A Central Galeria apresenta a exposição “Das noites uma livre sensação”, de João Trevisan, com texto crítico de Ulisses Carrilho.

Trevisan abre a exposição com a instalação “Desfechar para Espertar”, com corpos articulados, porém apresentados de maneira estática. Para isso, é escolhida uma posição, dentre as outras oito possíveis, para manter-se imóvel, forma que se repete nos quatro corpos que ocupam um espaço de 7 m corridos.

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A instalação é formada por quatro estruturas semelhantes, feitas a partir de madeira escura gasta pelo tempo, assim como suas pinturas.

Também das pinturas vem a atmosfera noturna criada pela utilização do preto, mostrando uma memória que ali se esconde. Essas madeiras tomam a característica de corpos. Todo o material utilizado foi coletado após ser abandonado ao longo de ferrovias, nas quais Trevisan costuma caminhar.

Veja a mostra aqui 

O artista exibe um grupo de trabalhos desenvolvidos a partir de 2018 que deram origem à série “Intervalos”, que se desdobra nas esculturas e serve como estudo para a compreensão de outras séries apresentadas na exposição.

As pinturas de Trevisan são sombrias e com pouca luz. Nelas existe uma aura que estende-se sobre as cores e, ao caminhar à sua volta, percebe-se que a forma preenchida pela cor desaparece e volta a aparecer num jogo óptico, delicado e firme.

A repetição de elementos, como é vista nos dormentes deitados, é utilizada como recorte imaginativo que inspira as pinturas. Trevisan considera extremamente valiosa a observação da disposição dos materiais em ferrovias, feitos com distâncias iguais e simétricas, porém afetados pela força do trem que as atravessa e faz com que as estruturas se distanciem ou mudem de lugar.

 

Central Galeria

A Central Galeria promove exposições e fomenta o debate em torno da arte contemporânea. Em 2018 muda-se para o prédio histórico do IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil) projetado pelo renomado arquiteto Rino Levi, localizado no centro da cidade. Essa mudança reformula o espaço e o programa da galeria para estabelecer um diálogo maior com a cidade e o público, expandindo assim, a difusão da produção artística atual e potencializando as trocas e parcerias.

O novo programa, sob a diretoria de Fernanda Resstom, e dinâmica do espaço salientam o hibridismo e multiplicidade da arte contemporânea, acreditando que o conteúdo e as interlocuções propostas no âmbito da galeria podem transformar e conectar ideias e pessoas.

No subsolo do IAB, patrimônio tombado em três instâncias (Iphan, Conpresp e Condephatt), onde está inserida a galeria, funcionava o Clube dos Artistas e Amigos da Arte; reduto de encontro da intelectualidade paulistana de 1945 até o final da década de 60.

Artistas Representados: Bruno Cançado, C. L. Salvaro, Dora Smék, Gabriela Mureb, Gisele Camargo, Gretta Sarfaty, João Trevisan, Lourival Cuquinha, Mano Penalva, Mariana Manhães, Ridyas, Rodrigo Martins, Rodrigo Sassi e Simone Cupello.