NC + Irmãos Campana – Foto: Divulgação

Que a moda reflete o comportamento da sociedade, isso sabemos muito bem. Assim como a arte é uma manifestação ativa de tudo que nos rodeia. É por aí que Fernando e Humberto, os Irmãos Campana, dois dos maiores nomes do design brasileiro, enxergaram o desafio de sua nova empreitada: uma parceria inédita com a marca NC, resultando em dois modelos de bolsas que surgem como extensão de suas peças de design.

Colecionáveis, claro! “Apesar de não ser o foco do Estudio Campana, olhamos para a moda como a fotografia de uma cultura em determinado momento, lugar ou geração”, contam Fernando e Humberto Campana à Bazaar.

Criada em 2017 pela dupla ítalo-brasileira Consuelo Cornelsen e Nadia Calzolari, a NC mantém sua sede na Emilia Romagna, região localizada ao norte da Itália e conhecida pelas paisagens bucólicas que guardam as montanhas dos Apeninos. Entre um roteiro de cidades medievais, hotéis à beira-mar e cardápios gastronômicos dignos de imersão, o luxo e a beleza do país aparecem em todas as criações da marca.

A produção é controlada pelo artesão italiano Giuliano Girali, conhecido pela tradição do fatto a mano e nas passagens por grifes como Dior, Chanel e Louis Vuitton. Um mestre dos ofícios manuais. “Eu poderia dizer que luxo não significa necessariamente caro. É algo que tem a característica de ser extraordinário e precioso, feito com o conhecimento dos materiais e com a sensibilidade dos detalhes para um resultado global e harmonioso”, observa Girali.

O convite que inauguraria a parceria com os designers chegou a partir de Consuelo, arquiteta que havia trabalhado na exposição Irmãos Campana (2017), realizada no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Foi quase um ano de estudos, protótipos e a produção final das bolsas “Raízes” e “Wanda”. “A pesquisa e uso de novas matérias-primas foram importantes fatores que nos incentivaram muito nesse projeto”, conta a dupla. Sustentabilidade e valorização de materiais estão sempre presentes nas criações dos Campana.

NC + Irmãos Campana – Foto: Divulgação

“Nosso processo criativo nasce dos elementos que utilizamos. Eles são como personagens em busca de um autor, como na peça de Luigi Pirandelo, ‘Seis Personagens em Busca de um Autor’. A partir daí, experimentamos livremente, explorando, ressignificando e ampliando possibilidades, ao mesmo tempo em que identificamos métodos artesanais que possam agregar na composição”, completam.

Este pensamento é visível nas bolsas “Raízes”, que referenciam os elos entre Brasil e África e levam componentes como Panno Casentino – tecido de lã com origem medieval -, couro e palha italiana, fibra natural obtida a partir de resíduos agrícolas.

Já “Wanda” é batizada em homenagem à personagem homônima do romance “Vênus em Peles”, escrito pelo austríaco Leopold von Sacher-Masoch (1836-1895). O livro acompanha um homem que procura conversar com a deusa Vênus sobre os limites do amor e a obsessão. Para contemplar a história, a bolsa é feita a partir de um couro elaborado pelas folhas de abacaxi e sustentadas pelas madeiras de pau marfim e bambu.

“Queríamos ressaltar o valor de um projeto bem feito, que, além de trazer histórias inspiradoras, tem qualidade impecável no acabamento”, contam Humberto e Fernando Campana. E não é exatamente uma boa história o princípio de qualquer criação artística?

Com edição limitada e certificado de autenticidade, as bolsas desembarcaram no Brasil direto para as lojas Pinga (São Paulo) e Oslo Design (Curitiba), e estão à venda também nos e-commerces Gallerist e Iguatemi. “As peças são um micro espaço. Uma pequena arquitetura para ser experimentada diariamente”, diz Nadia Calzolari.