Joias de Karina Olsen – Foto: Divulgação

“A água nunca discute com seus obstáculos, apenas os contorna”. Trazendo para nosso contexto social, o ditado budista inspira reflexão e também caminhos para o ano que está começando. Para a joalheira Karina Olsen, foi o ponto de partida para a nova coleção, que tem tudo a ver com o verão.

Foi assim que ela foi agrupando elementos que dão corpo a peças que são delicadas na aparência e fortes no propósito de unir boas energias e sustentabilidade, fluidez e sentimento de renovação.

Nas ondas – umas maiores, outras menores – que dão forma a earcufs, anéis, colares e pulseiras salta a metáfora para os movimentos da vida. “É incrível como ela se transforma em correnteza pouco após a calmaria, atravessa por tudo, mas sempre com fluidez”, diz a designer.

Joias de Karina Olsen – Foto: Divulgação

Por trás da aparência simples dessas peças se esconde um minucioso trabalho de reprodução do movimento das ondas e, no caso dos earcuffs, de estudo da anatomia das orelhas. “Foram quase 50 protótipos em três meses”, revela a joalheira que, junto com o ourives, chegou a um formato de “clipe” que mantém o brinco bem fixado.

Outro desafio foi fortalecer o mecanismo do pingente “Planeta Terra”, que se abre como em um relicário – para que possa ser manuseado diariamente para abrigar pequenos fragmentos de pedra -, evitando que se desgaste facilmente. Karina escolheu lascas de ametista, citrino, água marinha, esmeralda ou turmalina negra, cujas cores trazem significados que vão de canalizar a espiritualidade à prosperidade: “Para que possamos trazer para perto do corpo a energia que estamos precisando para seguir em frente”. Sobras de lapidação, esses pedacinhos de gemas reforçam o caráter de upcycling da marca.

Joias de Karina Olsen – Foto: Divulgação

A terceira parte da coleção se volta para as Três Marias – as estrelas Mintaka, Alnilan e Alnitak são vistas no hemisfério sul apenas nesta época do ano. “Elas trazem a sensação prazerosa de conexão com o universo”, explica a designer, que representa o trio em diamante, tsavorita, safira e topázio aplicados delicadamente nas joias.

Nesta sequência, chamam a atenção as pérolas Keshi, famosas nos anos 1980 em colares com até 40 fios torcidos. “Escolhi apenas as mais raras: as menores de 2 mm e as maiores com 15 mm, que podem demorar até oito anos para se formarem”, ressalta Karina.

Joias de Karina Olsen – Foto: Divulgação

Toda essa preocupação com materiais, ergonomia e temáticas evidencia o cuidado da joalheira com o conceito da marca. Karina é formada em Gemologia, Design e Design Gráfico pelo Gemological Institute of America (GIA) nos campi de Nova York, Carisbad (California) e Florença.

De volta ao Brasil, trabalhou no ateliê de Jack Vartanian antes de ser uma das sócias do Studio Cocoon, sempre em paralelo a atividades assistenciais. Saiu para dar forma a um projeto com propósito social. Nascia, assim, há dois anos a Olsen K, com foco principal na reciclagem de ouro e prata.

Ela conta que muita gente não via sentido nesse posicionamento em um mercado ainda apegado a valores tradicionais; hoje, agradece por ter seguido seu instinto.

Joias de Karina Olsen – Foto: Divulgação

O fluxo de clientes que disponibilizam peças antigas de ouro que chegam ao ateliê como parte da aquisição de joias novas é tão grande que há tempos ela restringiu a compra apenas de prata de uma empresa belga especializada na extração e refino desses metais vindos de fontes como carros, computadores e celulares.

As joias que ela recebe são encaminhadas para uma empresa especializada aqui mesmo no Brasil para passarem por um processo de purificação que separa a liga, responsável por tornar o ouro mais durável e brilhante.

Uma vez obtido o metal puro, é feita a moldagem de novas peças. É assim, com determinação e suavidade, que Karina fecha o ciclo de transformação que dá às joias um senso ainda mais profundo de talismã.