Casa do Cipó, de Carina Duek – Foto: Divulgação

Enroscados em caules nas florestas tropicais, os cipós são como pontes, levando pequenos animais de uma árvore à outra. É por isso que não é coincidência o fato dessa planta trepadeira simbolizar conexão e, seus costumeiros nós, amor e preocupação com o próximo, como um abraço mesmo.

Foi essa representação que chamou a atenção de Carina Duek no brainstorm para encontrar o nome perfeito para o novo projeto, uma concept store unindo marcas de arte, design, moda e bem-estar. Foi assim que ela chegou à Casa Cipó: “uma convergência de ideias e pessoas”” salienta.

É, também, um marco importante na trajetória profissional dessa paulistana. Filha de Tufi Duek, criador das marcas Forum, Forum Tufi Duek, Tufi Duek e Triton, Carina sempre esteve rodeada pelo universo da moda e conta que nunca pensou em fazer algo diferente.

Casa do Cipó, de Carina Duek – Foto: Divulgação

Ao mesmo tempo, queria construir seu próprio caminho. Foi por isso que, depois de estudar na Faculdade Santa Marcelina, criou a marca que levava seu nome e que comandou por mais de dez anos. Em 2017, percebeu que estava mais focada na administração das três lojas próprias e cerca de 180 pontos de venda do que criando. “Eu precisava respirar”, conta.

Dessa percepção veio a decisão de encerrar a marca, fechar um ciclo, preparar-se para outro. O que, naquela altura, ela não fazia ideia do que seria. Não é fácil permitir-se uma mudança tão radical, mas Carina foi em frente.

Casa do Cipó, de Carina Duek – Foto: Divulgação

Um ano sabático foi providencial; coaching, uma ação necessária. E, então, vieram duas viagens que se mostraram decisivas. “Fui a Los Angeles e depois ao Japão. Já com um olhar de pesquisa, me deparei com lojas semelhantes de lifestyle. Deu um clique”, recorda Carina. De tudo o que viu, selecionou o que traduzia sua essência. Estava criada a alma do espaço, inaugurado há três meses no bairro dos Jardins, em São Paulo.

Loja de rua ampla, daquelas que enlouquecem pelo bom gosto e variedade do que está exposto, teve a contribuição de Felipe Hess. Afeito a planos limpos e influenciado por Isay Weinfeld, o arquiteto criou um espaço amplo pontuado por vegetação que reforça a atmosfera positiva que embala a concepção da Casa Cipó. E tudo é organicamente entrelaçado. Effortless chic. “Queria algo despretensioso que tivesse meu olhar”, explica Carina.

Casa do Cipó, de Carina Duek – Foto: Divulgação

Foi desse interesse que vieram as bolsas artesanais colombianas Chilla e as espanholas Guanabana, os bonecos infantis em crochê feitos em Paraty pela Orangotango, a papelaria handmade da Nina Write, os vestidos italianos one of a kind da Nina Leuca, a série de vasos inspirados na natureza do designer Paulo Goldstein e as joias em cerâmica de Paola de Orleans e Bragança, entre cerca de 90 marcas.

“Juntei um pouco de tudo”, conta ela, que fica radiante com cada achado. A esse portfólio está acrescentando a moda praia da Ostra, os vestidos boho da We Oui e as peças confortáveis da Mabô Rio, além de Ayu e Souvi, com pegada wellness. Junto a outros tantos produtos que enchem os olhos e unem afeto a funcionalidade, Carina descobriu inúmeras histórias como a sua: designers que desaceleraram, mudaram de vida e criaram projetos em formato de ateliê.

Casa do Cipó, de Carina Duek – Foto: Divulgação

“Tem muita coisa nova, um aprendizado diário, ao mesmo tempo vejo meu lifestyle aqui”, analisa, para em seguida refletir que há uma conexão com sua primeira loja, que ficava em uma charmosa vilinha no mesmo bairro da Casa Cipó. A sensação de serenidade vem acompanhada de trilha sonora: músicas com influência de sons do interior da Europa, Beirut de Zach Condon e canções de Caetano Veloso acompanham o dia a dia de Carina. “Sempre carreguei uma caixinha de som comigo”, conta divertida.

Ela não define a Casa Cipó como proposta sustentável: falta integrar 100% os princípios social, ambiental e econômico. Por enquanto, prefere chamá-la de eco-friendly. No seu radar estão experiências e o desejo de colocar em prática um novo jeito de criar e consumir.