René Caovilla adota política sustentável para reformar seu processo produtivo
Foto: Divulgação

Por Cibele Maciet, de Paris

Há mais de 80 anos, René Caovilla é sinônimo de tradição, fatto a mano italiano, materiais nobres e puro luxo. A marca veneziana de sapatos é conhecida, entre outras, pela sandália Cleo – com uma tira em forma de serpente que envolve pés e tornozelos de celebridades como Bella Hadid, Jennifer Lopez e Rihanna nos red carpets.

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É o exemplo de como um acessório pode se tornar objeto de desejo de dez entre dez mulheres. O que não quer dizer que a grife não acompanhe as mudanças de comportamento dos consumidores, sobretudo em um ano afetado pela pandemia.

René Caovilla adota política sustentável para reformar seu processo produtivo
Edoardo Caovilla, diretor criativo e neto do fundador da marca, une luxo à sustentabilidade no amplo projeto que levará uma década para ser totalmente implementado – Foto: Divulgação

Edoardo Caovilla, diretor criativo e neto do fundador da marca, vê na crise que ainda afeta o mundo o momento certo para dar à marca um perfil mais justo e sustentável. “Hoje em dia, o artesanato, a utilização de materiais excepcionais e o processo lento e cuidadoso de confecção não são suficientes”, conta à Bazaar.

Segundo ele, a inovação e as novas tecnologias se tornaram a pedra angular da evolução de uma marca, incluindo a sustentabilidade que, ressalta, se tornou um dos projetos mais importantes da grife.
Com foco nos próximos anos, a label italiana decidiu desenvolver uma política de sustentabilidade intitulada Esculpindo o Futuro do Luxo, levando em conta três pilares principais.

René Caovilla adota política sustentável para reformar seu processo produtivo
Foto: Divulgação

Começa pela valorização de cada indivíduo por meio do desenvolvimento de um Código de Conduta que identifique os principais requisitos a serem seguidos pelos fornecedores. A etapa seguinte é realizar um mapeamento completo da cadeia de suprimentos com o objetivo de identificar riscos socioambientais. E, finalmente, cuidar de detalhes como emissões de carbono, produzidas pelo produto e canais de distribuição.

O processo começou a ser implantando há seis meses, mas levará cerca de uma década para que todas as etapas sejam implementadas. “A moda sustentável é de extrema importância. O consumo é muito difundido nas economias industrializadas, gerando um desperdício massivo em todos os sentidos”, analisa o diretor criativo, prevendo que a preocupação de seus clientes com questões ligadas à sustentabilidade ambiental também crescerá nos próximos anos. “Isso estará condicionando as escolhas de compra”, reflete.

Entre os projetos que pretende colocar em prática está o desenvolvimento de novos materiais. “Para isso, estamos em contato com a organização 4ocean e adoraríamos fazer algo com eles. À medida que avançamos no século 21, qualquer pessoa que se considere realista terá que fazer do meio ambiente uma prioridade”, pondera.

Mas as mudanças não param por aí: além de reforçar a identidade sustentável da René Caovilla, Edoardo se concentra na expansão digital. “É uma tendência que a pandemia tornou inevitável, obrigando as marcas a se adaptarem a essa nova forma de comunicação”, afirma.

René Caovilla adota política sustentável para reformar seu processo produtivo
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Ao mesmo tempo em que amplia os domínios na internet, ele investe em endereços físicos, com a abertura de lojas em São Paulo, Pequim e Miami. “Neste momento, estamos de olho no mercado chinês, mas também muito felizes com a abertura de uma loja em Miami e com a inauguração no Brasil”, comemora, referindo-se ao espaço no shoe salon do CJ Shops Jardins, na capital paulista.

E que espaço pretende ocupar no mercado nos próximos anos? “Continuaremos a nos posicionar no segmento de calçados de luxo, mas trabalharemos em uma nova marca-irmã a fim de aumentarmos nossas opções de produtos”, revela o diretor criativo, apontando que, apesar de oito décadas de mercado, a René Caovilla caminha rápido e com elegância rumo ao futuro.