"Girl with a Little Dog" - Foto: divulgação
“Girl with a Little Dog” – Foto: divulgação

Por Mariane Morisawa

Em meados do século 20, a pintura figurativa estava em baixa. Depois de movimentos como o cubismo, surrealismo e dadaísmo, a arte era dominada pela abstração, o minimalismo e o conceitualismo. Mas um grupo de pintores baseados em Londres, vindos da Inglaterra ou de diversas partes da Europa, mostrou que ainda havia, sim, novos estilos a serem explorados ao retratar a figura humana e a paisagem com tinta, giz, tela e papel. Eles são o foco de London Calling: Bacon, Freud, Kossoff, Andrews, Auerbach and Kitaj, que abre no final de julho no J. Paul Getty Museum, em Los Angeles.Ao todo, serão exibidos 80 pinturas, desenhos e gravuras dos seis principais artistas figurativos da época: Francis Bacon, Lucian Freud, Leon Kossoff, Michael Andrews, Frank Auerback e R.B. Kitaj, compreendendo um período entre 1940 e 1980.A exibição tem curadoria de Timothy Potts, diretor do J. Paul Getty Museum, Julian Brooks, do departamento de desenhos da mesma instituição, além de Elena Crippa, que cuida de Arte Britânica Moderna e Contemporânea na Tate Gallery, de Londres. “Boa parte da coleção do Getty se dedica à figura humana e à paisagem até 1900. A exposição mostra o que aconteceu depois”, explica Potts, em material que acompanha London Calling.

"Leigh Bowery" - Foto: divulgação
“Leigh Bowery” – Foto: divulgação

A mostra traz obras importantes desses artistas. Do irlandês FrancisBacon(1909-1992), por exemplo, há Triptych–August 1972, da série Trípticos Negros, que se seguiu ao suicídio de George Dyer, amante de longa data do artista. O trabalho traz Dyer à esquerda, Bacon à direita, e o painel central faz uma releitura da fotografia de lutadores de Eadweard Muybridge. Bacon costumava se inspirar em pinturas, esculturas, fotografias e fotogramas de filmes. Seus retratos são distorcidos e dramáticos. De Lucian Freud (1922-2011), neto de Sigmund Freud que nasceu em Berlim e fugiu do nazismo em 1933, estabelecendo-se em Londres, a exposição tem retratos de sua mulher, Kathleen Garman, como Girl with a Kitten, de 1947. Freud descrevia seu trabalho como autobiográfico.Apesar de trabalhar com figuras humanas realistas, elas evocam intensidade psicológica.

Triptych – August 1972, ambas de Francis Bacon - Foto: divulgação
Triptych – August 1972, ambas de Francis Bacon – Foto: divulgação

Nascido em 1926, em Londres, filho de imigrantes judeus russos, Leon Kossoff também pintou amigos e familiares. Seu fascínio com os inúmeros canteiros de obras espalhados pela cidade, que se recuperava dos enormes estragos causados pela Segunda Guerra Mundial, transpirou para suas telas, como Building Site, Oxford Street, de 1952. Esse interesse pela cidade marcada pela guerra era compartilhado por Franz Auerbach, que nasceu em Berlim, em 1931, e também se mudou para a Inglaterra fugindo do nazismo. Com grossas camadas de tinta, ele retrata Londres desde então – um exemplo é Mornington Crescent with the Statue of Sickert’s Father-in-law, de 1966. Inglês, Michael Andrews (1928-1995) se dedicou a retratos de amigos e contemporâneos, como em Melanie and Me Swimming, de 1978-79, baseado numa foto sua e de sua filha, de festas, paisagens e, finalmente, o Rio Tâmisa, desde que foi diagnosticado com câncer em estágio avançado. Nascido em Cleveland, o americano R.B. Kitaj (1932-2007) se estabeleceu na capital inglesa depois de atuar na Marinha Mercante e no Exército americano na Europa. Em Londres, acabou incorporando colagem nas pinturas e desenho na fotografia e em fotogramas, como em Boys and Girls!, de 1964. A invasão inglesa em Los Angeles vai até o fim do ano.

De 26 de julho a 13 de novembro :: getty.edu