Foto: Divulgação

A pandemia do novo coronavírus atingiu o setor cultural com o fechamento de galerias, espaços culturais, entre outros ambientes de incentivo à arte. Visando um novo horizonte frente às dificuldades, a Galeria Gicleria nasce como uma mediadora entre os artistas e o seu público, levando para o ambiente virtual peças de artistas independentes.

SIGA A BARZAAR NO INSTAGRAM

Foto: Divulgação

Com o objetivo de se manter para além desse momento, a nova plataforma tem intenção de inovar a produção e o consumo de arte pela internet, democratizando as oportunidades para os artistas e ampliando o consumo de quem se interessa.

Foto: Divulgação

“Queremos funcionar como uma plataforma horizontal. O protagonismo é da arte, a nossa parte é fazer a ponte com o consumidor e a manutenção do espaço virtual, garantindo as melhores ferramentas para essa comercialização”, conta Fábio Furlan, fotógrafo, impressor Fine Art e fundador da Galeria Gicleria ao lado do artista e designer gráfico, Felipe Magalhães. Ambos os idealizadores também são artistas, com artes disponíveis na plataforma.

Foto: Divulgação

Colocando a arte no centro do projeto, a técnica e a tecnologia que a galeria dispõe valorizam o produto final. Indo além do que seria um e-commerce de arte, a Gicleria é um ateliê de impressão, onde as artes vendidas passam por processo de impressão Fine Art, que garante a fidelidade de cores e preservação exigidos pelos museus e galerias. Nessa impressão são utilizados suportes de diversas gramaturas e composições, como algodão, alfa-celulose, bambu e fibra de cana-de-açúcar.

“Contamos com uma curadoria de artistas vivos, que estão por aí criando e se expondo de forma independente. Nossa ideia é promover a conexão entre esses artistas, suas poéticas mais íntimas e seu público”, conta Magalhães, responsável pela curadoria.

Os artistas

Nessa leva e conceito, a Gicleria já conta com uma loja virtual repleta de cores, identidade e veracidade.  Entre eles, Thainá Carline, carrega em sua arte as inspirações de sua terra natal Sergipe, não somente nas artes plásticas de Arthur Bispo do Rosário, Larissa Vieira e Cirulo, mas também nas cores, poesia e música que vivenciou na capital e interior sergipano. Mantendo e regando as raízes, a artista mistura suas referências com suas vivências e a técnica do estudo de design, usando a colagem digital para falar sobre cada parte sua, desde a ancestralidade até seus desejos. Acredita que sua arte tenha a potência de um tiro de Bacamarte, o barulho que vem das ruas de Carmópolis e se espalha por onde passa com beleza e força.

A Galeria também conta com a multiartista Bruma Diniz, residente de Guarulhos (SP). Seu trabalho reside nas fronteiras entre os gêneros das artes visuais (audiovisual, fotografia, ilustração) e dos formatos das artes plásticas (pintura, gravura, colagem), em uma pesquisa que sobre os labirintos do corpo e a espiritualidade da imagem. Suas primeiras referências foram os desenhos eróticos antigos da arte sumi e as animações japonesas que produziam formas mais exageradas no modo de desenhar o corpo. Em seu processo artístico, descobre no nanquim um material que permite a liberdade da expressão do corpo através do traço, usando o preto e branco para revelar um tom melancólico, mas também reverenciar a sombra e os movimentos.

Também exposto na plataforma, Iwintolá é o nome litúrgico de Rafael Ribeiro. Do Iorubá “Filho de Obatalá”, Iwintolá carrega no nome toda a ancestralidade de onde veio e para onde vai. Sua arte caminha entre diversas técnicas e entre o mundo material e espiritual, transpassando através da fotografia inúmeros diálogos. Com seus cliques, Iwintolá exprime seu jeito de enxergar o mundo e sugere a troca de olhares de dentro para fora, sabendo que cada pessoa irá enxergar sua arte de uma maneira totalmente nova e diferente. Para o artista, é justamente essa troca de perspectivas que move o mundo e a arte.

A galeria ainda exibe a arte do curador, Beré, apelido de infância de Felipe Magalhães. Beré iniciou sua trajetória artística com intervenções urbanas aos 15 anos, transitando entre lambe-lambes, pichações, throw-ups e tags. Essas práticas orgânicas, que expressam a liberdade, acabaram por influenciar diretamente em suas vivências pessoais, que por sua vez, refletem em suas peças artísticas com forte influência da arte naïf e o expressionismo abstrato. Outros elementos também contribuem em seus processos criativos, como as percepções subjetivas da negritude, o culto aos Orishás e a malandragem das ruas.

E, por fim, Fábio Furlan, dono da galeria, se descreve como um amante das crônicas cotidianas. O artista busca partir de um entendimento dos valores de cada pessoa, paisagem ou objeto que fotografa, para assim moldar e transferir seu olhar para o clique. Com isso, usa a empatia como ferramenta importante nas suas imagens e defende que na correria do dia a dia, é preciso desacelerar para perceber que as coisas mais simples da rotina valem muito. Acredita que existe poesia nos pequenos prazeres.

Ação Social

Com a consciência de que o momento atual requer solidariedade para além do setor artístico, 20% do valor de cada compra feita no site é revertido para as instituições Mulheres da Luz, coletivo que busca promover a cidadania e a garantia de direitos humanos de mulheres em situação de prostituição do Parque da Luz e entornos; e o SP Sem Fome, projeto social colaborativo, que realiza ações em prol das pessoas que vivem em situação de rua na cidade de São Paulo.