Galeria Leme expõe o construtivista Luciano Figueiredo

Exposição está em cartaz até 22 de junho

by redação bazaar
Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Por Camila Martins

A Galeria Leme/AD está com exposição do construtivista Luciano Figueiredo - “Luciano Figueiredo em Diálogo com Raymundo Colares”,  até o dia 22 de junho.

Figueiredo instituiu-se como um dos expoentes no movimento da chamada contracultura no Brasil, na década de 1970, ao lado de artistas como Lygia Clark e Hélio Oiticica. Já expôs nos mais renomados espaços públicos e privados, no Brasil e no exterior. Hoje, aos 70 anos, fica entre Brasil, Nice e Londres.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Colares é um artista único na cena experimental da arte brasileira do final dos anos 60, da tradição construtiva, que aliou-se ao ruído urbano e expressivo da nova figuração e à urgência comunicativa da arte pop.

A mostra reúne um conjunto representativo de obras históricas dos artistas, considerados expoentes do movimento da Contracultura e Experimentalismo no Brasil na década de 1970.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Figueiredo apresenta trabalhos que resgatam etapas e processos de investigação formal e cromática que marcaram seus 50 anos de pesquisa. Por meio de um diálogo mais do que pertinente, as obras de Colares demonstram uma sincronicidade investigativa, que une características do construtivismo e influências da publicidade e programação visual da época.

Nas obras de Figueiredo, o papel jornal age como um elemento catalisador, encontrado em praticamente todos os seus trabalhos – retirado de tabloides impressos. Este material foi explorado intensamente pelo artista por décadas, desde meados dos anos de 1970, quando ainda morava em Londres.

Por mais de 30 anos, a partir de meados dos anos de 1960, Figueiredo transitou pelas mais diversas áreas do cenário artístico nacional e internacional. Esta experiência como profissional múltiplo, num período de extrema efervescência cultural, construiu um percurso que prima pela investigação sobre materiais do cotidiano e suas possibilidades, acompanhando o melhor da arte experimental brasileira dos anos de 1960 e 1970.

Na pesquisa de Figueiredo, a manipulação dos materiais, através de recortes, colagens etc., deu início a uma série de “pinturas-objetos”, ou seja, estruturas de cor, a partir da combinação de diferentes elementos, como papel jornal e tecidos. Mais tarde, essa pesquisa culminaria na chamada série “Relevo”, uma das mais icônicas do artista, onde ele acumula diversas camadas de telas. Algumas das primeiras obras dessa série poderão ser vistas na exposição.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Colares, por sua vez, investiu na representação dos ritmos ditados pela contemporaneidade. Em suas pinturas, por meio da geometria, ele retratava o dinamismo e a diversidade de uma época em grande transformação – anos 60, 70 e 80. Suas pinturas traziam, principalmente, cores em tons fortes e imagens fragmentadas, ou seja, processos interrompidos, a partir do imaginário urbano, como prédios e ônibus. Seus desenhos e pinturas trazem referências nítidas da Arte Concreta e Pop, bem como elementos da cultura de massa, características que o tornaram figura importante para o movimento da nova figuração no Brasil.

“Luciano Figueiredo em Diálogo com Raymundo Colares Coletiva”
Galeria Leme/AD - Av. Valdemar Ferreira, 130, Butantã, São Paulo. Até 22 de junho de 2019.