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Por Camila Martins

Rumo ao novo espaço na Barra Funda – polo artístico que tem reunido gradativamente galerias de arte -, a Mendes Wood DM apresenta cinco trabalhos produzidos durante a pandemia pela escultora Sônia Gomes, em sua mais recente exposição na galeria no bairro do Jardins, em São Paulo, “Lágrima”.

Estamos em um momento em que as galerias, pouco a pouco, estão reabrindo suas portas para que possamos, gradativamente, voltar a frequentá-las – com todos os protocolos de prevenção por conta da pandemia que soprou como um vento forte em todo planeta e também no mundo das artes. A perda do controle sobre as histórias que vivemos é o que a escultora Sônia reclama. A corporação dos sentimentos mais profundos em forma de lágrima. O tecido azul com detalhes brancos é cortado por um volume característico da sua escultura, composto por diferentes texturas e formas”.

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“Só foi possível dar nome a esta obra quando ela foi concluída e a partir da forma da gota me veio a palavra Lágrima”, relata a escultora.

Sônia (Caetanópolis, MG) é uma artista contemporânea afro-brasileira que vem sendo discutida como parte da canonização da história da arte em que faz seus trabalhos usando tecidos capturados de amigos e familiares. Sua escolha pelos materiais também é uma referência para ela por ter crescido em Minas Gerais, local que é caldeirão artístico e que tem entre as mais antigas tradições a produção têxtil.

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Por meio de retalhos com memórias afetivas, a escultora constrói o ponto de encontro de uma nova narrativa em que retrata uma metáfora antropofágica ao devorar a cultura do outro que passa por um processo de aglutinação na liga das memórias impregnadas nos tecidos entregues a ela para que possa torcer, estufar ou costurar, dando a cada peça um novo significado; construindo uma nova narrativa entendida pela artista como “fundamental”.

“Seu trabalho é carregado de memória, mas também de um método de estudos. É mais sobre processo do que produto”, diz  Matheus Yehudi, diretor associado da Mendes Wood DM. “Ela incorpora simultaneamente diferentes visões da modernidade; o movimento antropofágico incorporado pela escultora é o retrato da América Latina”, completa.

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Exposição Sônia Gomes: “Lágrima” pode ser vista até 28 de setembro na Mendes Wood DM São Paulo. Rua da consolação, 3.368, Jardins, São Paulo.