Visão da casa flutuante, com design da SysHaus, na represa de Piracaia – Foto: Divulgação

Imagine uma casinha totalmente autônoma, sustentável e confortável em um lugar remoto, que permite uma experiência de desconexão total, luxo cada vez mais raro na era do smartphone e das mídias sociais. É esse o mais novo projeto de Facundo Guerra, um dos maiores empresários da noite paulistana, fundador do grupo Vegas, argentino radicado no Brasil que há anos se dedica a criar espaços de sociabilidade.

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Farto do excesso de conexão no mundo contemporâneo e atento ao zeitgeist, Facundo colocou essa ideia em prática na represa de Piracaia, no interior de São Paulo, e batizou-a de Altar, disponível para locação no Airbnb. “Não conseguimos mais nos desconectar, o celular virou uma prótese, e isso está nos adoecendo. Precisamos nos reencontrar com aquilo que é realmente importante, seja lá o que isso for para cada um”, explica.

Quarto com cama de casal – Foto: Divulgação

Ao lado de Rodrigo Martins, da Agência Nuts, aperfeiçoou o conceito e estudou como viabilizá-lo. Encontrou e firmou parceria com a SysHaus, empresa de design que tem projetos inteligentes de casas pré-fabricadas. “Pesquisamos muitos locais que poderiam oferecer uma experiência inusitada, que não fosse muito distante de São Paulo e, dentre as muitas opções que visitamos, o lugar que passou em todos os critérios foi a Fazenda Pedra Alta. Descobrimos que Marcelo Hannud, o proprietário, há tempos queria fazer uma casa flutuante.”

Nasceu, então, a casa 100% off-grid, onde a tecnologia funciona escondida. Embaixo, uma espécie de balsa de oito toneladas abriga o reservatório de água e uma bomba que funciona com energia gerada por placas solares. Lá também está o compartimento de limpeza, um biodigestor que trata o esgoto e não causa impacto à represa abaixo dele.

Detalhe da decoração interior – Foto: Divulgação

Para gerar energia, são dois sistemas: placas solares para tomadas, ventilador, geladeira e afins, e gás para água quente e fogão. Quanto ao lixo, 100% é reaproveitado ou reciclado por meio da parceria com a fazenda. “Após a estada, nossa equipe cuida para que isso aconteça”, diz Facundo. “E absolutamente todos os produtos de limpeza e higiene são biodegradáveis e orgânicos.” Altar chegou à represa sobre uma carreta. São 38 metros quadrados de área interna e 24 m² de deck. Ele acomoda quatro pessoas – duas no quarto e duas no sofá-cama da sala. “Houve uma preocupação em abrir a casa para que, de cada lugar, a pessoa pudesse contemplar o que tem lá fora. A sala é quase toda aberta, a SysHaus trouxe uma solução ótima, com caixilhos alemães e amplos vidros.”

No lado de fora, o lazer acontece: esportes náuticos, cinema ao ar livre com projetor, mesa para refeições. Em caso de mau tempo, a parte de dentro também tem uma mesa, além de sofá e lareira. Facundo fez o test-drive do Altar no final de dezembro de 2019. “É algo muito diferente do que já vivi em hospitalidade. A casa não é um barco, tampouco uma casa convencional. Fica entre um e outro. Ela balança, mas não parte. Muda de paisagem por causa do vento. Você vai dormir com uma paisagem e acorda com outra. Dá um mergulho na represa mais limpa do Brasil, dá uma volta de canoa ou caiaque, pode andar a cavalo na propriedade… Fiquei impressionado com o silêncio com o qual não estou acostumado. Ficar em silêncio no deck vendo as estrelas é uma daquelas experiências raras que queríamos oferecer. Desconectar para reconectar: com a natureza, consigo e seus afetos.”

Área comum com deck – Foto: Divulgação

Bastou postar em seu perfil pessoal do Instagram e a repercussão do projeto foi impressionante. “Sem mesmo tê-lo aberto para ocupantes, já tem causado uma baita comoção.” Naturalmente, Facundo pensa em viabilizar outros “altares” por aí. “A própria Fazenda Pedra Alta tem vocação. Visitamos uma área perfeita – uma pedra a dois mil metros com uma das vistas mais incríveis que já vi, sensação literal de estar nas nuvens. Lá os desafios serão outros – a casa tem de ser transportada de helicóptero, mas é super possível.” Se depender do argentino, nos próximos anos não faltarão, em São Paulo, espaços para badalar e desplugar.