força.

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