Foto: Reprodução/Instagram/@soudealgodao

Por Carol Hungria e João Victor Marques

Água e clima não são tendências, são garantia de futuro na moda! O II Summit A Moda pela Água, com apoio da Harper’s Bazaar Brasil, celebrou o Dia Mundial da Água falando do tema e suas verdades inconvenientes, e também apresentando boas práticas no setor.

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Empresas, especialistas, terceiro setor e consumidores se encontram para discutir problemas e soluções na segunda-feira (22.03), das 14h30 às 18h30.

Veja aqui os principais destaques e o fio condutor das discussões que permearam por cada mesa que aconteceu durante o evento virtual, transmitido no YouTube.

Mesa 1: A Moda que Conquista – Conquistas, Projetos e Parcerias

A jornalista Andrea Vialli, especialista em sustentabilidade e economia, mediou a primeira mesa do 2º Summit A Moda Pela Água. Júlio Cézar Busato, da Sou de Algodão e Abrapa Brasil, lembrou a todos que a produção do algodão no Brasil vai muito além de ações ecológicas. “Ela envolve famílias, que dependem do plantio, e por isso o selo ‘Algodão Brasileiro Responsável’ foi tão importante para a fomentar a nossa indústria”, afirma. Fabianne Pacini, da Nilit Latinamerica, revela a busca constante da Nilit para encontrar solução na redução de resíduos na indústria da moda: “conseguimos desenvolver tecidos que não depreendem químicos na lavagem doméstica”, exemplifica.

Pedro Daminelli, da Damyller, revela que, ao longo dos anos (a empresa foi criada em 1979), pesquisas levaram a marca a reduzir em 80% o uso de água na produção – e, em algumas peças, até 100%. Já Guilherme Moreno, da Malwee Oficial, defende a campanha “Moda sem Ponto Final”, que representa o movimento de peças mais duradouras no mercado. “Toda produção usa água. Produtos que duram mais vão ajudar o mercado a usar menos. E pensar na forma como devolvemos esta água ao meio ambiente é fundamental”, finaliza..

Mesa 2: Patricia Carta (Publisher Harper’s Bazaar) e David Schurmann (cineasta e explorador)

A publisher Patricia Carta conversou durante o evento com o cineasta e explorador David Schurmann sobre a próxima expedição da família pelo mundo. Pertencente a primeira família brasileira a dar volta no mundo em um veleiro, em 1984 a 1994, David tinha 10 anos e viajou por 10 anos. Ele fará a 4ª expedição pelo mundo a partir de agosto de 2021. 

“Tem que conscentizar, mas temos de agir”, falou Schurmann a respeito de todo o trabalho que ele e toda a sua família tem em relação com os cuidados ao meio ambiente. A ONG fundada por eles chamada Voz dos Oceanos, que busca encontrar soluções e educar as novas gerações sobre o meio ambiente. Neste contexto, para David, a indústria da moda, hoje em dia, é uma das mais poluidoras do mundo, lançando toneladas de microplásticos de tecidos após a lavagem de roupas.

A família Schumann fez uma parceria com a Plastic Soup Foundation para tentar amenizar e diminuir drasticamente a emissão destes resíduos. “Nossa parceria é tentar entender, primeiro, qual a funcionalidade do plástico na indústria da moda, como as embalagens; segundo, encontrar alternativas para com que as roupas soltem menos plástico e tenha mais vida útil”, conta David, sobre o papel da indústria da moda sobre este tema.

Voltando a falar sobre a próxima expedição da família, a grande meta é que, daqui há 2 anos, ele acredita que conseguirá ver o começo da mudança de pensamento das pessoas e indústrias, que resultará em menos lixos nos oceanos. “Não será a solução, mas é o caminho”, completou.

“Não há vacina para os microplásticos. Temos de para-los agora”, finalizou.

 

Mesa 5: Moda, Clima e Água

Encerrando o II Summit A Moda Pela Água, Chiara Guadaleta juntou nomes de peso para discutir o fato clima e água em meio à moda. Em linhas gerais, todos acreditam que estes dois fatores parecem distantes, mas são indissociáveis.

Elisa Badziack, do Pacto Global ONU, conta que cada vez mais empresas tem sido mais signatárias dos acordos com a organização mundial. Para ela, não tem como falar sobre mudança do clima sem falar do ciclo da água. “É intrínseco, uma coisa leva a outra”, disse ela.

Marussia Whately veio na mesma pegada, afirmando que água e clima são indissociáveis. Para ela, a pandemia do coronavírus agravou ainda mais o acesso horizontal e universal da água, agravando ainda mais a disseminação do vírus “É um aprendizado da pandemia: de como não sabemos lidar com estes problemas relacionados a água e tão difíceis”, afirmou.

Lucas Pereira, da Iniciativa Verde, o momento é de unir crochês do mundo da moda e se reinventar, seguindo este fluxo de pensar modos de produção ainda mais conscientes e sustentáveis. “É necessário tudo isso, não tem mais como”, disse Pereira, categoricamente.

Indo na mesma seara de Marussia, Matthew Shirts, do Fervura no clima, que mora em São Paulo, há 40 anos, diz ser muito entusiasmado com a moda e acredita que ela seja um instrumento importante para que as pessoas tenham contato com teorias e novos modelos sustentáveis. “Ela é um dos caminhos”, completou ele, afirmando – ainda – que o principal motor de mudança é o governo. “São eles que são o fator de mudança, tem que partir dele novas e intensas iniciativas”, finalizou.