Júlia Almeida-Bailey – Foto: Divulgação

A atriz e designer Júlia Almeida-Bailey é uma pessoa disposta a criar. Não à toa, exerceu a carreira de atriz, para a qual pretende voltar, e, em Londres, na Inglaterra, criou mais uma obra: a Florita, sua marca de roupas voltada ao slow fashion e a uma pegada sustentável. Preocupada com o meio ambiente e com a qualidade de vida, Júlia, que é filha do autor e roteirista Manoel Carlos, não se prendeu à imagem do pai, e foi atrás de suas próprias ideias.

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A Florita nasceu em 2017. Desde então, a designer vem criando peças sustentáveis e ajudando artesãos locais a se manterem por meio do trabalho. O upcycling é outra atividade que exerce, aproveitando peças passadas e sobras de tecidos para inventar uma moda bacana e que caminhe lado a lado com o planeta. 

Além de tudo o que já faz, Júlia também é embaixadora da ABE (Associação Brasileira de Epilepsia), e criou o #PorDentrodaSuaEpilepsia, um programa semanal onde recebe perguntas do público sobre o tema e as responde com a ajuda de uma especialista. 

Florita – Foto: Divulgação

Júlia, que agora mora em Paraty, realizou uma ponte entre Trancoso e a cidade para desenvolver o processo de (re)criação das peças, já que os 8 artigos sua coleção JOY IV foram produzidos a partir da reutilização de materiais remanescentes de coleções anteriores da marca. O tingimento dessas peças também foi feito de forma a causar menos impacto ao meio ambiente, a partir do uso de pigmentos naturais como barbatimão, urucum, cúrcuma e casca de cebola.

Em Paraty, a Florita trabalha com bordadeiras locais na finalização de novas peças, que unem a produção artesanal de ambas as cidades. “Se o ano de 2020 nos demandou repensarmos toda uma gama de hábitos, a marca destina agora seus esforços para além da necessidade de afirmar a necessidade de mudança apenas em nossos discursos e falas mas, por que não, afirmando-as também em nossas próprias vidas cotidianas, na prática da vivência diária da transformação de nós mesmos e do mundo ao nosso redor”, define Júlia.

Leia a seguir entrevista que Bazaar fez com a designer.

Como você começou sua marca de roupas slow fashion, a Florita?

A Florita foi lançada quando eu ainda morava em Londres em 2017. Comecei com alguns modelos de biquínis reversíveis e de tecido biodegradável e um modelo de canga feita com tecido de garrafa PET, mas os produtos sempre foram feitos no Brasil. 

Como a sustentabilidade se insere no seu trabalho?

Na Florita a gente trabalha fazendo uma coleção por ano, junto de artesãos locais. Nunca entrei na ansiedade de seguir tendências e produzir em grande quantidade, ao contrário, fugi disso desde o começo. Fui criando aos poucos o próprio estilo e ritmo da marca, sempre respeitando e valorizando o meu processo criativo e o trabalho do artesão. É claro que a escolha da matéria-prima usada é muito importante, sempre procuro saber a origem do material que estou usando e se tem certificações. Também trabalho desde a primeira coleção com upcycling. No começo, como produzíamos apenas alguns modelos de beachwear, fazíamos scrunchies com o resto de tecido da linha swim para não jogar fora o tecido. Com a chegada da linha resort comecei a fazer uma minicoleção com o resto do material.

Como você se inspira para a criação de suas peças?

É sempre de um lugar muito íntimo e pessoal. A inspiração geralmente vem do meu universo particular, do meu olhar diante dos acontecimentos e como me conecto com o mundo.

Fale sobre sua nova coleção, a Joy IV. Como surgiu?

Eu aproveitei o ano de 2021 para repensar e ressignificar várias questões da minha vida, fiz uma espécie de spring-cleaning que resultou num reencontro com quem eu me tornei. Descobri novas alegrias e prazeres, me permiti. JOY é sobre “re-encontrar” a alegria e beleza no meio do caos, é sobre este renascimento e também esse contato maior que tive com a natureza no meu dia a dia durante este último ano.

Florita – Foto: Divulgação

Como você passou a se dedicar ao upcycling, já que os 8 artigos de JOY IV foram produzidos a partir da reutilização de materiais remanescentes de coleções anteriores da marca?

Quando decidi criar uma marca sabia que seria slow-fashion, até mesmo pela fase que estava passando na minha vida, portanto o processo criativo de upcycling e reúso de tecidos sempre fez parte da marca de alguma maneira desde a primeira coleção.

Onde as pessoas podem encontrar sua linha de peças?

No IG @floritabeachwear, no site floritabeachwear.com, na loja do hotel Capim Santo e no coletivo também em Trancoso.

Qual a importância, em sua opinião, de trabalhar como uma cadeia estritamente feminina?

Para mim o feminino/masculino são energias que existem dentro de todos nós. Valorizo muito a energia feminina principalmente no meu trabalho com a Florita pois é a energia da criação que carrega a sabedoria de educar o outro, passar adiante. O nosso lado feminino é extremamente poderoso e sábio, é onde alimentamos a alma e acredito que dando vazão para ele se expressar é a única maneira de manter viva a nossa história. Para mim é sobre a energia que existe em todos nós.

Você ainda atua como atriz? Se não, pensa em voltar?

Sim!

Júlia Almeida-Bailey – Foto: Divulgação

Seu estilo de vida é saudável e voltado para o modo sustentável também, conte sobre isso?

Eu sigo no geral um estilo de vida saudável. Durmo cedo, bebo muita água e chá, respeito meu tempo, faço ioga e meditação e presto atenção na qualidade dos alimentos que consumo. Geralmente sigo uma dieta, mas como disse, neste ano me permiti não ser tão rigorosa com dietas rígidas e exercícios, fiz o suficiente para manter meu corpo e mente equilibrados, mas minha intenção neste ano foi “re-encontrar” meus prazeres, e não entrar num jeans 36  – isso faz parte da caminhada, do processo e acho isso saudável 🙂

Qual sua relação com a Associação Brasileira de Epilepsia, a ABE?

ABE é uma organização que tem no Brasil todo, com sua maior sede em São Paulo. Quando falei que tinha epilepsia me chamaram para ser embaixadora, uma especie de porta-voz já que nunca ninguém tinha falado da doença publicamente e ainda existe muito preconceito aqui no Brasil.

Júlia Almeida-Bailey – Foto: Divulgação

Conte sobre seu trabalho como embaixadora da ABE e seus conteúdos #PorDentroDaSuaEpilepsia.

Comecei a receber muitas perguntas e desabafos no meu IG pessoal, que é uma coisa boa – recebo relatos lindos e emocionantes. Mas muita coisa não posso responder já que estamos lidando aqui com uma doença portanto criei #PorDentrodaSuaEpilepsia, que é um programa semanal e didático para suprir as dúvidas do público. Quem responde as perguntas é a Dra. Juliana, que é uma neurologista com especialização em epilepsia e que faz parte do time da ABE também. Neste mês vamos gravar mais uma temporada da websérie que depende da quantidade de perguntas que chegam para nós.

Na sua opinião, qual a importância de promover conversas sobre a saúde mental?

Importância máxima! É necessário falar de tudo abertamente, saber ouvir, trocar experiências de uma forma honesta.  Acredito que quanto mais trocas estivermos dispostos a ter sem preconceito ou máscaras é a melhor forma de nos conhecer, crescer e nos fortalecer como um todo.