Stella McCartney – Foto: Reprodução/Now Fashion

“Modelos de Negócio Circulares: redefinindo o crescimento para criar uma indústria da moda mais próspera”, relatório produzido pela Fundação Ellen MacArthur, mostrou como os modelos de negócios circulares oferecem um potencial significativo de gerar uma receita maior, ao mesmo tempo que reduz o volume de novas roupas e acessórios produzidos.

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Quatro exemplos de modelos de negócios circulares – aluguel, revenda, reparo e refabricação – representam um mercado de US$73 bilhões. Espera-se que esses modelos continuem crescendo à medida que os clientes se tornam cada vez mais motivados por preços acessíveis, comodidade e consciência ambiental.

No entanto, a Fundação alerta que atualmente esses modelos nem sempre resultam em benefícios ambientais, particularmente, se forem vistos puramente como complementos para um modelo linear tradicional baseado no desperdício.

Por exemplo, incentivar a devolução de produtos para revenda, refabricação ou reciclagem, oferecendo vouchers para novos produtos, pode fomentar mais produção. Modelos de aluguel que oferecem roupas que não foram criadas para resistir a muitos usos e ciclos de limpeza aumentam as chances desse modelo ser econômica e ambientalmente inviável. Por fim, se não forem criadas para fazer parte do sistema em que estão, as roupas vão parar em aterros sanitários depois de poucos usos.

Para maximizar os resultados positivos dos modelos de negócios circulares e reconhecer todo o potencial para um crescimento econômico de melhor qualidade e melhores impactos ambientais, a Fundação recomenda quatro ações principais:

Repensar os indicadores de desempenho, incentivos e experiência do cliente
Mudar para um modelo de negócios baseado no aumento do uso de produtos, em vez de produzir e vender mais produtos, exige que a empresa repense como mensura o sucesso, e estimule seus clientes a optar por sua oferta circular por meio de incentivos cuidadosamente projetados e melhor experiência do cliente.

Desenvolver produtos que possam ser usados mais vezes e por mais tempo
Para maximizar o potencial econômico e ambiental dos modelos de negócios circulares, os produtos precisam ser desenvolvidos e feitos para serem materialmente e emocionalmente duráveis e capazes de serem refeitos e reciclados ao final de suas vidas úteis.

Co-criar redes de abastecimento capazes de circular produtos localmente e globalmente
Para manter os produtos em circulação com sucesso, as cadeias de abastecimento de moda, atualmente projetadas para um fluxo unilateral previsível de produtos, precisam ser transformadas em redes de abastecimento capazes de circular produtos localmente e globalmente por meio da colaboração e do uso de tecnologias digitais.

Dar escala a uma variedade maior de modelos de negócios circulares
Que geram receita sem produzir novos produtos, pode aumentar a oportunidade econômica e ambiental geral a longo prazo.

Marilyn Martinez, gerente de projetos de iniciativas de moda na Fundação Ellen MacArthur, afirma: “Os modelos de negócios circulares não apenas têm enorme potencial para se tornarem uma tendência, mas também fornecem um crescimento ainda maior para a indústria da moda. A produção de roupas dobrou entre 2000 e 2015, enquanto o tempo de usabilidade das roupas caiu em mais de um terço. Modelos de negócios circulares podem ajudar a reverter isso e criar uma indústria próspera que assuma a liderança no enfrentamento de desafios globais, como mudanças climáticas e perda de biodiversidade”.

Design circular para a moda

Para ajudar os designers de toda a indústria da moda a aprender como eles podem se tornar parte da transformação da indústria da moda, líderes de todo o mundo também juntaram forças com a Fundação Ellen MacArthur para desenvolver um um novo livro. “Circular Design for Fashion” (ou, em português, “Design Circular para a Moda”) reúne algumas das principais vozes da moda para definir novas oportunidades para criadores de toda a indústria.

O livro resolve alguns mitos comuns e estabelece os princípios fundamentais do design circular, que vai além do design de produtos e serviços únicos e, em vez disso, foca em como reformular todo o sistema. Além disso, também mostra como é possível transformar o futuro da moda, passando de uma das principais causas de mudanças climáticas e perda de biodiversidade, para se tornarem parte da solução.

Para isso, traz exemplos de aplicação do design circular na prática e insights de marcas de luxo, incluindo Gucci e Vivienne Westwood, marcas independentes como Kevin Germanier e Marine Serre, gigantes redes de departamento, incluindo Gap Inc, H&M Group e PFH Corp., pioneiros da experiência de moda virtual, como Alvanon e The Fabricant, e especialistas em revenda e aluguel de roupas, como thredUP e Vestiaire Collective.

Sobre o livro, Stella McCartney comenta: “A economia circular oferece oportunidades de negócios estimulantes e, ao mesmo tempo, tem um efeito positivo no planeta. A indústria da moda precisa adotá-la”.