Foto: Brian Yurasits / Unsplash

Por Thaís Mota

Se por um lado a Best Friday dá o start às compras de fim de ano com descontos megalomaníacos, o Buy Nothing Day (Dia Mundial sem Compras), celebrado no último sábado do mês de novembro, com exceção dos Estados Unidos e do Canadá, reforça a necessidade de frear as práticas consumistas e repensar hábitos excessivos presentes no estilo de vida da sociedade.

Toda compra causa impacto, seja ele positivo ou negativo, seja, ainda, na sociedade, nas grandes empresas ou no meio ambiente. O Dia Mundial sem Compras busca, justamente, plantar a sementinha de consciência para que se tenha mais impactos positivos do que negativos no momento de decisão da compra. Essa, por sinal, atinge números cada vez maiores nos bolsos da economia.

O estudo “Novos hábitos digitais em tempos de Covid“, divulgado em maio pela Sociedade de Varejo e Consumo, registrou que 61% dos consumidores aumentaram as compras online, devido ao isolamento social. Além disso, a tendência na mudança de comportamento do consumidor para essa plataforma já é visível: 70% deles pretendem aumentar a compra por sites e aplicativos mesmo após a quarentena — que ainda não teve fim decretado no Brasil.

Apontado como tendência mundial do mercado, o consumo consciente recebe cada vez mais adeptos dos propósitos voltados à redução de impactos no meio ambiente, a valorização da mão de obra local, o apoio a pequenos produtores e diversas iniciativas focadas em transformar o cenário de compras. Mas é na procura de marcas “do bem”, com pegada ecológica, que muitas pessoas acabam caindo em falácias do marketing verde, o famoso “greenwashing”.

Posicionamento enganoso para gerar mídia

“Oportunismo de pegar carona na sustentabilidade e a falta de vontade de propor, de fato, mudanças sistêmicas na produção e nos processos” são algumas das características adotadas pelas marcas que praticam o greenwashing, segundo a comunicadora Mariana Villaça.

Isso porque muitas empresas, sejam ou não do ramo da moda, se dizem “sustentáveis” quando, na verdade, carregam esse conceito sem adotar práticas condizentes no ciclo de elaboração do produto. O real propósito de venda se perde e acaba virando mais uma ferramenta de marketing para gerar mídia.

Para a entusiasta da moda e do design ético, a sustentabilidade diz respeito a passos e metas bem definidas em curto, médio e longo prazo. “Há uma diferença quando uma grande empresa, que não tem hábitos sustentáveis, lança uma linha ecológica e se dispõe a mudar, traçando um plano de ação de x anos para a mudança, e uma empresa que lança uma linha ecológica, mas continua com os mesmos processos e não explica o que virá depois”, conta.

Organizações sustentáveis são reconhecidas não somente pela preservação do meio ambiente, mas pelo impacto de seus produtos nas questões sociais, comunitárias e econômicas. Como disse Mari durante a entrevista para esta matéria, “a sustentabilidade é um caminho e não um fim. É um desafio diário rever nossos hábitos e propor melhorias que vão virar micro-revoluções.”

Três dicas para não cair nas garras do greenwashing

Somos bombardeados por notificações e publicidade o tempo todo, não é mesmo? Para ficar de olhos abertos e não ser enganado por marcas que se aproveitam da sustentabilidade, confira as dicas que Mari Villaça separou:

Desconfie de informações ambientais vagas

Embalagem bonita não é sinônimo de processos perfeitos por trás do produto.

Busque informação e questione as marcas

“É sustentável? Por quê? Qual a diferença entre o processo antigo e o novo? Tem certificação? Quem produziu? Onde produziu? A qual custo?”.

Use sua voz nas redes sociais

Com a democratização do conhecimento e do poder de fala, se torna um papel de todos nós comunicar o certo e o errado. Então vale indicar, compartilhar e curtir marcas amigas do meio ambiente, e denunciar, questionar e exigir transparência daquelas que se mostram duvidosas.