Foto: Brigitte Niedermair/Divulgação

Por Chiara Gadaleta

A moda sempre teve um papel importante na sociedade: retratou décadas através de silhuetas, tecidos, cores e estampas. Com a virada do milênio, se distanciou de seu foco e precisou olhar para seus impactos e recomeçar a reportar seu tempo, o de urgências sociais e ambientais. Foi assim que nasceu o Movimento Ecoera, em 2007, justamente em resposta a esse descompasso e com o objetivo de integrar os setores de moda, beleza e design à sustentabilidade.

De lá para cá, a moda abriu a agenda para as boas práticas e a sustentabilidade passou a fazer parte da agenda das marcas de moda no mundo todo! Sorte das que já haviam iniciado essa passagem, pois a pandemia acelerou o botão da urgência e, hoje, mais do que nunca, a moda tem uma missão primordial: reverberar histórias verdadeiras sobre as pessoas e sobre o planeta.

Nessa jornada, às vezes incerta, a criatividade e a inovação aliadas à tecnologia têm sido ferramentas mandatórias.

Aqui algumas evidências de como, desde o início da pandemia, as marcas de moda e beleza consolidaram suas presenças digitais e repensaram seus modelos, adotando novos formatos.

Nike – Foto: Divulgação

Marcas consolidadas como a L’Oreal apresentaram seu relatório anual de sustentabilidade via Zoom com apresentações e entrevistas, e a Nike está mais focada em sua plataforma Move To Zero em direção a um futuro com zero carbono e zero desperdício em toda a cadeia produtiva.

As redes sociais se aproximaram ainda mais das grandes varejistas que aderiram às vendas multicanal, modelo que alcançou até grifes de luxo. Marcas atentas às oportunidades acionaram redes sociais e começaram suas vendas via WhatsApp. As Lojas Marisa, dentre outras, driblaram dificuldades da quarentena adotando o sistema onde as funcionárias de áreas não comerciais se tornaram também vendedoras, e assim, por que não, sócias da empresa.

Nessa caminhada fashion e digital, a tecnologia está cada vez mais à disposição dos negócios e do meio ambiente. As grandes semanas de moda europeia, como as de Paris, Londres e Milão, acomodaram os desfiles online, mais democráticos e com menor emissão de CO2. Os restritos e fabulosos espetáculos presenciais foram substituídos por experiências digitais, mais econômicas, de maior alcance e acesso.

A Dior optou por não desfilar com modelos, e para mostrar sua coleção, confeccionou vestidos em miniaturas. Em vez de desfile, produziu material audiovisual mostrando as peças, que valorizam os áureos tempos da alta-costura e do feito à mão.

Dragão Fashion Week – Foto: Divulgação

Já no Brasil, a Dragão Fashion Week, maior evento de moda do nordeste, adaptou o evento para o ambiente digital com li-neup multidisciplinar composto por palestras e workshops gratuitos.

Os webinares também vieram para informar, aproximar e ficar. Em março deste ano, no começo da pandemia, nós do Ecoera adiamos o Summit da Água na Moda, a principio um evento fechado para 80 pessoas na Unibes, e realizamos um webinar que contou com profissionais de diversas partes do Brasil e do mundo, e possibilitou a participação de quase mil pessoas a distância.

Os brechós também estão usando as plataformas digitais provando que o distanciamento social não impede o consumo consciente. Além de vendas live pelo Instagram, promovem novos formatos como leilões online.

Caixas-surpresa – Foto: Unsplash

A dificuldade sempre estimula a inovação. A Lost Stock é prova disto. A iniciativa recentemente criada na Inglaterra visa a combater o desperdício na indústria da moda, um problema que se agravou durante a pandemia, período onde muitos varejistas cancelaram seus pedidos ocasionando estoques abarrotados. Para garantir que essas peças não causem enorme prejuízo ambiental sendo destinadas a lugares inadequados, a Lost Stock está vendendo “caixas-surpresa” que vão diretamente das fábricas para os clientes. São pedidos que foram cancelados por marcas como C&A ou Topshop. As caixas costumam vir com três peças do tamanho escolhido e custam 39 libras cada (se fossem vendidos em lojas, os produtos juntos custariam em torno de 70 libras). Nesse modelo solidário, 40% do valor das vendas está indo diretamente para os trabalhadores das fábricas.

Solução criativas e inovadoras em tempos de crise fazem circular estoques parados, diminuem emissão de carbono e colaboram para que o setor da moda continue se transformando.

Está claro que nunca foi tão urgente pensar criativamente.

Vamos juntos!

Bjs com carinho,

Chiara