Busca Home Bazaar Brasil

Eli Sudbrack reúne na galeria Casa Triângulo

Sob pseudônimo, ele assina conjunto de obras em pintura, vídeo e objetos que ficam em cartaz em São Paulo até novembro

by Felipe Stoffa
Still do vídeo "Avalanches Vulcões Asteroides Furacões" - Foto: Divulgação

Still do vídeo “Avalanches Vulcões Asteroides Furacões” – Foto: Divulgação

Após mudar-se para Nova York, o artista carioca Eli Sudbrack abandonou o próprio nome e assumiu o pseudônimo avaf (assume astrus vivid focus). Desde 2001, ano em que fundou seu “grupo”, ele atua com projetos individuais e coletivos. Seus trabalhos em fotografia, vídeos, objetos e pinturas, até ações no espaço público, são voltados à ativação de experiências sensoriais do espectador, com uso de muitas cores e apropriações de signos da cultura pop.

De 2005 até 2016, avaf se apresentava como dupla, com participação do artista francês Christophe Hamaide-Pierson. Com a saída de Cristophe (que continua assinando trabalhos como avaf), Eli passou a produzir de forma mais individualista. Agora, ele expõe o resultado em aquele vestígio assim…feérico, na Casa Triângulo, em São Paulo, que inaugura neste sábado (22.09).

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Pintura Sem Título, de avaf - Foto: Divulgação

Pintura Sem Título, de avaf – Foto: Divulgação

“Dependendo das exposições, juntava amigos dentro de projetos específicos. Podiam ser dois, três, até dez. Eram sempre pessoas conhecidas, com as quais mantinha intimidade emocional”, diz o artista. A mostra reúne 17 pinturas, um vídeo com mais de duas horas e seis tapetes “dançantes” – feitos de lã de alpaca e pendurados no teto com braços robóticos – produzidos no ano passado para uma mostra no Peru.

Sem perder o DNA, avaf também apresenta trabalhos dos artistas e assistentes Nadja Abt, Thiago Barbalho, Gilson Rodrigues e Ricardo Alves, além de Camila Rocha, amiga de Eli. “Acredito em um inconsciente coletivo entre pessoas, e que elas dividem crenças, conexões e gostos. Meus assistentes são muito próximos de mim, e a Camila foi minha aluna, acompanho o trabalho dela. É uma forma de dizer que não estou sempre sozinho.”

Still do vídeo "Avalanches Vulcões Asteroides Furacões" - Foto: Divulgação

Still do vídeo “Avalanches Vulcões Asteroides Furacões” – Foto: Divulgação

As obras deixam claro que o pseudônimo avaf é um instrumento de engajamento entre inúmeros criadores e o espectador. As novas pinturas foram criadas como espécie de remixagem de obras anteriores, em que Eli revisitou um conjunto de papéis de parede e aplicou o efeito de zoom na imagem. Daí surgiu um outro universo. “Achei diversas paisagens, salvava tudo na tela do computador e pintava em chapas de papel Kraft ondulado. Comprava o material e descascava para revelar as diferentes texturas do papel”, diz.

No primeiro plano da tela, adicionou uma tinta fluorescente que é vista mesmo após as inúmeras camadas de cores seguintes. “Sempre pensei na cor como forma de união. Ela tinha um ideal político no trabalho, de engajamento. Agora, concentrei isso sem precisar remeter a essa parte social”, diz Eli.

Pintura Sem Título, de avaf - Foto: Divulgação

Pintura Sem Título, de avaf – Foto: Divulgação

Todas as pinturas abraçam o público. Outra novidade é a dimensão mais pessoal das obras, como no vídeo avalanches vulcões asteroides furacões, compilação de pequenos curtas gravados por ele ao longo dos anos. “Sempre documentei experiências com celular ou câmeras de vídeo portáteis. Aberturas de exposições, performances, momentos completamente utópicos, como na praia, vendo o sol nascer e se por, o mar, cenas íntimas. São coisas que me inspiram”, conta o artista, que deixou recentemente Nova York para instalar-se em São Paulo.

“Esse programa de vídeo tem a ideia de uma retrospectiva. Como estou voltando a viver no Brasil, isso contribui. Mas acredito que esses momentos são também universais.” No mesmo mês, avaf apresenta trabalhos anteriores no espaço do VIVAprojects, gerido por Camilla Barella e Cecília Tanure, em São Paulo. Lá estão seus efêmeros (máscaras, convites, posters, flyers), colaborações com marcas de moda (Amapô, Comme des Garçons, Marc Jacobs, Melissa), capas de discos, máscaras, balões, lambe-lambes, tattoos, entre outros.

“Tem de tudo, desde o primeiro convite de exposição que fiz na vida.” Outro novo projeto é um livro de artista publicado pela Família Editions. Eli também é um dos quatro finalistas da atual edição do Prêmio Pipa, importante premiação para artistas visuais. “Continuo achando que tudo é avaf. Sozinho, ou com quem for, avaf é uma prática que acredito que outros podem assumir também”, reflete.

Casa Triângulo: rua Estados Unidos, 1324, Jardins, São Paulo. Tel. (11) 3167-5621. Até 3 de novembro

Leia mais:
Conheça o canal da Bazaar Art