Stella McCartney, inverno 2020 – Foto: Reprodução/Now Fashion

Quando Stella McCartney lançou a marca que leva seu nome, em meados dos anos 1990, sua preocupação em adotar práticas que não agrediam o meio ambiente fazia dela uma espécie de excêntrica bem-nascida. Alheia aos julgamentos externos e fiel ao estilo de vida vegano herdado dos pais, a estilista britânica não somente seguiu em frente como se tornou ícone do movimento que passa pelo questionamento de materiais e processos, além de estar sempre propondo novas opções.

Desde 2001, a marca que leva seu nome não utiliza peles, couro ou plumas. No lugar tem entrado, por exemplo, o Koba Fur-Free-Fur, pelo de origem vegetal reciclado e reciclável. Seu denim é o Coreva, o primeiro com elastano à base de planta. Algodão orgânico; nylon, poliéster e cashmere reciclados; couro vegano, seda Microsilk vinda do DNA de aranhas mais levedura e açúcar, além de viscose sustentável são materiais cada vez mais utilizados em suas coleções.

Com a assinatura do Fashion Pact, em 2019, a adoção de medidas para minimizar o impacto da indústria da moda sobre o meio ambiente tem se tornado assunto prioritário também para cerca de outras 150 marcas que participam do acordo. Um dos caminhos é o uso de materiais sustentáveis.

Emporio Armani, inverno 2020 – Foto: Now Fashion

Com o projeto R-EA na Emporio Armani, o estilista Giorgio Armani abraça a causa ambiental. Desse programa nasceu a linha que chega ao mercado com o inverno 2020, que mistura alfaiataria com detalhes esportivos em peças e acessórios criados com nylon reciclado, lã regenerada e algodão orgânico.

Prada, verão 2020 – Foto: Reprodução/Now Fashion

Na Prada, o nylon é o Econyl, fio regenerado vindo de redes de pesca e carpetes, por exemplo, que pode ser reciclado por um número indefinido de vezes sem afetar a qualidade do material.

Saint Laurent, inverno 2020 – Foto: Reprodução/Now Fashion

Já a Saint Laurent tem uma versão sustentável do Grain de Poudre, tecido usado desde 1966 no primeiro smoking da marca. Com aspecto texturizado semelhante a grãos (daí seu nome), utiliza lã argentina autentificada pelo Gots Label, selo mundial para fibras sustentáveis.

Gucci, cruise 2020 – Foto: Jacob + Carrol, com edição de moda de Melissa Infante, edição executiva de Filipa Bleck, cabelo de Menelaos Alevras e maquiagem de Hiro Yonemoto

O mesmo documento está presente em materiais utilizados pela Gucci, que mantém a plataforma Equilibrium para comunicar suas ações de respeito ao planeta. Além do algodão certificado, a marca deixou de usar peles – e apoia ONGs como Panthera e Tigers Forever -, incorporou o poliéster Newlife vindo de garrafas consumidas e também o nylon Econyl, usa plástico reciclado nos saltos dos sapatos e está avaliando o uso de uma nova geração de tecido revestido sem solvente com uma base de bioplástico (em vez de PU), e 66% do revestimento de paládio usado nos acessórios de metal é reciclado e rastreável.

Para a coleção inverno 2020, o jeans passou por vários processos ecológicos, entre redução de água e energia elétrica, tingimento com corantes naturais e tratamentos feitos à mão com areia, para criar os efeitos vintage.